De todas as vezes que a tocou e teve que se certificar de não machucá-la, essa era sem duvidas a mais difícil de todas. Já estava acostumado a tocá-la, tanto que podia ficar perto dela sem luvas e se sentir confortável, e também, não se sentia mais com tanto medo quanto antes, mas agora era diferente. Não que ele estivesse com medo; na verdade estava um pouco nervoso, sentia-se um pouco ansioso. Essa seria a primeira vez que ele a tocaria de forma diferente; que eles se completariam; se tornaria um só.

Ela era muito especial para ele, em todos os sentidos: ele gostava do sorriso dela, a forma muito fácil que ela ficava envergonhada, o quanto, quando ela ficava por perto e substitua o vazio e o silêncio de sua casa, apagava a dor que sentia pelo vazio dos pais; da amizade dela com o Alam — ainda se lembrava da primeira vez em que os viu juntos, pela janela de sua casa, chegou até a pensar que possivelmente o Alam poderia vir a ter interesse amoroso nela, mas isso antes de saber da amizade dos dois, saber como um completava o outro, como ambos se ajudavam e se apoiavam e o quanto um daria a própria vida pelo outro. Se não fosse pelo sangue que era diferente, eles sem duvida nenhuma seriam irmãos —, e a cima de tudo, ele gostava de como ela o apoiava, mesmo quando ele parecia não acreditar em si mesmo.

Só tinha uma coisa que ele odiava e não conseguia se decidir se era o certo ou não; o quanto ela era próxima do Alexander. Para ele, Alexander sempre representou uma ameaça, é e sempre seria. Estava até na maldição que ele criou. A reencarnação da Melissa era para ser e ficar com o Alexander e não com ele, mesmo tudo isso parecendo uma bobagem, em parte ele acreditava, não que ela — Mhylla — fosse encarnação da outra, mas a maior parte da história.

Ele sempre teve insegurança, sempre e sempre pensou que, talvez uma dia, quando ele acordasse ela não estaria mais ali, que quando piscasse ela seria tirada dele e estaria com o Alexander. Isso era um fato na mente dele, eles estavam próximos, e o Alexander sempre usava dos seus truques sujos para se aproximar dela, usando o seu poder de sedução para induzi-la a beija-lo; e isso o destruía. Isso o destruía silenciosamente por dentro; se não fosse uma pessoa muito — extremamente — racional, ele já teria perdido a compostura e paciência e teria o socado no exato momento em que o visse perto dela fazendo isso; mas não o fazia.

Não podia.

Ele não era como o Alexander que tinha décadas de treino e habilidade, ele havia aprendido há pouco tempo a se controlar e se começasse a perder o controle de si, poderia se tornar um monstro que nem ele reconheceria. E ele não queria ser assim, queria ser uma pessoa boa, tanto pra ela, quanto para as pessoas a sua volta.

Ele afastou os pensamentos de sua mente; ela estava ali, na frente dele e ele tentando se perder pensando sobre o Alexander e ela, isso não tinha nada a ver com aquela situação, muito menos a maldição.

Bom... Não posso bancar a mocinha em perigo esperando um príncipe encantado.— Ela falou, em tom de brincadeira. —Quero ficar com você.

Ele passou o polegar nos lábios dela, mantendo contato visual.

E eu com você. — Ele respondeu, finalmente beijando-a.

Ela retribui o beijo dele, também estava tensa e um pouco nervosa, ele não sabia se era por causa da preocupação dela com o Alam — por causa do sumiço dele — ou se simplesmente era por causa do momento, mas em questão de segundos ela pareceu relaxar. Ele passou a mão pela cintura dela, puxando-a para mais perto, ela respirou fundo e ele conseguiu escutar o coração dela acelerar por um tempo até se perder concentrando-se nela. Ela envolveu-se mais ainda no beijo, passando a mão pela nuca dele, tocando-lhe o cabelo, em retribuição ele desceu a mão pelas costas dela por debaixo da blusa, tocando a pele nua, acariciando cada parte e sentindo cada mínimo centímetro. Ela estava com a respiração ofegante, assim como ele. Retribuindo o toque, ela tocou nas costas dele, puxando a camiseta e jogando para o lado e ele fez o mesmo com a blusa dela e sentaram-se na cama sem parar o beijo.

— Você está pronta? Tem certeza que quer isso? — ele sussurrou no ouvido dela.

Ela manteve o olhar no dele e fez que sim com a cabeça, assentindo para que ele continuasse e isso foi tudo o que ele precisava para continuar; a permissão dela.

— Neythan, essa é...

— Eu sei. — ele respondeu e ela sorriu nervosamente. — Também é pra mim.

A partir daquele momento, o beijo passou a ser mais intenso, ele não estava com medo de tocá-la, pelo contrário, ele a segurava com firmeza e sem hesitação. A respiração de ambos estava ofegante, e a adrenalina já percorria todo o corpo, ele estava quente e isso sempre acontecia quando havia excesso de adrenalina no seu corpo, mas agora ele sabia; não iria machuca-la.

Ele desceu a mão pela barriga dela, acariciando-a até chegar na cintura e então desabotoou a calça dela puxando-a delicadamente e voltou a beijá-la intensamente. Ela não sabia, e tinha vergonha que ele a olhasse, mas seu corpo era lindo, ela era linda. As curvas, a pele dela, a maciez, tudo.

Depois, tudo finalmente aconteceu.

Quando amanheceu, ele já estava acordado e vestido — com exceção da camiseta que ainda não tinha colocado — estava sentado ao lado dela na cama observando-a. Parecia ser um sonho, ele não acreditava que ela estava ali e que eles tinham passado a noite juntos, não acreditava que eles tinham dormido juntos e ele não a tinha machucado, parecia perfeito demais, quase um sonho.

Ela estava deitada de bruços abraçando o travesseiro e estava dormindo, o lençol estava cobrindo algumas partes do corpo dela, deixando à mostra a pele nua; da coxa para baixo e metade das costas; ela era sexy até dormindo, ele pensou e sorriu. Aproximou-se dela, tocando a pele nua dela, da nuca e foi descendo em linha reta na coluna puxando cuidadosamente o lençol no processo até chegar na cintura dela. A pele dela era macia e não havia nenhum hematoma nas costas dela, que era o que ele estava verificando.

Uma vez quando tinha beijado-a, ele a machucou sem perceber, por mais que ela não tivesse contado a ele diretamente, ele descobriu. Havia uma marcada na cintura dela da outra vez, dessa, não havia nada. Ele sorriu puxando o lençol de volta ao lugar e cobrindo o corpo dela. Passou a mão delicadamente pelo cabelo dela e percebeu que ela estava acordando, então continuou.

Desculpa se te acordei, gosto de ver você dormindo.

Ela mexeu ainda sem se levantar

Não me acordou.

Abriu os olhos e virou-se, ele estava mantendo o olhar no dela enquanto ela o analisava e corava quando perceber que ele estava sem camisa, então ele a tocou mais uma vez, no braço.

Por que está me observando? — ela perguntou, ruborizada e em seguida passou a mão no cabelo ajeitando-o.

Quero ter certeza de uma coisa. — Ele respondeu

Queria ter certeza que aquilo não era um sonho, que ela não iria desaparecer quando ele a tocasse de novo, e que realmente ela estava ali na frente dele.

— De me deixar sem graça? — ela perguntou e ele sorriu.

Ele colocou a mão na dela enlaçando-as, enquanto ela observava. Gostava disso, poderia ficar assim com ela todas as manhãs e nunca se enjoar disso. Porque, de todas as formas e apesar de tudo, ele realmente a amava.


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