E mais uma vez tinha sido idiota, eu deveria ter resistido e não ter Retribuído, mas não consegui. Não porque eu sentia alguma coisa pelo Alexander, mas porque realmente não tinha conseguido. O que eu iria dizer ao Neythan? Ele estava confiando em mim e eu fazendo burrada uma atrás da outra.

— Você disse que...

— Eu disse! Mas se você não quisesse teria recuado, ou me dado um tapa ou alguma coisa do tipo.

O pior é que ele tinha razão. Desci do carro ao mesmo tempo em que a porta de casa foi aberta, era o Neythan e o Alam. O Alam estava com um celular na mão.

— Aonde você se meteu? Faz ideia de quantas vezes já liguei para você hoje? Está querendo em me matar de susto? — Disse o Alam, ele estava sério.

— Desculpe. É que...

—Teve um imprevisto. Um acidente na estrada. — Explicou o Alexander descendo do carro também.

— Isso não explica nada. Era para você estar aqui ao meio dia. Já é mais de oito horas da noite. — Disse o Alam vindo até onde eu estava — Perai... Você não estava com uma faixa no braço?

— Eu posso explicar isso.

— Ligamos para você, por que não atendeu? — Ele falou e o Neythan me olhou, sem dizer nada.

Ele estava sério e imóvel.

— Ah... É que o celular estava no silencioso. Eu estava na biblioteca.

— Todo esse tempo?

— Eu... me distrai, é que aconteceu uma coisa.

— Tenho que ir agora. Foi um prazer essa nossa conversa. —Ele disse entrando no carro

Entrei em casa e me sentei na banqueta da cozinha. O Alam ficou me encarando.

— Posso explicar. — Eu disse olhando para Neythan — A diretora passou um trabalho que era para ser feito em dupla e cai com o Mark Muller, o que foi algo totalmente ruim, pois ele não é tipo que se preocupa com trabalhos escolares. A diretora disse que teria que entregar quarta então fui para a biblioteca fazer a minha parte e fiquei esperando ele que não foi. Só apareceu quando eu estava vindo embora, então distrai lendo na biblioteca.

— Isso não explica o fato de que estava com o Alexander. — Disse o Alam

— Isso... É que a Ambre apareceu. Ela tentou me atacar com uma gárgula de novo. Mas não deu certo, eu tinha machucado o braço mais ainda, então o Alexander apareceu e fez alguma coisa que acabou curando. Depois ele me ofereceu uma carona e como tinha lembrado o que o Neythan me disse, acabei aceitando, pois não queria arriscar. O Táxi acabou explodindo depois que bateu em uma árvore.

— Explodindo? — perguntou o Alam

— É.

— O importante é que você está bem. — Disse o Neythan.

— Os olhos dela estavam... Vermelhos, e depois ela não se lembrou do que fez.

Não tinha problema falar daquilo na frente do Alam, ele já sabia sobre essas coisas.

— Que bom que você chegou. Os seus pais disseram que voltam talvez amanhã à noite. Aconteceram algumas coisas lá e eles não conseguiram vir hoje.

— Desculpa preocupar você. — Eu disse e o Alam sorriu

— Eu sabia que você ficaria bem. Apesar de ser um incrível imã para perigos você sempre acaba bem... Não literalmente bem, mas bem. Agora eu vou subir, preciso fazer umas ligações.

Fiquei sozinha com o Neythan, obviamente eu tinha que contar o que tinha acontecido, mas não sabia como fazer isso. Um calafrio percorreu a minha espinha, ele estava sério demais e mantinha o olhar no meu, era meio intimidador.

— Como sabia que eu iria precisar de proteção hoje? A pulseira praticamente parou a gárgula.

— Às vezes consigo saber, isso não funciona sempre. — Ele aproximou-se um pouco de mim — Que tal dormir na minha casa hoje?

— Meus pais...

— Não acho que iram se preocupar com isso.

— Tenho trabalho para fazer, fora o da diretora.

— Posso ajudar você.

Ele arqueou a sobrancelha e alguma coisa começou a me incomodar, estava sentindo uma pontada, uma dor no coração.

— É... — comecei — E-Eu tenho que te contar uma coisa. Primeiramente quero que saiba que nunca tive intenção de magoar você...

Ele chegou perto de mim tocando o meu rosto, e depois passou o polegar direito nos meus lábios e em seguida me beijou. Ele encostou o rosto no meu e sussurrou:

— Eu já sei.

Como assim ele já sabia? Será que ele estava falando da mesma coisa que eu? Ah... Era claro que ele sabia, se ela sabia que iria acontecer uma coisa com o táxi antes mesmo de acontecer era obvio que ele iria saber daquele acontecimento.

— Desculpa. Eu não sei por que fiz isso, eu sei que a culpa é só minha e que deveria ter resistido.

— Não tem que se desculpar. Nem todo mundo consegue controlar o que sente.

Eu não sabia se ele estava sendo sarcástico ou não.

— E-Então é... S-Só isso? Não vai dizer mais nada?

— Queria que eu dissesse alguma coisa?

— É... Queria. — Eu disse incrédula

Ele encostou o rosto no meu segurando-o entre as mãos e sussurrou:

— Eu poderia ter me descontrolado no exato momento em que escutei, poderia ter isso lá fora e socado a cara dele, mas sabe por que não o fiz? Porque se perdesse o controle não sei se conseguiria voltar ao normal e isso me impediria de ficar perto de você, além de que, brigar com ele não resolveria nada. Obviamente eu fiquei com ciúmes. Doeu? Doeu! Mas não há nada que possa ser feito.

— Sinto muito. — Foi tudo o que consegui dizer.

Ele afastou-se tirando a mão do meu rosto.

— Então, aceita a proposta?

— Vai ser ótimo.

Subi para pegar algumas coisas, ainda não conseguia entender como aquela tinha sido a única reação dele, ele não disse nada que me fizesse sentir que não merecia o amor dele, ele não era tão aberto quanto se tratava de sentimentos. Era obvio que se eu estivesse no lugar dele teria morrido de ciúmes. Mas tudo o que ele fez foi dizer aquilo e agir como se nada tivesse acontecido. Eu teria me sentido melhor se ele tivesse gritado comigo ou alguma coisa assim, mas ele agindo daquela forma só me fazia sentir uma pessoa pior.




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