Não dava.

Não tinha nenhum tipo de informação sobre onde ela estava. A situação só piorava cada vez mais. Subi para o meu quarto tranquei a porta e me deitei na cama. Podia ter evitado aquela situação se contasse a verdade, me sentia idiota. Não existia segredos entre a gente, mesmo que ele me julgasse como louca ou acabasse rindo da minha cara, tudo valeria a pena só para tê-lo ao meu lado, nada disso — desse segredo — valia a pena sem ele ali, eu devia ter contado, eu devia isso à ele, mas também se lamentar não ajudaria em nada, de alguma forma eu achava que ele estava bem... Ou quase.

Algo interrompeu meus pensamentos e parei para prestar atenção nas batidas bruscas na porta.

— Mhylla abre a porta.

— Prefiro ficar sozinha, mãe.

Ela bateu novamente, impaciente.

— Quero conversar com você. Sei que deve estar se sentindo mal porque ele era seu amigo e se conheciam há tempos, Mas...

Dei de ombros, encarando a porta ainda trancada.

— Pode ser depois? — Eu não estava a fim de conversar, não sobre aquele assunto.

Eu me recusava e me recusaria a pensar naquele assunto, ele não está morto. Não mesmo.

Ela ficou em silêncio do outro lado, talvez deva ter se dado conta de que eu precisava de um momento só pra mim, de que aquele momento era muito delicado, mesmo eu não acreditando cem por cento naquela possibilidade. Era chocante demais para ser real.

Acabei me assustando com o barulho do celular na manhã seguinte, levantei-me sem vontade e vi que eram umas ligações das meninas da escola, olhei no relógio e vi que estava atrasada para a escola. Devia ser por causa disso as ligações dela.

— Ótimo! — disse ironicamente — Já comecei meu dia bem.

Isso me fez lembrar o Alam e minha vontade de ir para a escola desapareceu. Só que também era minha única, talvez, oportunidade de encontrar a Marcela, ela poderia ter as respostas para todas as minhas perguntas, talvez ela soubesse o que realmente aconteceu com o Alam. Eu sabia que as chances eram poucas, já que ela nem o conhecia, mas se o Lionel estivesse ligado a isso eu saberia.

Arrumei-me rapidamente e peguei minha mochila carteiro descendo rapidamente as escadas, não me incomodei em ter que tomar café da manhã, poderia deixar as refeições para depois, eu tinha que encontra-la logo e ter as respostas que precisava.

Parei bruscamente na porta quando vi o Neythan saindo da casa dele, fiquei meio paralisada, todo aquele acontecimento com o Alam me lembrava da Loren. Se tivesse realmente acontecido alguma coisa com ele, isso queria dizer que de um jeito ou de outro estaria passando por uma situação que o Neythan também passou.

Levei automaticamente a mão no rosto quando percebi que uma lagrima escorreu, estava chorando e nem tinha percebido isso. Toda aquela cena da noite passada de tentar segurar o choro, agora não tinha adiantado de nada, eu não conseguia reprimir meus sentimentos, eu estava impedindo-me de ver algo que possivelmente poderia ter acontecido, mas uma coisa era quase um fato. Iria me negar a isso eternamente, enquanto eu não tivesse uma prova, eu não iria acreditar nisso.

Olhei para frente, passando uma mão no rosto e limpando a lagrima que escorria, percebi que o Neythan estava parado, observando-me.

— O que aconteceu? — Ele perguntou, olhando diretamente nos meus olhos.

Desviei o olhar

— Huh? N-Nada.

Ele arqueou uma sobrancelha, ele sempre fazia isso quando sabia que eu estava mentindo, ou no caso ocultando algo.

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