Estava muito contente pelo que havia acontecido, estava feliz por ele ter acreditado em mim sem dúvidas. Lógico que eu sabia que ele tinha aquele toque que conseguia ver o que aconteceu com as pessoas, mas o importante era que ele não duvidou de mim e isso demonstrava que ele confiava em mim, assim como eu confiava nele. Mas isso não diminua a minha culpa por ter o feito sofrer por causa... do Alexander. E também descobri que ele cuidava de mim enquanto dormia e que foi ele que me levou para o meu quarto quando adormeci no sofá.

Também tinha a Ambre. Não fazia sentido ela ter me dado sonífero para ir parar na casa... Castelo do Alexander. Mesmo que fosse verdade a parte da obsessão dela ter acabado, mas com toda certeza ela não iria me jogar nos braços dele.

Alguma coisa estava errada e eu iria descobrir o que era.

Na segunda-feira na escola, fiquei esperando para ver se encontrava a Ambre, mas estava complicado; todo mundo estava animado por que o baile seria em algumas semanas, já tinham começado a fazer os preparativos, as meninas começaram a alugar os vestidos e os meninos a convidar as garotas; resumindo: a escola estava um caos.

— Mhylla, Mhylla — gritou Mary que estava do outro lado do pátio, ela correu e parou ao meu lado — Você viu? Que máximo, a diretora decidiu fazer o baile. Os preparativos estão ótimos. Eu tenho que arrumar um par, não quero ficar só. Você vai vir não é? Você tem que vir.

— E-Eu não sei. Você viu a Ambre? — Lembrei que ela não conhecia direito as meninas por nome assim — A loira metida.

— Ah, vi ela no ginásio. Estava jogando, ela disse que de lá iria correr um pouco, pois queria ficar mais magra para caber no vestido do baile. Sabe, eu acho ela uma vareta, isso não era necessário. Mas se ela quer ficar uma lombriga o problema é dela.

Eu acabei rindo do jeito que ela falou.

— É sério. Você ainda ri?

— Nada pra ela está bom como está. — Disse

— Vai vir ao baile com o seu namorado? Vi alguns alunos pedindo para a diretora autorizar a entrada de outras pessoas e tal, muitos têm namorados que não estudam aqui. Vai ser legal para você, né?

— É mesmo?

— É. Eu encontrei um carinha super-legal ontem, ele tinha um estilo bad boy, um sorriso meio fatal, sabe?! Ele era um gatinho. Ah, acho que ele conhecia você.

— Hum? Como assim?

— O nome dele era Lionel. Falei com ele que uma amiga tinha salvado a minha vida e falei seu nome, ele pareceu reconhecer o nome.

—- N-Não Mary. Não pode ficar perto dele.

— Então você o conhece? — perguntou ela com certo espanto — Não me diga que você...

— Não. O Neythan é o meu primeiro namorado e tenho certeza que vai continuar sendo. Mas o Lionel não é confiável.

— Ele pareceu legal. Convidou-me para sair.

— O quê? Ele... Você...

Ela deu de ombros

— É. Eu aceitei. Não iria perder a chance. Não se preocupe eu não sou boba, marquei em um lugar publico.

— Mary você tem que entender...

— Ahum... Eu tenho que ir. Estou atrasada. — Disse ela correndo

Tá! Essa tinha sido uma notícia daquelas. Mas se o Lionel estivesse pensando em machucá-la teria que se ver comigo. Ah, se teria.

Sai dali e fui para o ginásio procurar a Ambre e ela estava lá, pareceu muito surpresa quando me viu.

— O que você está fazendo aqui? — Parecia que ela tinha visto um fantasma

— É a escola, queria que eu estivesse onde?

— É... É...

— Eu quero que você me explique por que colocou sonífero na bebida? Achou que eu não iria descobrir?

Ela me encarou e fez sinal para que as meninas que estivessem perto dela saíssem. Não havia quase ninguém no pátio.

— Não faço ideia do que está falando.

— Pode parar de fingir. Para de ser cínica. O Neythan encontrou o frasco com o sonífero. Por que fez isso? Não faz sentindo.

— Eu é que te pergunto. Por que eu faria isso?

— Por que você não faria, não é mesmo? Você tentou me matar um monte de vezes, a última pessoa que eu confiaria na vida seria você. Não faz sentido ter feito eu ir parar na casa do Alexander.

— Eu não sou tão idiota, Mhylla. Eu o amava, acha que te jogaria nos braços dele na primeira oportunidade? Você é louca.

Agora eu é que era a louca

— Então por que faria isso?

Ela respirou fundo e bateu na bola que estava na mão dela com tanta força que ela bateu na rede e voltou batendo na parede ao lado dela.

— Escuta aqui. Se eu ainda tivesse a intenção de machucar ou matar você, já teria tido muita oportunidade para isso. Eu não tentei jogar você nos braços do Alexander. Agora saia da minha frente antes que eu repense na ideia de machucar você.

— Eu não sou idiota, Ambre. Sei que essa história está muito mal contada. Mas é melhor eu ir.

Ela sorriu mexendo em um cacho do cabelo e saiu, indo para o vestuário.

Voltei para o pátio e encontrei com as meninas, Mary estava de volta com alguns livros na mão.

— Esqueci minha bolsa no vestuário. — Disse Mary — Que coisa, tive que sair correndo para pegar os livros. Agora vou ter que voltar com tudo isso.

— Eu pego pra você. — Disse e ela sorriu pra mim

— Adoro você. É a melhor amiga que alguém poderia ter.

— Também digo o mesmo de você.

Fui para o vestuário para buscar a bolsa dela já que não havia nada para fazer no momento, era semana de provas e quem terminava podia ficar no pátio ou no ginásio, o que era bom.

— Você é muito idiota, não acredito que errou a esse ponto. Isso que dá mandar gente como você para fazer um serviço tão fácil. — Era a voz da Ambre

Estava vindo do vestuário, parei perto dos armários, ela estava falando no celular com alguém.

— Não fale assim comigo, idiota. Quero saber o que ele  vai dizer quando escutar isso. Você é muito idiota. Mandou aquela imbecil justamente para a casa do Alexander? Já pensou se ele desconfiar de alguma coisa? Estaremos todos mortos.

Houve silêncio enquanto ela escutava, ela fez cara de nojo.

— Cale-se. Cansei de você. Mandarei alguém mais adequado para o serviço. Se querem o poder do Alexander, Mark Muller conseguira muito bem enganar aquela idiota da Mhylla. Se tivermos ela com toda certeza teremos ele na mão. E também, será muito fácil o ritual, contando que nada dê errado.

O quê?

Eu acabei esbarrando em alguma coisa no chão e fez barulho.

— Quem está ai?

Que... Coisa.

Peguei a bolsa da Mary e sai dali antes que ela me visse.


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