Fiquei olhando aquele papel tentando adivinhar o que ele queria dizer com aquilo, onde ele me espera? E pra que? Eu não negava que queria ir, o problema seria minha mãe. Eu olhei para ela e vi que ela estava vindo até onde eu estava. As outras pessoas ainda dançavam aquela música lenta no salão.

— O que você disse para ele? — perguntou ela

— N-nada. — Respondi escondendo o papel

— Por que ele saiu então?

— Não sei mãe. — Respondi dando uma ultima olhada na saída por onde Veni tinha acabado de sair.

— Você não disse nada demais para ele não é?

— Por que está me culpando de tudo ultimamente?

— Eu não estou. — Ela se defendeu parecendo ofendida

— Eu posso ir embora agora? Fiz o que pediu. Já conversei e dancei com ele.

— Tá bom. Vai direito para casa. Vou ligar para confirmar que você está lá.

— Ok. — disse

Sai do salão olhando do lado de fora e procurando o Veni, ele não estava ali, fiquei tentando adivinhar onde ele poderia estar até que me dei conta, era claro que ele estaria na casa dele. Sorte a minha que a minha casa não estava longe dali e eu poderia muito bem ir andando. Não acharia que a pessoa macabra da estrada tentaria me matar de novo, justamente naquele dia em que estava passando muitos carros ali por causa do baile, mas considerando os fatos, estava de noite, então não poderia arriscar.

Peguei um dinheiro antes com o meu pai e pedi para que ele chamasse um táxi, não demorou muito até ele chegar.

Alguns minutos depois quando finalmente cheguei perto de casa, fiquei na duvida se devia ou não ir à casa do Veni, decidi ir, eu queria conversar com ele e ficar perto dele, apesar de não saber se era isso que ele queria. Quando cheguei perto da porta percebi que ela estava entreaberta, então entrei.

—Veni? Você está ai? — Perguntei

Não houve resposta, ali dentro ainda estava escuro como da outra vez que eu estava ali. Olhei em cima de uma mesinha e vi que havia algumas plantas, cinco ao total, uma ao lado da outra, cheguei mais perto para olhar e vi que as plantas estavam mortas, estavam todas assim, com uma cor desbotada meio acinzentada... Menos a ultima.

— Então, você veio... — disse o Veni

Ele estava descendo as escadas e já não estava mais de terno

— Esqueceu de cuidar das plantas, Veni? — Eu disse sorrindo

— Na verdade... não. — Respondeu ele parando do meu lado — Eu não... Posso tocar nada vivo quando estou com raiva. Plantas... animais... pessoas... você.

Olhei para ele tentando adivinhar se era uma piada... Não parecia ser.

— Por quê? O que aconteceria?

— Morreria. — Ele respondeu como se fosse a coisa mais normal do mundo

— Esse... é o momento em que eu pergunto o que você é?

— Eu... acho que não, não sei, talvez. Mas... pessoas normais, diriam que pessoas como eu... seria algo como uma... aberração.

Talvez essa fosse a hora em que eu devia ficar com medo e começar a surtar, mas eu não estava, era a primeira vez que ele falava sobre ele e eu não queria que ele pensasse que eu não estava interessada ou que o achava louco, eu queria saber mais sobre ele.

Toque de SeduçãoLeia esta história GRATUITAMENTE!