For every story tagged #WattPride this month, Wattpad will donate $1 to the ILGA
Pen Your Pride

Virei envergonhada tampando o rosto, e ele veio até onde eu estava me abraçando. Isso tinha sido muito constrangedor, sorte a minha que só tinha sonhando que estava abraçando ele e não outra coisa. Ainda por cima ele tinha escutado o que eu disse. Queria enfiar a minha cara em um buraco de tanta vergonha que estava sentindo.

— Quer saber uma coisa? Eu também sonho com você. — Disse ele e eu virei para olhá-lo

— Ah, então você dorme...

— Quase isso.

— Por que veio aqui? Quer dizer, não que eu ache ruim, é maravilhoso, mas ainda nem é 6 horas da manhã.

— Tenho uma coisa importante para te falar.

Observei o Alam dar de ombros, em seguida disse:

—Vou saindo aqui porque tenho que terminar umas coisas e mais tarde encontrar uma pessoa.

— Encontrar uma pessoa? — perguntei arqueando uma sobrancelha

— A Marcela.

— Hum... É mesmo? — perguntei sorrindo

— É! Mas não é nada do que você está pensando. Só quero agradecer pelo que ela fez. — Disse ele indo até a bancada da cozinha e pegando alguns papeis que estavam ali. — Bom... Tenho que ir agora, tenho muito que fazer.

Ele saiu e fiquei a sós com o Neythan.

— O que tinha para falar?

— Quando voltar da escola hoje não pegue um táxi.

— Por quê? — perguntei confusa

— Não é uma boa ideia. — Ele respondeu tocando meu rosto delicadamente

— Sei, é como da vez que disse para que eu tomasse cuidado com leite. — Eu disse e ele fez que sim com a cabeça

Não sabia como isso funcionava, se era algum tipo de visão ou algo do tipo, só sabia que ele sempre acertava e eu preferia acreditar nele a arriscar.

— Tá bom. Não precisa se preocupar com isso.

— Tem mais uma coisa. Quero te dar isso. — Disse ele pegando a minha mão e colocando uma pulseira.

Era uma pulseira que combinava com o colar que ele me deu uma vez.

— Por que... Isso...

— Porque te dá proteção. Não é como se fosse um amuleto, é diferente. Mas para humanos funciona bem.

— Para os humanos...

—É! — Ele deu de ombros — Não posso me comparar a um ser humano, por mais que quisesse. Eu sou muito diferente, não sei se isso é ruim ou bom.

— Mas você é uma pessoa... Pra mim você ser assim é bom. Já conseguiu me salvar um monte de vezes.

— Como eu já disse: Não sou uma pessoa... Boa.

— Que eu saiba você nunca machucou ninguém, e também se tivesse... Isso não te tornaria menos humano. —Mais ou menos

— É complicado. — Ele disse, dando-me um beijo.

— Eu já ganhei um colar de você — falei tocando o colar que estava usando que ele me deu uma vez.

— O colar serve para bloquear algum tipo de poder. Eu pensei em te dar uma aliança...

— Uma aliança?

— É. Para vocês humanos, significa compromisso.

— E você mudou de ideia?

— Não mudei de ideia. Você é importante pra mim, só queria esperar o momento certo. Não quero assustar você.

— Não é necessário, você também é muito importante pra mim. — Eu disse e ele sorriu

— Tenho que ir agora. Vejo você mais tarde — Ele me deu um beijo e foi até a porta. — E não se esqueça do que eu te disse.

— Não vou esquecer.

Ele saiu e eu fui comer alguma coisa antes de ir para escola.

Já na escola fui conversar com a diretora sobre as minhas notas e sobre as faltas que tinha, daqueles acontecimentos que me fizeram acabar perdendo aula, minha mãe já tinha passado ali e repassado a transferência. A diretora disse que eu iria precisar fazer apenas um trabalho de compensação, mas que teria que ser dupla com outro aluno, meu caso na escola não estava tão complicado, pois minhas notas até que estavam boas.

— Vou ter que fazer dupla com quem? — perguntei a diretora que estava anotando alguma coisa no caderno

— Mark Muller.

— O quê? — perguntei surpresa — Como assim ele?

Mark Muller era da mesma sala que eu, nunca conversei com ele, mas todo mundo da escola sabia que se era impossível ter uma conversa normal com ele. Ele quase nunca fazia lição, provas ou trabalhos que eram recomendados pelos professores, isso sem contar a fama de enganar as garotas que ele tinha. Ouvi de uma das garotas que ele apostava com os amigos, que conquistava uma garota e depois a deixava sem se importar com os sentimentos delas, mas as maiorias das meninas dali já sabiam disso, o que eu não entendia é por que ainda continuavam a cair na dele.

— Você é uma boa aluna. Tenho certeza que conseguirá fazer ele se esforçar um pouco. Se o trabalho não for feito em dupla não conseguirá um dez.

— Mas diretora? Isso é injustiça, ele nunca vai fazer isso.

— Tenho certeza que você consegue. — Disse ela me entregando algumas folhas que estavam escritas coisas sobre o trabalho.

— E se ele não fizer a parte dele?

— Sinto muito, mas não vão conseguir um dez. O ano está acabando e essa é a única chance de vocês. O baile de formatura vem ai. Todos do terceiro ano precisam ter uma boa nota e presenças excelentes.

— Mas... Mark Muller é impossível.

Ela mexeu no microfone e chamou Mark Muller para comparecer ali. Ele chegou alguns minutos depois.

Ele era alto, tinha o estilo bad boy, cabelos escuros sempre bagunçados, olhos castanhos, corpo malhado e um sorriso daqueles provocativos, que lembrava vilões de cinema.

— Que bom que compareceu na escola hoje, senhor Muller. — Disse a diretora levantando-se.

— É sempre um grande prazer — Disse ele com um sorriso de deboche

A diretora ignorou

— Você tem um trabalho para ser feito com a Mhylla. Se não fizer pode começar a se preocupar com a sua situação aqui na escola.

— Trabalhos escolares não são a minha cara.

— Não é problema meu. Já passei tudo para a Mhylla o que deve ser feito. Podem fazer a pesquisa na biblioteca que tem na cidade ou até mesmo aqui na escola.

— Diretora isso vai ser completamente...

— A biblioteca abre as 14h00 hoje. — Ela falou interrompendo-me — Tem o prazo de até quarta feira para entregarem.

— Mas... — comecei a dizer, mas o telefone da sala tocou e ela começou a falar com alguém.

— Já podem se retirar.

Sai dali, inconformada com a situação, eu estava em uma situação complicada, poderia ter sido qualquer pessoa, mas ele? Isso era injustiça. Já era segunda-feira. Tínhamos pouco tempo para fazer aquele trabalho. Agora esse Mark Muller seria a nova complicação da minha vida, que já era complicada? Não merecia isso. Eu sabia que não devia julgá-lo ante de conhecê-lo, mas já tive provas o suficiente do caráter dele.


Toque de SeduçãoLeia esta história GRATUITAMENTE!