Toquei a capa do diário, era bem estranho, ele tinha uma capa dura marrom desgastada e tinha uma textura de uma rosa na capa, só que tinha uma fechadura e obviamente estava fechado. Tive uma tremenda curiosidade para saber o que estava lá dentro já que parecia ser bem antigo, só que por outro lado não era educado ler o diário dos outros, eu não gostaria se alguém lesse o meu, ele parecia familiar e novamente tive aquela sensação de déjà vu, o joguei dentro do guarda-roupa e fui dormir.

Quando acordei fui direito para o banheiro tomar um banho e fazer a higiene matinal, depois desci para o café da manhã. Estava um delicioso cheiro de torrada e café, o que fez o meu estomago responder em resposta já que não tinha jantado a noite passada.

— Bom dia filha, dormiu bem? — perguntou minha mãe

— Sim. Um pouco! — Respondi, pegando um copo e colocando um pouco de café.

— Ótimo! Hoje vou com você até a escola para fazer sua matricula.

— Oh! — Eu disse colocando a mão no coração e fingindo surpresa — Esse fim de mundo tem escola?

— Não seja boba. Claro que tem. — Disse minha mãe suspirando

— Não precisa. Eu posso fazer a matricula, mas uma carona vai ser bom. — Disse, e me lembrei sobre o incidente no quarto — Ah! O chão do meu quarto quebrou, vai precisar ser arrumado.

— O que? — perguntou meu pai espantado

— É. Estava velho. Eu acabei me assustando com uma aranha e quando pulei, ele quebrou.

Meus pais começaram a rir com a minha explicação.

Eu era parecida com meus pais, mas tinha puxado mais para o lado da minha mãe, éramos um pouco parecidas, ela tinha o cabelo escuro na altura do ombro com leves cachos nas pontas, os olhos dela é cinza e ela também é magra como eu, tínhamos a mesma altura — quase — a diferença mais evidente entre a gente era que, minha mãe era muito vaidosa e eu não. Meu pai era mais alto que a minha mãe, tinha 1, 78, o cabelo dele era sempre bem arrumado, os olhos eram pretos, e ele sempre usava roupa formal do trabalho, assim como a minha mãe que estava sempre bem arrumada e parecia uma atriz de novela.

Minha mãe me levou até a escola de carro, não era tão longe, alguns minutos de carro e já chegava lá. Ela estacionou frente a uma enorme escola, não precisava nem dizer que era velha também, apesar de que, parecia ter sido reformada recentemente, dava para perceber pelas cores que ainda eram vibrantes. O pátio da escola era enorme, mas minha mãe preferiu não estacionar lá, porque talvez fosse permitido só para os alunos e ela não queria arriscar.

Alguns alunos estavam espalhados ali no pátio, alguns conversavam animadamente enquanto outros estavam sentados em algum banco lendo alguma coisa. Um frio percorreu minha coluna, mão sabia dizer se era ansiedade ou nervosismo.

Tomei coragem e finalmente sai do carro da minha mãe.

— Boa aula, filha.

— Talvez. Tchau mãe. — Disse, fechando a porta e caminhando para o pátio.

Enquanto caminhava para a recepção pude escutar os sussurros dos alunos, todos fecharam a cara quando me viram ou desviavam rápido, muitos diziam "Louca", "Por que se mudou pra cá?", " Não sabe onde está se metendo", entre varias outras coisas. Eu não entendi o porquê daquilo, por que eu era louca? Por me mudar pra ali? É, isso eu já sabia.

— Nossa! Uma novata. Uau. Não esperava isso. — Disse alguém

Virei para ver quem era e vi uma garota de cabelo preto curto, ela tinha quase a mesma altura que eu e sorriu quando percebeu que olhei.

— É? Por quê?

— Ah! Meu nome é Maya.

— Sou a Mhylla. Por que todo mundo está me olhando assim?

— Você não conhece a história da cidade, né? — perguntou ela rindo enquanto passava uma mão no cabelo.

— Não! — Respondi — Sabe onde fica a recepção? Preciso fazer minha matricula.

— Levo você. — Ela falou acompanhando-me — Tem louco pra tudo. Sinceramente, se eu pudesse não ficaria nesta cidade. — Continuou a garota enquanto caminhávamos

— Por que está dizendo isso?

— Longa história.

Eu queria perguntar o porquê de todo mundo estar me olhando como se eu fosse um E.T ou coisa parecida, eu sabia que quando se era nova em uma escola na maioria das vezes poderia acabar chamando a atenção por ser novata, mas duvidava muito que estivessem me encarando por esse motivo. Conclui que não iria querer saber a resposta.

Depois da minha matricula e meu puxado primeiro dia de aula naquela escola, eu estava começando a me achar uma tremenda esquisita, todo mundo me olhava de cara feia sussurrando coisas. E alguns pareciam querer me evitar como se eu tivesse uma doença.

Saindo dali, esperei pela minha mãe sentada no banco do pátio da escola, acabei ficando entediada pela demora e fui comprar um cappuccino ali perto, depois de mais alguns minutos a frustração crescia dentro de mim. Odiava ter que ficar esperando, onde é que ela estava?

— Que seja então. — Disse

Assim que levantei e caminhei, acabei esbarrando em alguém e derramando cappuccino tudo em mim.

Olhei para ver quem era e vi que era Ele. Ele sorriu, um sorriso incrivelmente perfeito.

Tinha o cabelo até a nuca, repicado e em um tom escuro, os olhos dele eram cinza, e ele era alto. Pude jurar que escutei na minha mente algo sussurrando como "Melissa minha amada" ou "Para sempre".

— Estou ficando louca. — Disse um pouco hipnotizada pelo olhar dele.

— Como? — perguntou ele com um sorrindo que parecia malicioso.

A voz era perfeitamente linda, delicada e cautelosa, ele tinha um estilo muito formal, como se viesse de outra época, a forma de falar, o jeito de andar e as roupas, um olhar hipnotizante e marcante. Parecia mesmo que vinha de outra época.

Ele não tinha nada a ver com o meu vizinho, essa voz era mais gentil e bem mais seduzente. Ele parecia pensar bastante antes de dizer alguma coisa.

Ele ficou me olhando como se estivesse deslumbrando alguma coisa, fiquei meio sem jeito e não sabia bem o que dizer a ele, aquele sorriso era encantador e até o jeito dele, eu não poderia dizer que era bem atração, mas quase isso.

— Não consigo acreditar. — Ele falou, mantendo o olhar fixo no meu.

— O-o que? — perguntei dando de ombros. Sobre o que ele estava falando?

— Oh! Nada. Nada de mais.

— Desculpe por ter esbarrado em você. — Falei — Meu nome é Mhylla.

— Prazer em finalmente conhecê-la. — Disse ele e continuou andando

— Espera! Finalmente? Como assim? — perguntei, mas ele já estava saindo — Eiii! — protestei — Você não me disse seu nome.

Ele virou-se lentamente e sorriu maliciosamente mais uma vez.

— Inconscientemente você já sabe.

Fiquei surpresa com aquilo, como assim inconscientemente eu já sabia? Era a primeira vez que eu o via... Não era? Eu tinha certeza que nunca tinha visto ele antes. Ele deve ter me confundido com alguém. Ou não? Fui interrompida dos meus pensamentos por um barulho de buzina, era minha mãe, tinha acabado de chegar com o carro dela.

— Desculpa a demora.

— Achei que não fosse vir. — Disse entrando no carro


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