Ela voou bem alto e depois virou vindo para minha direção. Como eu não era idiota de ficar parada sai correndo dali. A gárgula pousou no chão, fazendo um barulho ensurdecedor, eu acabei tropeçando e caindo, minhas coisas caíram no chão, e a batida no chão fez o braço doer mais do que já estava. Acho que tinha quebrado. Levantei-me rapidamente e quando vi a gárgula já estava chegando perto de mim, minhas pernas estavam tremulas e duvidava que conseguisse correr, fui afastando apavorada e única coisa que passou pela cabeça, foi não olhar, coloquei o braço na frente do rosto e fechei os olhos.

Teve um breve silêncio e nada aconteceu, abri os olhos e foi ai que vi que a gárgula estava parada. Ela estava de frente pra mim com as garras prontas para atacar, mas estava parada. Vi que a pulseira estava brilhando, o pingente de cristal que estava nela tinha um brilho forte e azul. O primeiro pensamento que passou na minha cabeça foi sair da frente, assim que fiz isso à gárgula voltou a se mexer voando rapidamente e batendo contra a parede da biblioteca, neste mesmo momento ela se tornou um monte de pedras.

A Ambre veio até onde eu estava, os olhos dela ainda estavam vermelhos e ela parecia indignada.

— O que é isso? — ela puxou o braço que estava com a pulseira, encarando-o.

A mão dela começou a tremer e parecia que estava... Queimando? Ela soltou o meu braço e vi que era isso mesmo, ela caiu no chão novamente, vi que a mão dela se curou rapidamente.

— Ambre?

— Hã? — Disse ela levantando-se com cara de desentendida. — O quê? O que eu estou fazendo aqui?

Ela olhou em volta e em seguida para si mesma

— Como assim?

— O que eu estou fazendo aqui? O que você está fazendo aqui?

—Não se lembra de ter me atacado?

— Do que está falando garota? Já tentei de atacar um monte de vezes, mas não fiz isso agora.

Eu a encarei, incrédula.

— Como não fez? Colocou uma gárgula para me atacar.

— Não fiz isso. Não sei como vim parar aqui, só me lembro de estar no carro conversando com alguém. Eu estava com raiva...

— Que novidade... Quer dizer que não se lembra do que fez?

Então era isso o que o Neythan sempre me dizia. Que havia uma parte nele que não era bom, que se essa parte acordasse, ele poderia acabar me machucando, então era assim? Se isso acontecesse... Ele não iria se lembrar ou ter consciência sobre seus atos? Ambos: O Neythan e o Alexander já me falaram dessa "parte ruim". Era como um... Demônio dominando os corpos.

— Vou embora daqui — disse a Ambre entrando no carro.

Abaixei para pegar as minhas coisas que tinham caído, meu braço doía mais do que nunca e estava difícil de mexer.

— Se tivesse chegado alguns minutos antes teria presenciado uma cena interessante. — Levantei e vi que era o Alexander.

Ele.

— Sei que está surpresa em me ver. — Disse ele chegando perto e tocando o meu rosto.

— Alexander?! — protestei

— Eu sei. É bom ver você também.

— Não era isso que eu iria dizer.

— Que vida agitada a sua. Primeiro vai para um colégio interno, ele é incendiado, quando volta já tem que lidar com um ataque e acaba fraturando o braço de novo. Isso sem contar o que aconteceu antes.

Ele pegou o abraço que eu tinha machucado e observou. Depois ele pegou minha mão vendo a pulseira que eu estava.

— Interessante! Só que esse tipo de coisa não faz efeito em mim — Disse ele apontando para a pulseira e o colar.

— Não era pra você...

— Eu sei. Meu poder é muito superior a qualquer um já visto nesta cidade.

Ele se aproximou do meu rosto.

— Alexander não...

Eu sabia que o que estava sentindo por ele não era real, aquela atração... não era real, o colar não funcionava com ele, se quisesse me seduzir ele faria isso.

— Eu não vou te obrigar a fazer o que não quer, desta vez vou fazer do jeito certo. Vou esperar você vir até mim. Dessa vez eu não serei o vilão da historia.

Ele acariciou o meu braço que estava machucado e manteve a mão ali. Ele me olhou fixamente nos olhos. Eu precisava resistir. Afastei-me dele ao mesmo tempo em que ele tirou a mão do meu braço. A dor tinha passado.

— Você...

— Se eu curei o seu braço? Pode se dizer que sim. — Disse ele sorrindo e puxando a faixa que estava no meu braço — Está vendo? Eu faço um bem enorme para você e você não percebe. Seriamos perfeitos juntos.

Meu braço não doía mais e já conseguia mexer perfeitamente bem.

— E-Eu gosto do Neythan.

— Posso esperar! — ele falou — Tenho que ir. Preciso cuidar de uma certa loira que anda estragando coisas por ai.

Eu o encarei

— Está falando da Ambre?

— Estou. — Ele falou

— Não vai machucá-la de novo vai?

— Você se importa? Ela tentou te matar.

— Ela pode não ser a melhor pessoa do mundo, mas eu me importo.

— Eu não irei machucá-la. Mas ela já está em um estado critico. Todo mau que havia dentro dela agora despertou ainda pior. Se alguém não matá-la... Ela acabará fazendo isso sozinha.

— Sei disso! — Falei pegando as minhas coisas e caminhando para a saída

Parou um táxi ali, algumas pessoas desceram saindo dali.

— Quer uma carona?

— Não eu vou de...

Lembrei-me do que o Neythan tinha dito, ou eu iria de táxi e arriscava ou aceitava a carona dele. Eu não iria arriscar, pois preferia acreditar no que o Neythan disse. Poderia ligar para alguém, mas iriam demorar a chegar.

Acabei aceitando.


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