Um tempo depois quando já tinha chegado à minha casa e almoçado, estava pensando em alguma coisa para escrever no meu diário, até que lembrei do diário da tal de Melissa.

Tinha escutado de novo aquele nome quando esbarrei com aquele homem. Melissa! Quem será que era essa pessoa? Ou quem foi? Eu só poderia descobrir abrindo aquele diário. Não poderia ser mera coincidência eu ouvir aquele nome e depois encontrar um diário com o mesmo. Peguei o diário e tentei abrir, mas nada, ele simplesmente não abria, devia ter alguma chave para abrir aquilo, eu olhei no buraco onde tinha achado e no qual meu pai ainda não tinha arrumado só que não encontrei nada.

Desisti e joguei de novo dentro do guarda-roupa. Isso era loucura, só poderia ser.

Fui olhar pela janela do meu quarto e vi a casa do vizinho estranho, sem movimento nenhum lá dentro. Como ele vivia? Será que ele tinha saído? Será que ele estudava ou trabalhava? Será que ele tinha uma namorada? Nossa! Eu estava começando a realmente ficar paranoica, por que estava interessada nele assim? Eu nem o conhecia.

O dia inteiro foi aquele tédio, meu pai tinha saído, pois foi para o emprego na cidade e minha mãe tinha ido com ele, pois, segundo eles, tínhamos mudado pra cá por causa da transferência do trabalho deles, eles agora tinham sido transferidos para alguma empresa naquela cidade, ou seja, fiquei sozinha, o pior de tudo era que estava chovendo e estava um pouco frio. Fui para sala e fiquei sentada no sofá assistindo a alguma coisa na TV. Comecei a sentir um calafrio e sussurros estranhos, olhei em volta e não vi nada. Prestei mais atenção quando vi que os sussurros chamavam o nome da Melissa.

Caminhei até a porta de entrada e abri, lá fora chovia muito e não dava para ver quase nada por causa da neblina.

Melissa!

— Quem é Melissa? — perguntei irritada

Não houve resposta, sai me molhando naquela chuva e forcei os olhos olhando em volta, mas estava tudo deserto. Se fosse uma brincadeira de alguém, não tinha graça e era uma brincadeira de muito mau gosto.

— Que... Coisa! — Disse batendo o pé no chão

— Se não quer morrer ai, aconselho a sair da rua. — eu me virei e o vi de novo de capuz como na noite anterior

— O que você...

— É melhor sair da rua, louca. — Disse ele

Louca? Ele tinha me chamado de louca? Quem ele pensava que era? Louco era ele, já iria começar a dizer alguma coisa quando vi um carro vindo em minha direção e sai da rua, ele estava parado no batente da porta de mãos no bolso. Eu ainda não estava acreditando que ele me chamou de louca com tanta naturalidade.

— Era você que estava fazendo aquilo? — perguntei tentando esquecer o insulto e ver o rosto dele, mas nada.

— Não faço ideia do que está falando. — Respondeu ele calmamente

Dei de ombros um pouco frustrada e constrangida.

— Aquelas... — comecei, mas parei.

Preferi assim, ele iria achar que eu era mais louca e não era essa a impressão que eu queria deixar. Não para ele, não queria que ele pensasse que tinha razão.

— É melhor voltar para sua casa. Ou vai ficar gripada ai.

— Tenho uma saúde excelente.

Um minuto na chuva e já ficar gripada? Quer dizer, ele tinha razão, se eu ficasse mais um pouco ali isso poderia sim acontecer. Mas tinha perguntas para fazer a ele, muitas.

— Não fique se gabando assim. — Disse ele

Ele movimentou os ombros, tombando a cabeça de lado, poderia jurar que escutei uma risada, mas não tinha certeza. Que ele era misterioso isso era um fato, mas de alguma forma, todo esse enigma no ar, só me fazia ficar mais curiosa, e ele tinha um jeito meio... Sedutor. Eu gostava quando ele falava. Não! O que?

— Não vai me dizer seu nome? — tentei

— Não! — respondeu ele virando e ficando de costas pra mim

Revirei os olhos, a frustração mais uma vez crescia em mim.

— Ah! É? — perguntei desafiando-o.

— É. — Respondeu ele parando.

Ele pareceu rir mais uma vez, só que ainda estava imóvel parado de costas para mim como se esperasse que eu dissesse alguma coisa. Eu sabia que estava sendo infantil, mas ele é que tinha começado. Eu só iria continuar.

— Você deve ter um nome estranho então, né? Por que outro motivo não me diria?

— Por que eu não quero. — Respondeu ele

Dessa vez, eu não sabia dizer se ele estava irritado ou não, mas ainda iria desafiá-lo.

— Vou te chamar de Veni então.

Veni? — perguntou ele rindo — Isso é nome de cachorro?

Suspirei impaciente balançando a cabeça, mas quando lembrei que ele não estava vendo, prossegui:

— Não! Significa: Vizinho Estanho Não Identificado. É o que eu acho de você

— Agora eu é que sou estranho? — perguntou ele

Ele entrou e bateu a porta à suas costas.

Fiquei parada encarando a porta meio incrédula, ele tinha me chamado de louca, até ai tudo bem. Mas que motivos ele tinha para não querer me dizer seu nome? Era claro que um dos motivos poderia ser que ele simplesmente não queria, mas quanto mais ele fazia mistério mais eu queria descobrir sobre ele.

Tanto a minha casa quanto a dele era afastada do centro da cidade, se alguém fosse para a esquerda, no final da estrada só encontraria uma floresta e uma pequena estrada que levava de volta ao centro da cidade, talvez isso explicasse o porquê daquele carro estranho estar passando por ali àquela hora da noite. Se pegasse a estrada a direita da nossa casa isso iria levar exatamente para a civilização.

Tirando isso, as únicas casas naquela redondeza eram as nossas, as outras que tinha a uma pequena distância dali, deviam ser abandonadas, e também havia uma casa totalmente destruída perto da nossa.

Isso me levava a conclusão que ele não era muito social, se estava morando naquela redondeza sozinho, era porque preferia evitar a cidade e as pessoas, ou talvez fosse simplesmente porque queria.

Tudo isso, despertou em mim uma curiosidade imensa de ver como ele era, de saber o nome dele e talvez até um pouco da história dele. Precisava mesmo usar aquele capuz? Por que ele sempre andava com as mãos nos bolsos?

Ah! Mas eu iria descobrir e em breve!


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