Ele voltou a me beijar e acariciou a minhas costas, eu não devia estar fazendo aquilo, mas não conseguia resistir quando ele me tocava, talvez esse fosse o meu ponto fraco com ele. Agora ele já sabia a verdade, só que não poderia insistir na história. Ele me deu mais um beijo antes de se afastar.

— Tenho que ir agora.

— Vai sair assim? — perguntei, incrédula.

Ele devia ter entendido a pergunta porque ele sorriu e disse:

— Terminou comigo, lembra?

Ele estava fazendo tudo aquilo só para me provocar, como ele era esperto.

— Está fazendo de propósito então.

— Talvez. — Ele sorriu — Seria mais fácil se estivéssemos como estávamos antes.

Eu entendi, poderia continuar se estivéssemos juntos, tudo o que eu teria dele, naquele momento, seria só isso.

— E os outros? Não sou egoísta, não vou pensar só em mim.

— Não é uma solução você ficar com ele. Como pode ter certeza que ele vai cumprir o que disse? Como pode ter certeza que ficando com ele, ele irá tirar a maldição dessa cidade?

— Não disse que iria ficar com ele.

— Deve ter pensando.

Não iria negar, até quase tinha pensado, mas também não poderia me condenar a ficar com uma pessoa que não amava só que também ele estava sendo até legal.

— Está vendo? É melhor eu ir, antes que alguém veja.

— Não acho que seja um problema para você.

— E não é.

Ele saiu do quarto e eu fiquei ali, com o coração acelerado e respiração ofegante. Aos poucos percebia que estava e não estava errada, estava porque realmente gostava dele, claro. Ele tinha aquele jeito que guardava muitos segredos, mas isso fazia parte, o Alexander também era assim. E olhando pelo lado que não estava errada, é que minha escolha também faria diferença na vida dos outros. Eu tinha certeza absoluta que o Alam não iria ficar ali naquela cidade por muito tempo, então precisa resolver isso o mais rápido possível.

Levantei e fui me trocar, colocar uma roupa mais confortável para dormir. Antes liguei para o Alam para confirmar onde ele estava depois fui dormir.

Decidi não apressar mais as coisas comigo e o Alexander, seria só aquele beijo e ponto final. Eu precisava pensar direito só que também nem tanto de vagar...

Na semana seguinte na quarta-feira, teve uma prova na escola, o pior é que tinha sido dupla e acabei caindo com a Ambre. Era difícil ficar ao lado de uma pessoa que eu sabia que era falsa. Se ela soubesse daquele outro beijo com o Alexander não duvidava em nada que ela tentaria me atacar ali mesmo.

Depois de tudo fui pra casa, aquela semana meus pais estariam em casa, tiraram uma folga do trabalho. O Alam passava um tempo desenhando algumas coisas ou conversando com alguém no celular. De acordo com ele, estava prestes a lançar uma grife. Devia ser isso que ele tinha dito já que não entendia nada sobre o assunto. Ou era um desfile, alguma coisa assim.

Chegando em casa vi que meu pai estava do lado de fora arrumando alguma coisa do carro, tinha quase certeza que ele não sabia nada do assunto já que passava a maioria do tempo trabalhando e sempre que precisava mandava para o conserto. Quando me aproximei tive uma surpresa, o Neythan também estava com ele.

— Oi — disse meu pai

— Oi? — Falei, confusa

— Conhece o nosso vizinho? —perguntou meu pai observando-me

Eu não respondi, apenas dei um meio sorriso, estava nervosa demais para formar alguma resposta coerente, o que ele estava fazendo ali? Ele parecia estar se dando muito bem com o meu pai...

— Ele é bem legal! — Disse minha mãe saindo de casa com um pano na mão e jogou o mesmo para o meu pai

— Acredita que ele mora aqui em frente? Nunca o vimos, quer dizer... Eu acho. — Ela falou, meio confusa

— Ele estava me ajudando aqui no carro, estaria perdido mais uma vez se não fosse a ajuda dele, teria que mandar para o conserto e isso seria um problema.

— Já nos conhecemos. — Disse o Neythan

— Ah... É? — perguntou minha mãe encarando-me

— É.

— Preciso terminar umas coisas. — Disse meu pai — Obrigada pela ajuda.

— Está convidado a jantar aqui em casa qualquer dia. Você mora sozinho, acho que não é um problema para você. — Minha mãe, abrindo um sorriso.

— Obrigado pelo convite.

Desde quando eles sabiam tanto sobre o Neythan? Quanto tempo ele tinha passado ali?

Meu pai e minha mãe entraram

— Por que está fazendo isso?

— Como eu disse, tive a prova que ainda me ama. Tudo que tenho que fazer é conquistar você de novo.

— Não devia fazer isso.

— Não se preocupe. Não fiz à mesma coisa que o Alexander. Eu contei resumidamente a verdade para os seus pais.

Com isso ele quis dizer que contou sobre ele, só que não sobre o que ele era. Se fosse um tempo atrás até acharia isso bom, pelo menos ele estaria conversando com alguém, só que agora não sabia se era uma boa ideia. Quer dizer, estava até contente com isso.

— Pretende se aproximar deles para se aproximar de mim?

— Na verdade os dois. Quero ter a sua confiança e a deles.

— Eu confio em você. Só quero que entenda que não terminei por que não gostava de você e sim porque tenho que fazer isso.

— Eu sei. Ele deve ter dito que a maldição começou quando a Melissa não aceitou o destino dela. Assim a maldição só pode terminar se você ficar com ele, já que acha que é a reencarnação da Melissa.

— E o que acha disso?

— Acho muitas coisas. Não que deve ficar com ele, mas isso pode ser um detalhe.

— Eu... Vou pensar.

Ele sorriu

— Eu sei que vai.

— Faz isso porque sabe que é meu ponto fraco.

— Não achava muito isso, mas agora que você disse...

— Não foi por querer. — Falei e ele sorriu virando-se e indo para casa dele.

Sempre que eu não queria acabava falando demais. Se ele se aproximasse mais, mais difícil seria tentar esquecê-lo.

Como ele era esperto.

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