Subi para o quarto e tomei um banho demorado, depois comecei a arrumar minhas coisas e acabei que me sentando na cama desanimada. Ir para o hotel significava ficar sem ver Neythan, o que eu não queria, eu até poderia ir até a casa dele tentar pedir desculpas, mas duvidava que ele fosse me escutar se realmente estivesse com raiva de mim. Queria que o Alexander desaparecesse e deixasse a gente em paz, claro que parte disso também era culpa minha, se eu tivesse força o suficiente poderia ter recusado o beijo dele, mas não tinha conseguido resistir. Só de ficar perto dele eu nem conseguia pensar direito, mas tinha que a todo custo provar para o Neythan que eu poderia controlar o que eu sentia. Se o Neythan se controlava quando estava perto de mim para não me machucar e também conseguia controlar o que ele sentia, eu poderia fazer isso quando estivesse perto do Alexander, ele não iria ficar tendo esse poder estranho sobre mim. Não mesmo!

Percebi que novamente estava chorando, então me levantei enxugando as lagrimas e terminei de arrumar minhas coisas, depois desci para a sala, onde meus pais já me esperavam.

— Você demorou. — Disse minha mãe abrindo a porta da sala, sai ficando do lado de fora.

— Desculpa.

— Você estava chorando? — perguntou ela, observando-me.

— Não! Impressão sua.

Eu virei o rosto disfarçando, sorte que ela não se lembrava daquele beijo que o Alexander tinha me dado na frente dela. E foi só falar em Alexander que vi o carro dele parado na frente de casa.

— O que ele está fazendo aqui? — perguntei irritada

Ele parecia adivinhar uma boa hora para aparecer, isso não era possível... Não mesmo.

— Eu também não sei — Disse minha mãe enquanto meu pai levava as coisas para o carro

— Boa tarde! — Disse ele, cumprimentando a minha mãe.

Ele olhou pra mim sorrindo e eu afastei um passo para trás na intenção de deixar bem claro que eu não estava querendo conversa.

— Que isso Mhylla? Não vai dizer nada? — Falou minha mãe

— Não! — Respondi secamente

— Se quiserem podem ficar na minha casa até que a reforma da casa de vocês esteja pronta. — Ele falou

Neguei com cabeça.

— Não! — Respondi, antes que minha mãe falasse algo.

— Ah! Não liga, ela acordou com o pé esquerdo hoje. Está de mau humor.

— Pior que isso. — Falei

Ele manteve o olhar no meu como se estivesse hipnotizado, ele sabia que eu tinha notado, mas estava na cara que ele não era o tipo de pessoa que se constrangia com coisas assim.

— Aceita uma carona? — perguntou ele

— Não! Vou com meus pais.

—Mhylla? Cadê a educação? — disse minha mãe me encarando

— Deixei no quarto. — Disse eu, indo até o carro dela e esperando.

Eu sabia que tinha sido rígida demais com ele só que... Preferia assim, talvez ele entendesse que aquele beijo não significou nada pra mim, e que eu quisesse manter distância dele, na verdade, Achei esse pensamento meio bobo. Era claro que ele não iria achar isso e claro que ele não manteria distância de mim só por que eu queria.

Vi minha mãe conversando alguma coisa com ele e depois ele veio para o carro, ela me encarou, talvez tentando entender o porquê de eu ter agido daquele jeito, mas eu apenas dei um meio sorriso e ela começou a dirigir. Meu pai tinha ido no carro dele na frente.

Chegando ao hotel fiquei esperando meu pai e minha mãe que conversavam na recepção, eu tinha dito que queria um quarto só pra mim, porque queria ficar sozinha, eles não discutiram apenas aceitaram minha decisão, até porque era exatamente esse o plano deles.

— Aqui a chave. — Falou minha mãe, entregando-me a chave do quarto.

— Obrigada. — Falei, virando-me sentido ao quarto.

Ela me parou antes que eu continuasse.

— Espera! Você tem que pegar suas malas.

— Eu sei mãe.

Peguei minhas coisas e fui para o quarto, o hotel ali até que era bem organizado, no quarto onde fiquei, tinha uma decoração em vermelho nas cortinas da enorme janela que tinha uma sacada que dava para ver toda a rua lá em baixo. A cama era de casal e estava com lençóis brancos e logo lá na frente tinha uma porta, fui até lá e vi que era o banheiro, tinha um Box com o chuveiro e também uma banheira.

Arrumei minhas coisas no quarto e depois minha mãe apareceu com o meu pai para explicar-me que, já que eu acabaria ficando sozinha ali nos dias de semana, pois eles trabalhavam, eu teria que tomar cuidado com o horário da escola e etc.

Eu fiquei no quarto, sentada na cama escrevendo no meu diário e acabei dormindo.

Na escola, como sempre tive que aturar Ambre que ficava me fuzilando com os olhos. Não sabia o porquê, mas ela parecia estar com muita raiva, só duvidava que fosse por causa da aposta que ela tinha perdido, mas o assunto parecia ser algo pior, era um olhar meio... Assassino, eu fiz como sempre a ignorando e depois da aula fui direito para o hotel.

Eu não estava aguentando mais, eu queria falar com ele, nem que fosse um minuto. Só que sabia que não aguentaria se ele me rejeitasse, esse era o meu medo, eu até poderia ir falar com ele, mas se isso acontecesse, eu não saberia mais o que fazer. Eu odiava essa indecisão.

Eu iria até lá. Tinha que ir.

Fui para o banheiro e tomei um banho, enrolei-me na toalha para ir procurar alguma coisa descente para vestir, mas devia ser o nervosismo porque não conseguia escolher nenhuma, naquele momento nenhuma delas me agradava. Eu queria vestir algo... Bonito.

Vi que estava faltando uma mala que deveria estar com os meus vestidos, e como não iria sair enrolada na toalha peguei o telefone ligando para a minha mãe trazer, já que deveria estar com ela. Voltei para o banheiro e arrumei o cabelo enquanto esperava ela chegar. Escutei um barulho na porta e fui ver já que deveria ser ela.

— Eu me esqueci de... — comecei a dizer enquanto acabei parando surpresa

Eu não acreditava que ele estava ali.

— Se eu soubesse que você estaria me esperando só de toalha teria vindo antes. — Ele disse e eu acabei corando.

— Po-Por que você veio? Quer dizer... Achei que... Estivesse com raiva de mim.

Eu ainda precisava acreditar que o Neythan estava ali, apesar de ele parecer um pouco tenso, preocupado com alguma coisa... A minha mão estava tremendo e meu coração estava acelerado e nem sabia o que dizer.

— V-você está tenso. O... O que aconteceu? — perguntei chegando perto dele, estava tão nervosa com o aparecimento repentino dele que minha voz falhava e eu não conseguia formular uma frase sem gaguejar. — Parece um pouco tenso...

Ele desviou o olhar do meu.

Sabia que tinha alguma coisa errada e obviamente não tinha nenhuma relação com aquele beijo, pelo menos assim eu pensava.


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