A semana de prova foi passando e na próxima semana já começaram a organizar as coisas na escola para o baile. Mary me chamou para ir comprar um vestido com ela, já que não tinha nada para fazer em casa eu decidi ir.

Ficamos mais de duas horas tentando escolher alguma coisa, eu nem me preocupei muito com isso, pois não sabia se iria ao baile, apesar de que, por um lado até que seria bom já que seria meu último ano em uma escola e o próximo passo seria a faculdade.

— Eu quero alguma coisa bonita, mas que ao mesmo tempo seja sensual! — disse Mary

— Você já é bonita. Qualquer coisa que escolher vai ficar bem em você.

— Entãooo... Você ainda não decidiu se vai né? O que ele está fazendo hoje?

— Com toda certeza ocupado com as coisas dele.

— Toma esse vestido. Ele é lindo. — Disse Mary

Era um vestido vermelho de alça e de seda, ele batia até acima do joelho e realmente era muito bonito, assim que Mary me viu com ele, ela bateu palmas como se tivesse acertado. Ela tirou uma tiara dupla preta do cabelo dela e colocou no meu.

— Está vendo? Falta só o par.

Dei de ombros, olhando-me no espelho dali.

— É. Realmente é muito bonito.

Ela sorriu voltando a olhar os vestidos, estava prestes a ir para o provador tirá-lo quando meu celular tocou, vi que era uma mensagem:

Preciso conversar com você urgente, é uma coisa que descobri. Estou te esperando perto da floresta. Venha sozinha.

- Neythan

Achei estranho, se o Neythan tivesse alguma coisa para me contar com toda certeza ele iria ligar, mas por outro lado não era tão suspeito já que tinha sido enviado pelo celular dele, e também ele estava procurando informações da pessoa que tinha me mandado aquele SMS. Decidi ir. Paguei pelo vestido e disse a Mary que precisava ir, ela concordou e disse que depois falava comigo.

Chamei um táxi e fui para lá e metade do caminho decidi ir andando. O caminho parecia mais sombrio, a floresta era muito fechada e eu não gostava daquela parte dali, o único ponto bom é que ficava um pouco perto do Jardim, e aquele lugar realmente era muito lindo, talvez o Neythan quisesse me levar pra lá, já que ninguém sabia onde ficava e poderíamos conversar a sós.

Aproximei-me da floresta olhando em volta e procurando pelo Neythan, ele pediu que eu fosse para ali urgentemente, mas ele ainda não havia chegado, será que tinha se atrasado ou alguma coisa muito importante havia acontecido? Um calafrio percorreu a minha espinha.

Ouvi passos vindos da floresta ao mesmo tempo em que o meu celular tocou, tirei do bolso e vi que era de um número desconhecido, não sabia se devia atender, mas estava ficando com medo, alguma coisa parecia errada.

— Neythan? — chamei para ver se alguém respondia, não houve resposta.

O celular começou a tocar de novo e eu atendi.

— Oi.

— Mhylla? Onde você está?

— Neythan? Você? Onde você está? — perguntei, enfatizando o "você" — E por que ligou de outro número?

— É. Eu perdi meu celular. Estou na sua casa, cadê você?

— Está na minha casa? Como assim? Eu recebi uma mensagem sua dizendo que você estava me esperando perto da...

Não consegui terminar, pois alguma coisa esbarrou em mim e deixei o celular cair, ele se perdeu em algumas folhas que estavam caídas pelo chão.

— Oh, parece que descobriu nossa farsa. — Disse alguém

Olhei para frente a tempo de ver Mark Muller, encostando-se em uma árvore. Havia uma pessoa ao meu lado, era aquela garota que tinha deixado às coisas caírem na festa, ela estava com outro menino que não parecia ter mais de dezesseis anos.

— O... O que está fazendo aqui?

— Vamos pular essa parte. Quero terminar a minha parte do acordo logo e sair daqui antes que aquele Alexander apareça e estrague tudo.

— Do que você está falando? — perguntei confusa e ele começou a rir

Ele tirou alguma coisa do bolso, pegou um lenço e despejou um pouco do conteúdo no lenço, em seguida colocou no bolso de novo. Já sabia o que era...

— Não... Não vou deixar você fazer isso.

— Quem disse que você tem escolha? — perguntou ele, sorrindo de canto.

Estava prestes a sair correndo, mas antes de perceber a menina e o menino já estavam ao meu lado, segurando meus braços com força, eu me debati tentando me soltar e a empurrei, ela caiu batendo a cabeça em alguma coisa, mas no minuto seguinte já estava sentada me encarando e parecia furiosa, o menino parou para observá-la e aproveitei para correr.

— Não seja tão idiota. Você não tem pra onde fugir.

Vi que era a Ambre, ela estava com o cabelo amarrado e estava todo cacheado, ela usava uma calça preta e uma regata branca. Ela me puxou com força de volta para o lugar onde eu estava e me soltou, cai no chão. Meu celular estava por ali, se conseguisse encontrar talvez conseguisse ligar de volta para o Neythan... Isso. Ele tinha caído quando eu ainda estava conversando com ele, talvez ainda estivesse em chamada.

— Não pode encostar mais em mim.

— Rá, rá, rá. Isso é muito engraçado, sabia? Mas dessa vez sai na frente no jogo. Você não está com o seu colar ou muito menos com aquela sua pulseira, idiota. Nada pode me deter e muito menos seu namoradinho.

Tinha esquecido que tinha tirado aquela manhã.

— Vamos andar logo com isso — disse Mark Muller me puxando e antes que pudesse correr ou me debater, ele colocou aquele lenço no meu rosto.

Quando acordei, minha cabeça doía um pouco, não conseguia enxergar direito, pois estava escuro, o lugar onde eu estava, estava todo molhado, podia sentir na palma da mão. Tentei me mexer, mas havia alguma coisa no meu braço e no meu pé. Teve um clarão no lugar e percebi o que era: corrente. Eu estava em uma espécie de altar, havia uma coisa bem longe parecendo mais com um caixão, mas não conseguia ver o que era. Onde estava havia um circulo e varias gárgulas em roda, ainda na forma de estatua.


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