Acordei um pouco cansada para ir para a escola, apesar de ter dormido a noite toda, no caso madrugada toda e ainda por cima levei horas me arrumando porque o braço engessado não ajudava muito.

Peguei minha mochila carteiro e desci as escadas devagar, não que o machucado no meu braço afetasse alguma coisa nas minhas pernas, mas eu estava sonolenta, tinha vontade de dormir a manhã toda por causa de todo aquele tempo que passei acordada. Quando cheguei ao andar de baixo, meus pais estavam parados na sala, o que foi uma surpresa porque já era para o meu pai estar no trabalho.

— Não está pronta? — Perguntou minha mãe

— Pronta? — perguntei olhando para eles

Mantive o olhar neles enquanto arqueava uma sobrancelha, estava confusa.

— Dissemos para arrumar suas coisas — Disse meu pai, seu tom ainda era calmo.

— Não explicaram por que.

— E precisa de um motivo? Você já deu muitos motivos não acha? — Minha mãe falou, como se estivesse se controlando para não perder a calma.

— Não estou entendo. Preciso ir para a escola.

— Não precisa. Já pegamos sua transferência. — Meu pai falou, seu olhar era firme.

— Transferência? — perguntei — Como assim? Pra onde?

— Um colégio interno.

Dei de ombros, chocada.

— Não podem fazer isso. — Falei na defensiva, ainda chocada.

— Podemos sim.

Tá que minha situação estava um pouco complicada ultimamente, mas eles não podiam fazer aquilo, não poderia mais perder as provas da escola e também todo mundo que eu conhecia agora estava ali. Eu não poderia ir para um colégio interno, muito menos sair da cidade.

— Já estamos quase no final do ano. E as provas da escola?

— Já resolvemos isso lá. — Disse meu pai pegando o celular e ligando para alguém.

— Eu não quero ir para um colégio interno. — Protestei

— Pensasse nisso antes.

— Sem querer intrometer na conversa, mas já fazendo isso. Eu acho que a Mhylla merece uma chance. Ela é adolescente, quase todo mundo nesta idade dá uma desandada. — Disse o Alam.

— E você já fez isso alguma vez? — perguntou minha mãe

— Atualmente não.

— Mesmo assim, ela vai ter que ir. É para o próprio bem.

— Acha que vai me fazer bem me tirando daqui? Um colégio Interno não vai ajudar em nada. — Disse e meu pai desligou o celular

— É um colégio interno feminino — Explicou meu pai — Tenho certeza que vai se adaptar lá bem melhor do que aqui.

— Espero que vocês saibam que os colégios internos de hoje em dia não são mais como antigamente que era para adolescentes rebeldes.

— Não para o que você vai. Eles seguem uma conduta extremamente adequada aos seus atos.

— Vão me mandar para um lugar que nem conhecem pessoalmente só por que dormi fora de casa?

— E por outros motivos. Agora vá arrumar suas coisas.

— Tá bom se acha melhor assim.

Eu subi para o meu quarto, nunca poderia pensar que eles poderiam fazer isso, mas fizeram. E também realmente não queria ir, pois ficaria longe das pessoas que eu amava como por exemplo, o Neythan, o Alam e até mesmo eles. E também o que iria acontecer se eu saísse da cidade? Não dava para falar com o Neythan, ele devia estar ocupado ou até mesmo não estar em casa. Coloquei o colar que ele havia me dado uma vez e arrumei minhas coisas.

Quando desci eles estavam lá em baixo e tinha um carro na porta.

— Mas a Mhylla não pode sair da cidade. — Disse o Alam

— E por que não? — perguntou minha mãe

— Por que...

— Não vai adiantar, Alam. Você sabe que quando ela coloca uma coisa na cabeça não tira jamais. — Falei, chateada.

— Bom. O voo está quase saindo, é melhor vocês se despedirem.

— Eu queria ir até o aeroporto só que tenho uma coisa muito importante para fazer. — O Alam falou mantendo o olhar no meu

—Melhor do que me ver indo embora de novo? — Falei e ele sorriu

— Acredite, depois você vai me agradecer. — Disse ele me abraçando — Me passa seu celular — sussurrou ele dessa vez, no meu ouvido.

— Por quê? Vou precisar.

— Vou ajudar você.

— O que vai fazer?

— Depois eu te explico. — Disse ele e eu peguei o celular passando para ele sem que minha mãe percebesse.

— Desculpa por fazer isso de novo. Pelo menos agora sabe o motivo. — Falei, me referindo sobre ir para longe dele.

Depois da nossa conversa, sai e entrei no carro, tentei não pensar em nada porque se pensasse isso não me faria bem.


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