Fiquei parada na porta de casa tentando raciocinar o que tinha acabado de acontecer, eu não queria ter saído com ele, mas sai, eu não queria ter que beijá-lo, mas quase fiz isso, por pouco. Não conseguia entender como aquilo tinha acontecido, não iria negar que o toque dele era bom... Parecia ter alguma coisa... Alguma coisa que... Realmente, era encantador e fascinante.

Novamente estava com aquela impressão de estar sendo observada, olhei para frente — particularmente para a casa do vizinho — só que como sempre, a casa á frente estava sem movimento algum. Quando entrei em casa vi minha mãe com a cara fechada de braços cruzados e batendo o pé no chão repetidas vezes parecendo estar impaciente e preocupada

— Mhylla Valentine. Onde é que você estava? Eu te procurei o bairro todo.

— Eu estava... Com umas amigas?!

— Achei que tinha dito que ninguém lá gostava de você.

— É... Eu exagerei. Conheci umas garotas e... Saímos para comer alguma coisa. — Menti

Acabei mentindo, precisava fazer isso, se dissesse para minha mãe que fui comer um lanche com um cara que eu nem conhecia ela iria surtar, o pior de tudo era que eu nem queria ter feito aquilo, mas fiz.

— Eu quero nomes. — Disse ela com uma expressão que demonstrava desconfiança.

— Nomes? — perguntei me fazendo de boba

— É. Das garotas. E depois quero o número de telefone para confirmar.

— Mãe? Eu não tenho mais dez anos. Acha que estou mentindo pra você? — Perguntei fingindo de ofendida

Nunca fui de mentir pra minha mãe porque não tinha nada que precisava esconder, mas a questão era que, eu não poderia contar sobre aquele ocorrido. Nem mesmo eu sabia explicar como tinha feito aquilo ou por que.

— Não custa nada.

Dei de ombros por causa da insistência dela, decidi então falar o nome das meninas que havia conhecido na escola.

— Certo — Falei — É Maya e Alycia. E não tenho o número delas porque as conheci ontem. Está contente agora?

— Sim. — Respondeu ela, mas dava para ver que ainda parecia desconfiava.

— Cadê o papai? — perguntei, mais para mudar de assunto do que por curiosidade, poderia apostar que estava trabalhando como sempre.

—Trabalhando, o que você acha?

— Ah. — Disse — Tinha esquecido.

Era a mentira mais besta que eu consegui contar, mas ela pareceu nem se importar com esse fato e saiu indo até a cozinha. Fui para meu quarto e peguei o meu diário. Precisava registrar os ocorridos daquele dia.

Querido Diário,

Hoje o meu dia foi completamente estranho, primeiramente essas pessoas daqui me olham como se eu fosse uma pessoa ruim, eu não sou. E depois as garotas com aquele papo de que "Quem entra em Nuvia, nunca sai de Nuvia", como assim? Se eu quisesse ir embora dessa cidade seria fácil, não seria? Qual o segredo dessa cidade?

Que eu saiba nesta rua o único vizinho é esse da frente, outro estranho. Ele é muito rude, ainda não sei o nome dele, mas reparei que ele sempre anda com a mão no bolso, e com capuz. Não que tenha algum problema nisso, afinal o tempo aqui só é fechado, mas que o jeito dele é estranho é.

Outra coisa que está me deixando louca é essa tal de Melissa, quem é ela? E por que esse nome me persegue? O estranho foi que achei o diário com esse nome, só que não abre, precisa de uma chave.

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