Peguei meu celular meio tremula e disquei o número do Alam varias vezes, mas nem chamava, nem se quer caia na caixa de mensagens, eu estava custando conter as lagrimas que já tinham se formado, não estava querendo pensar o pior. Ele não poderia ter saído da cidade, não mesmo, ele não faria isso sem me avisar antes. Podia ter ficado longe dele por algum tempo, mas isso era um fato que não mudaria.

Pensei em ir até lá, mas como? Não fazia ideia de qual lugar ele tinha ido.

— Mãe? É... O Alam falou alguma coisa? Ele... Ele nem se despediu.

— Que foi? Parece um pouco nervosa.

Parecia? Eu estava nervosa, eu estava apavorada.

— E-Eu preciso falar com o Alam, tem que dar tempo. — Ao mesmo tempo que tentava não surtar e não chorar, tentava parecer o quão preocupada estava, minha mãe não entenderia se eu tentasse explicar, na verdade, tinha certeza que ela me internaria no manicômio se tentasse contar sobre a maldição.

— Tempo de que Mhylla? O que está acontecendo? O Alam vai ficar bem, ou você achou que ele viria para ficar a vida inteira aqui? Ele tem uma carreira.

Dei de ombros, eu sabia disso, pelo menos a parte da carreira.

— Eu sei disso. Não posso explicar agora, ele já foi para o aeroporto?

— Se está pensando em ir até lá, pode mudar de ideia. O Alam vai você querendo ou não. Desde quando ficou tão apegada as pessoas?

Ela me olhava com uma expressão de confusão, como se eu fosse uma louca que não quisesse que o Alam saísse. Ele não era minha propriedade, mas eu não queria mesmo que ele fosse embora da cidade e tinha um bom motivo para isso.

— Mãe, agora não. Não quero brigar com você, ele é meu melhor amigo e tenho direito de me preocupar.

— Se preocupar com o que?

— Agora não posso falar, vou até lá. — Disse indo até as escadas

— Mhylla? Eu disse que não.

— Desculpa... Tenho que ir. Se quiser me deixar de castigo para o resto da vida ou sei lá mais o que, faça, só que agora preciso ver o Alam.

Subi as escadas rapidamente indo até o meu quarto e jogando a mochila sobre a cama, peguei algum dinheiro e chamei o taxi. Se eu fosse rápida, poderia até dar tempo de encontrá-lo. Depois disso pensaria em algo para dizer a ele e convencê-lo de não deixar a cidade.

— Escuta aqui, — Disse minha mãe quando passei pela sala — Eu acho que ele passou na casa de uma pessoa antes. Não sei quem, e olha... Vê se o deixa ir. É uma grande oportunidade para ele.

Eu balancei a cabeça positivamente

— Eu sei.

Esperei impaciente, o taxi chegar e fui para o Aeroporto. Independente se o Alam estivesse em outro lugar, ele iria passar por ali, era o único Aeroporto da cidade, a única entrada e saída dali. Se ele ainda não tivesse ido, uma hora ou outra ele apareceria por ali.

O Aeroporto não estava movimentado, bem ao contrário disso. Como aquela cidade na maioria das vezes era conhecida como a cidade que tinha uma maldição, o Aeroporto estava pouco movimentado por causa disso, e os poucos que estavam ali apostava que eram pessoas chegando e que não sabiam nada sobre a cidade.

Quando cheguei ali também não imaginava isso, nunca pensei que essa cidade poderia esconder algo desse nível por detrás de tudo, parecia ser só mais uma cidade abandonada, quase uma cidade fantasma, se não fosse pelos habitantes que tinham medo de sair dali. E com razão é claro.

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