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Estava começando a me considerar uma louca.


Quem é que aceitava se mudar para uma cidade assim? Totalmente sem sol, toda cheia de neblina em pleno verão e que só ficava chuviscando? Poderia jurar que aquela cidade não via um sol a mais de séculos, o pior de tudo é que eu não tinha dezoito anos ainda para poder mandar na minha própria vida, tinha apenas dezessete. Ah! Mais um ano... Estava sendo obrigada a me mudar com a minha mãe e meu pai para essa cidade, motivo? Eu não faço ideia, quando eles colocam uma coisa na cabeça não tiram jamais.

O que eu considerava meu refugio, um lugar que era só meu e ninguém poderia invadir era meu diário, escrevia praticamente tudo ali, às vezes era acostumada a escrever poesias no final dele, não que eu curtia muito isso, mas as ideias vinham então aproveitava.

Chegando à nossa "nova casa" eu quase tive um infarto. Sinceramente, não que me importava se a casa era grande ou pequena, arrumada ou bagunçada, mas aquela casa... Não sabia nem descrever. Quer dizer, pra mim ali não era bem uma cidade, estava mais para vilarejos antigos com casas todas de madeira sem pintura nenhuma.

A casa estava velha, tinha dois andares e era de madeira desbotada e velha.

— O que será da minha vida? Eu... Eu já estou vendo a luz. É o fim! — Disse de uma forma dramática enquanto descia do carro com o meu diário na mão.

— Deixa de ser dramática, Mhylla. Uma reforma nesta casa e ela ficará linda. — Falou minha mãe tirando uma mala do carro

— Você sabe que essa "coisa", não vai ficar linda nem em milhões de anos, né?

— Diz isso hoje, mas espera para ver. Agora deixe de ficar parada e trate de pegar sua mala. — Disse meu pai

— O certo não seria uma reforma na casa antes de termos nos mudado?

Isso eu tinha certeza que era certo, primeiramente uma pessoa "normal" reformava a casa para sim depois se mudar para ela, mas não, minha família insistia em fazer tudo diferente. Mas não iria discutir, abri o porta-malas do carro e tentei tirar a minha mala que parecia mais pesada do que quando eu a tinha colocado ali. Não me lembrava de ter guardado tantas coisas nela. Retirei de lá e coloquei no chão sentando em cima dela. Estava pesada e mesmo que eu quisesse não conseguiria levá-la para dentro.

— Folgadinha né? Vai ficar sentada ai enquanto levamos tudo? — perguntou minha mãe colocando a mão na cintura e me encarando

Dei de ombros, ela esperava mesmo que eu levasse as malas? Nem se eu quisesse iria conseguir. Não que eu fosse preguiçosa ou coisa assim, mas duvidava que eu fosse conseguir ajudar em alguma coisa.

— Está pesada, não me lembro de colocar tanta coisa assim. Afinal, o pessoal da mudança poderia carregar. Não que eu tenha problemas com isso, mas o único modo de conseguir levar essa mala para dentro é arrastando ela.

— Seria porque essa não é sua mala? — sugeriu ela enquanto me olhava com uma sobrancelha arqueada.

Olhei na mala que estava sentada e vi escrito Melinda, o nome da minha mãe.

— Oh! É por isso. Quem é que mandou comprar malas iguais.

Levantei e olhei em volta dali, aquela neblina atrapalhava tudo, mas deu para perceber que em frente a nossa casa havia outra, não tinha certeza, mas achei ter visto alguém na janela lá dentro. Tirando essas duas casas, uma totalmente destroçada perto da nossa e mais outras que ficavam uma longe da outra, não havia mais casas naquela rua. Aquilo estava pior do que aquelas vilas de filme de terror. E lá se foi minha vida. Não que eu tivesse uma antes de ter me mudado para cá, mas o lado bom de Saint Valley, — nosso antigo bairro — era que lá não era tão obscuro quanto essa cidade.

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