REF: CAPÍTULO 11: SALVA

Noite anterior

Estava tudo calmo como sempre, ele estava deitado na cama sem muita vontade de tentar dormir, na verdade não gostava disso, sempre tinha pesadelos constantes à noite: coisas envolvendo sua infância, a dor por ter perdido os pais por causa do que ele era, ou até mesmo coisas envolvendo pessoas que morriam por causa de ele ter as tocado. Ele odiava isso porque sempre o deixava perturbado.

Ele fechou os olhos descansando sua mente, tentou não pensar em nada, apenas ficar olhando para a lareira acesa ao seu quarto, uma coisa que fazia com frequência.

Alguns passos no andar de baixo chamou sua atenção e ele abriu os olhos rapidamente, nunca alguém havia entrado ali, ainda mais sem a sua permissão, ele voltou sua atenção para a porta esperando que o intruso entrasse, sabia que era uma mulher, pois os passos eram delicados.

Ela abriu a porta cautelosamente e ficou parada com a mão ainda na maçaneta, ele arqueou uma sobrancelha, surpreso. O que ela estava fazendo ali? E porque tinha entrado sem ao menos bater na porta? Ela não deveria estar ali e ele devia mandá-la embora.

— Rá — Ela disse em tom acusatório apontando o dedo para ele — Eu finalmente te encontrei. Não adianta tentar fugir, eu já vi o seu rosto e sei o seu nome.

Ela entrou fechando a porta e ele congelou, tentando não parecer surpreso. Ela não podia e não deveria estar ali. O que estava acontecendo?

Ela aproximou dele mais ainda e sentou na cama, indo em direção a ele.

— Agora você não pode fugir e também não pode mentir pra mim.

Ele arqueou uma sobrancelha afastando e dando de costas com a cabeceira da cama, ele nunca havia mentido para ela. O que ela estava falando? Por que estava ali? Ele não podia ficar perto dela ou a machucaria. Ela tinha que ir embora.

Ele estava encurralado por ela e mesmo que quisesse não conseguiria sair dali, só se tocasse nela tirando-a de sua frente, mas tinha medo de fazer isso e sinceramente? Uma parte dele não queria.

— Mhylla, você tem que...

— Não! — ela o interrompeu sorrindo — Eu é que vou falar.

Ele conseguia sentir o perfume dela e desejou tocá-la loucamente, sua pele estava a menos de centímetros da dele e ele não conseguia tirar os olhos dos dela. Ele precisava tocá-la.

Ela ergueu a mão tocando o rosto dele e o puxou pela camiseta fazendo com que os seus corpos ficassem colados. Ele respirou fundo tentando manter um autocontrole, a pele, dela, o perfume, os olhos, os lábios dela que estava a centímetros dos dele, ele não resistiu. Puxou para si beijando-a intensamente, sabia que era errado, sabia que devia parar e expulsá-la dali para a própria segurança dela, mas não o fez.

Ele desceu a mão pelas costas dela parando na cintura e então a segurou virando-a e deitando na cama no lugar onde ele estava antes, ela passou a mão pela nuca dele e retribuiu o beijo.

Ele podia escutar o coração dela acelerado; o dele também estava. Ela tinha uma pele macia e um perfume doce, ele gostava de tocá-la, gostava de tê-la ali. Ele podia sentir a própria pele febril, isso sempre acontecia quando a adrenalina começava a tomar conta de seu corpo, ou melhor dizendo, quando ele estava prestes a perder o controle. Sua mente gritava loucamente para se afastar dela, mas ele não conseguia. Era egoísmo? Ele pensou, era. Mas nada naquele momento importava, não até que ele olhasse para ela novamente.

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