A gárgula manteve o olhar fixo em mim, no exato momento em que ela me atacou consegui virar para o lado, mas as garras dela atingiram meu braço deixando enormes arranhões e percebi que tinha machucado minha perna no ferro quando virei. O bicho voltou a me olhar, eu não conseguia me levantar, tinha prendido de um jeito que não conseguia soltar... Ou era meu nervosismo que atrapalhava, não sabia ao certo.

Quando olhei para o bicho e tentei puxar de novo, senti alguma coisa no meu tornozelo e depois alguém me puxou, não consegui ver quem era, pois estava escuro e a neblina encobria tudo, acabamos nos escondendo dentro da casa velha que tinha ali. Ele ficou me segurando impossibilitando que eu me mexesse, pude notar que a mão da pessoa estava macia...

Estava usando luva!

Não sabia por que, mas senti borboletas no estomago naquele momento, por causa daquele toque. Consegui me soltar a tempo de ver o bicho lá fora olhando para os lados e depois virando um monte de pedras.

— Você é louca. — disse alguém

Era uma voz masculina, notei que era meio familiar... Meu vizinho.

Fiquei um pouco chocada, era a primeira vez que ele me tocava, não foi realmente um toque porque tecnicamente ele estava de luvas, mas mesmo assim, tinha sido... Bom... Quando pensei isso acabei corando, sorte que estava de noite e não dava pra ele perceber.

Nós saímos da casa velha e fui até onde o bicho tinha virado um monte de pedras. Eu não conseguia acreditar naquilo, era impossível, como assim uma gárgula? Isso não existia... E como ela tinha virado um monte de pedras? Não tinha como, em hipótese alguma.

Olhei para o Veni e vi que ele estava de cabeça baixa e realmente estava usando luvas.

— Você viu isso? — disse tentando respirar

O pânico ainda era evidente em mim.

— Não foi difícil. Estava muito visível. — Ele respondeu

— Para com isso, deixa de sarcasmo. Era uma gárgula. Uma GÁRGULA. — disse quase gritando. Eu ainda estava em pânico, meu coração estava acelerado e eu estava tremendo.

Como ele podia ter visto aquilo e ter ficado numa boa? Era uma gárgula, isso não era real, quer dizer, não tinha como ser. Gárgulas, elas não... Não existiam, mas... Eu tinha visto uma e ela tentou me matar.

— Eu sei o que é isso. — disse ele virando — É melhor ir para sua casa antes que a pessoa que está tentando te matar volte.

— O que? — disse encarando ele

Como ele sabia que tinha alguém tentando me matar se eu não tinha contado para ele e pra ninguém? Ele... Ele tinha visto aquela gárgula, mas como tinha certeza que uma pessoa tinha tentado me matar? Não que eu achasse que alguém pudesse controlar aquela gárgula, mas...

— Isso mesmo que você escutou. — disse ele e tive a impressão de ouvir uma risada

— Por que você está usando luva? Nem está tão frio assim.

— Não é da sua conta — disse ele andando

— Só sabe responder as minhas perguntas assim?

— Só sabe perguntar? — retrucou ele

Cruzei os braços e o encarei como sempre.

— Por quê? Quer que eu faça o que? — perguntei e deduzi que ele estava pensando

Não sabia explicar porque, mas tinha corado.

— Melhor tratar dos seus machucados. E não esqueça a janela do quarto aberta. — dessa vez tive certeza que ele riu

Dei de ombros, mas ignorei.

— Não acha realmente que eu sou louca não é? Você viu aquilo, claro que viu... Você me salvou.

— Não porque eu quis. — respondeu ele

— Tem certeza? — perguntei e ele não disse nada

Ele estava parado de costas pra mim novamente, estava imóvel e em silêncio.

— Por que apenas não me agradece e me deixa ir embora? Eu não gosto de ficar perto de você. — disse ele

— Eu não pedi sua ajuda. — retruquei

— Vou fingir que isso é um obrigado.

Eu senti alguma coisa escorrendo pelo meu braço, tinha me machucado com as garras daquela gárgula, tinha ficado os arranhões dela no meu braço, e só agora percebi o quanto a minha perna doía e aquele machucado. Ficava tonta só de olhar.

— Obrigada! — disse e ele saiu andando sem olhar para trás.

Fui para casa e quando tentei abrir a porta na primeira tentativa consegui, o que foi muito estranho. Fui para o banheiro e tomei um banho, limpei um pouco do sangue que ainda escorria do meu braço. Coloquei uma pequena faixa no braço e na perna e me joguei na cama cansada, não queria nem escrever no meu diário, o que me lembrou do diário da Melissa, mas isso teria que ficar para o outro dia... Estava cansada e tudo o que precisava naquele momento era dormir.


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