PARTE 1

REF: CAPÍTULO 1: A CIDADE

Os dias para ele eram sempre monótonos, não que ele se importasse realmente com isso, uma parte de si já tinha desistido de quase tudo, não que não tivesse confiança ou determinação para correr atrás de algo, mas porque simplesmente parecia a coisa mais fácil e certa a ser feita. Ele estava acostumado a se isolar da humanidade, a ficar o mais longe possível das pessoas e a nunca tocar nelas; isso não quer dizer que nunca se relacionava com ninguém. Ele tinha decidido consigo mesmo um jeito de tornar as noites menos tediosas; arrumar um emprego. Não havia vizinhança por ali e nem nada, apenas uma casa velha frente à dele que não morava ninguém, sendo assim a noite por ali era bem tranquila e quieta, lembrava fazendas ou moradias perto de matos; sempre era possível escutar o barulhinho dos grilos e nada mais.

Ele havia arrumado um trabalho no Bar do Boo — esse era o nome, no caso apelido do dono — eles haviam se tornado apenas conhecidos, Boo deu a chance a Neythan de trabalhar ali durante alguns dias e em troca Neythan pediu para que ele nunca encostasse nele, Boo achou estranho no momento, mas pensou ser mais um caso de uma pessoa com aversão a toque.

Ele concordou em trabalhar lá e Boo aceitou de boa vontade o pedido dele, já que estava acostumado com pessoas com costumes estranhos por lá; o serviço era bem simples: ele só tinha que servir. Ser o perfeito barman, e isso ele sabia fazer perfeitamente. Sempre soube cozinhar devido a ter que aprender muito cedo a se virar sozinho, entendia perfeitamente sobre tudo: comidas e bebidas. Sempre aparecia alguém tentando encostar nele ou até mesmo flertar, mas devido a ótima percepção, sempre desviava rápido quando alguma mulher tentava uma investida tentando encostar na mão dele.

Ele não tinha nojo dos humanos, de ninguém a sua volta, muito menos tinha aversão a toque como Boo insinuara, apenas tinha medo do que poderia acontecer se tocasse alguém. Durante toda a sua vida até aquele momento ele nunca havia tocado ninguém, nunca tentou, pois sempre teve medo de machucá-los, ou no caso de matá-los com um simples toque. Seus pais o abandonaram quando criança por causa do que ele era e isso desencadeou esse trauma.

Por causa de tudo isso, ele cresceu quase isolado da humanidade, sua casa era bem afastada do centro da cidade onde morava a maioria das pessoas, e como ele precisava entender um pouco mais sobre elas decidiu pegar o trabalho. Não que ele precisasse, pois não tinha despesas com que se preocupar. Com isso ele adquiriu mais habilidades, conseguia identificar perfeitamente e sem erros quando alguém mentia — ele escutava seus batimentos cardíacos, olhar, expressões, o tipo de tique que a pessoa tinha, como por exemplo, se ficava balançando os pés ou ficava com as mãos tremendo —, entre varias outras coisas.

Ele gostava de caminhar pela cidade as tarde e noites, sempre que não tinha trabalho ou algo parecido a fazer, perto de sua casa era bem isolado, quieto. Qualquer pessoa normal teria medo de ficar por ali até mesmo de dia; mas ele não era normal, nunca seria.

Sua vida era muito monótona, ele vivia como se fosse morrer a qualquer momento, não se importava com nada, até porque, não tinha nada a perder. Ele não tinha família, não tinha amigos, não tinha praticamente nada, fora é claro seus bens materiais. Se não tivesse tanto medo dele mesmo, de quem ele era, poderia até adotar um gatinho. Eles eram calmos, não fazia barulhos e seria uma ótima companhia, mas ele era piedoso e não iria se arriscar a tal ato.

Todas as luzes estavam apagadas, o silêncio rotineiro rodeava a casa. Ele estava sentado no sofá da sala com a cabeça recostada sobre o mesmo, sua mente vagava entre pensamentos sobre como seria se tivesse a companhia dos pais, se eles o tivessem criado, ou até mesmo o que poderia fazer de novo para sua vida não ser tão tediosa e monótona.

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