REF: CAPÍTULO 2: VIZINHO ESTRANHO

Já era noite quando ele foi tirado de seus pensamentos repentinamente, ele estava deitado na cama sem a mínima intenção de dormir, costumava fazer isso sempre; tentava ler um livro, assistir programas, séries e filmes que passavam na televisão, mas nada realmente o interessava cem por cento.

Ele levantou-se da cama cautelosamente e olhou pela janela, lá para baixo, sua vizinha estava parada na porta de casa, escrevendo alguma coisa em uma folha, em sua mão estava o mesmo caderno — no caso diário — que ela carregava mais cedo. Ela terminava de escrever algo na folha quando um vento soprou e caiu na casa dele, do lado de dentro da grade que cercava ali.

Ele a viu observar a casa, pensativa e caminhou até lá, seu olhar seguiu até a folha e ela estava pensando em alguma forma de pegá-la sem ter que abrir a grade e entrar. Ela apoiou-se cuidadosamente na grade, justamente na parte velha que estava quebrada, ele deduziu que ela poderia acabar se machucando, então desceu as escadas e foi até a porta.

Ele respirou fundo uma vez antes de abri-la, precisava ser cauteloso e breve, o mais breve possível, ele levantou o capuz tampando toda a sua face e abriu a porta cautelosamente, bem devagar e saiu.

Ele olhou para ela a ponto de vê-la puxar a barra do vestido que tinha prendido na grade e cair diretamente no chão, o diário dela tinha caído ali dentro e ele observou que o vestido dela tinha rasgado. Ela levantou-se, meio sem jeito do chão olhando para ele, ou pelo menos tentando já que ele fez o possível para ela não conseguir vê-lo.

— D-desculpe. E-eu não estava bisbilhotando. Só... Pegando a folha do meu... — Ela parou de falar como se estivesse pensando algo — Caderno.

Ele sorriu por dentro, ele sabia que era um diário e sabia que ela disse aquilo com medo que ele lesse, mas realmente, ele não tinha intenção de fazê-lo. Ele lembrou a si mesmo que precisava ser breve, não poderia se socializar, haveria consequências, grandes consequências.

Ele mexeu o ombro sem dizer nada e manteve o olhar no dela, a alça do vestido dela estava caída de lado e ele conseguia ver perfeitamente seu ombro nu a mostra; a pele dela parecia ser macia, ele tinha vontade de tocá-la para saber como seria tocar uma pessoa humana, mas não faria isso, nunca poderia. Mas não foi só isso que chamou a atenção dele, ela tinha uma marca de nascença perto da clavícula. Isso o fez lembrar-se da maldição, a história daquela cidade, da Melissa e dele: Alexander.

Ela levantou a alça rapidamente tampando a marca, ele não se moveu e nem disse nada, ela parecia estar formulando alguma coisa mentalmente, e então disse:

— Meu nome é Mhylla. Mudei aqui pra frente hoje. — Disse ela estendendo a mão para pegar na dele.

Ele abaixou a cabeça olhando para a mão dela, novamente teve vontade de tocá-la, mas não o fez. Ele tinha vontade de saber como era tocar em alguém humano, como era a sensação. Não que ele nunca tivesse tido a oportunidade, na verdade, havia tido varias vezes quando as mulheres que frequentava o bar tentava flertar com ele e o chamava, ou coisas parecidas, mas ele nunca se interessou por elas. Nunca se interessou por ninguém. Sabia que apenas um toque seu poderia levar qualquer pessoa a morte. E ele nunca arriscaria a vida de alguém só para saber como seria essa sensação.

Ele desviou o olhar virando e indo até a porta, ela protestou chamando a atenção dele.

— Eiii! Não poderia ser mais educado? Você não fala?

Ele parou onde estava. Seja breve, lembrou-se novamente.

— Não devia estar na rua há essa hora. É perigoso. — Disse ele e escutou o coração dela acelerar.

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