Meus pais foram comigo até o aeroporto, eu já tinha dezoito anos não sabia por que estava fazendo isso, só que ainda não mandava sem por cento em mim mesma, uma prova disso é que ainda morava com os meus pais. Não que achasse ruim, por mais que a minha mãe fosse como ela era e o meu pai mais se preocupava com o trabalho do que comigo, eu ainda gostava deles. Ninguém era perfeito e talvez no fundo eu soubesse que isso jamais iria mudar.

Quando chegamos ao aeroporto caminhei sem olhar para trás, meus pais também tinha ido até lá, eu estava com tudo que precisava e com um bilhete quadrado falando sobre o tal colégio interno. Estava com uma má impressão.

— Desculpe por isso. Mas um tempo lá e talvez esteja pronta para voltar. — Disse meu pai, parecendo relutar um pouco contra a ideia.

— Acha mesmo que esse tal colégio vai ajudar em alguma coisa? Aposto quem nem conhecem lá direito.

— Não conhecemos. Mas uma amiga do trabalho me disse que lá é ótimo. Eles seguem as mesmas regras que antes para pessoas rebeldes como você.

— Quando foi isso? — perguntei desconfiada

Apostava que tinha tempos e ela simplesmente tinha tomado àquela decisão, ela nem devia saber se as regras de lá tinham mudado ou se alguma coisa tinha mudado.

— Um colégio interno feminino?

Não seria boa ideia misturar feminino com masculino não acha? — perguntou minha mãe.

— Ótimo. Vai me mandar para um lugar que nem conhece. Já pensou se isso for mentira? Conhece o diretor ou diretora de lá pelo menos?

— Não. Mas conversei com ela pelo telefone. Vai ser bom para você. Agora vá antes que perca o voo.

Ela parecia ansiosa e relutante para me ver partir, já meu pai parecia mais relutante que qualquer outra coisa. Apostava que ele não concordava tanto com aquilo quanto minha mãe, mas talvez pensasse que realmente seria o melhor pra mim.

— Olha, querida, eu sinto muito por isso. Vamos sentir sua falta, mas sei que é a escolha certa. — Disse meu pai tirando a atenção do telefone e olhando para mim.

— Não vão nada. Aposto que não veem a hora de me mandar para lá e esquecer que eu existo. Só atrapalho o trabalho de vocês mesmo. Eu aqui indo para um lugar que nunca vi na minha vida e vocês nunca ouviram falar, e o senhor ai olhando para o celular e conversando sobre trabalho. — Eu disse pegando minhas coisas

— Vai entender depois.

— Já entendi. — Falei, virando-me

— Espera... Não vai nem se despedir? — perguntou meu pai

Ele parecia estar ofendido com o que eu disse, mas não comentou nada. Eu não queria magoa-los, mas queria fazê-los enxergar o que estava exatamente na cara deles. Todo mundo já tinha percebido isso e eles não. Eles sempre colocam o trabalho a cima de tudo, sabia que era importante para eles, mas eu também precisava de atenção. Eles em pararam para saber minha opinião, talvez até porque já soubessem que eu seria contra.

— Deveria? — Perguntei.

Meu pai me observou sem dizer nada, eu tinha quase cem por cento de certeza que a decisão tinha sido só da minha mãe e de tanto ela falar na cabeça dele acabou o convencendo.

Ainda estava na duvida. O que iria acontecer se eu saísse da cidade? Porque de acordo com a maldição quem saísse acabava morrendo, eu não sabia no que pensar. Tudo isso era tão injusto. Não queria mesmo ir, iria ficar longe do Neythan e do Alam.

— Quando chegar lá terá uma pessoa te esperando para te levar até o colégio.

— Claro. E isso só melhora — eu disse ironicamente

Algum tempo depois estava dentro do avião, como era de se imaginar não havia muitas pessoas ali para viajarem, pois muita gente devia ter medo da maldição. Não negava que também estava com medo, era normal depois de ouvir de um monte de gente que todo mundo que saia morria algum tempo depois.

O avião ainda não tinha decolado e deu um frio na barriga saber que eu sairia dali, antes até talvez não me importasse se deixasse essa cidade, mas agora tinha mudado totalmente de opinião. O avião finalmente começou a decolar, não fazia ideia do que iria acontecer dali para frente, nem sabia se devia pensar positivamente. Quer dizer, eu estava em um avião, não que tivesse muito medo, mas pensar negativamente não ajudaria.

O bom é que se eu saísse realmente bem da cidade poderia voltar a ver o sol. Raramente o sol aparecia em Nuvia, somente perto das florestas o que ninguém riscava ir até lá só para ver, por medo.

Eu precisava dormir um pouco, pensando bem nesse assunto não dormia bem desde aquele dia que sai da casa do Neythan, aquele tinha sido um dia muito especial, e mesmo aquilo tendo me levado a essa situação não me arrependia de nada. Queria voltar para ficar com ele.

— Já sinto a sua falta.

Abri a mochila e peguei o tal folheto do colégio interno, olhei para ver quantas horas levaria de viajem e vi que daria para dormir um pouco. Tomei um remédio para ajudar a dormir e também para aliviar a dor no braço que tinha fraturado.

Acordei um tempo depois com aquela voz anunciando que tínhamos chegado, para recolher os pertences e tal. O lado bom? Eu ainda estava bem, lado ruim? Agora estava longe do Neythan.


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