Fiquei cerca de uns trinta minutos esperando um táxi, o cara era mal-humorado e ficava resmungando algumas coisas ininteligíveis e que eu nem estava prestando atenção. Eu estava focada naquele assunto... Será que ele, na verdade era... Não podia ser... Eu não conseguiria acreditar... Na verdade eu não acreditava muito que pudesse ter alguma coisa a ver... Preferia acreditar em coincidência do que em ressurreição de vidas passadas ou coisa assim...Alexander e Richard? E Melissa, o que queria dizer que eu não estava louca e imaginando aquele nome. Eu precisava descobrir o que estava escrito naquele diário, provavelmente se tivesse alguma coisa demais ela teria escrito lá, claro que teria, precisava acreditar nesta possibilidade, queria saber se talvez isso tivesse alguma relação com o que estava acontecendo naquela cidade... E comigo.

— Mas o que... — resmungou o taxista quando ouvimos um enorme barulho do lado de fora

Olhei achando que talvez tivesse sido um animal na estrada, uma trovoada ou alguma coisa do tipo, mas não era, ele tinha parado o táxi repentinamente e quando olhei direito percebi que havia alguém na estrada.

— Sai daí. — Gritou o taxista

Quando ele ligou os faróis do carro percebi que a figura na estrada parecia um homem, ele estava de cabeça abaixada e encapuzada, vestido todo de preto, usava botas, e mantinha as mãos na jaqueta, ele era alto, e estava um pouco longe do carro. Ele se abaixou, tirando uma mão da jaqueta e colocando no chão molhado pela chuva, eu estava tendo um pressentimento ruim. Tinha que sair do carro. Tentei abrir a porta, mas não conseguia, tentei de novo sem conseguir. Já estava em pânico.

— Precisa dirigir ou abre a porta do carro. — Eu disse para o taxista quase gritando

— Ele é só mais um louco. — resmungou balançando a mão no ar como se não fosse nada

— Abre a porta. — Eu disse apavorada, não sabia o que aquele homem na estrada iria fazer, mas não queria ficar no carro para conferir.

— A porta está aberta. — disse o homem com a cara fechada

— Não está — disse irritada tentando abrir de novo

Duvidava muito que fosse mais uma alucinação da minha cabeça, se é que os outros acontecimentos tivessem sido.

O carro começou a balançar de um lado para outro, o chão estava tremendo... Eu comecei a tentar abrir a porta de novo, mas não dava, o taxista tentou engatar a ré, mas era como se as rodas nem se movessem no chão.

— O que é... — começou o taxista quando finalmente vi...

Ele estava abaixado com uma mão no chão, o chão começou a se abrir, estava rachando e quebrando tudo, os pedaços do chão voavam para todo lado, ele foi se quebrando até chegar ao carro, que foi arremessado para o alto e depois começou a cair. Eu gritei apavorada e com medo. O carro atingiu o chão de novo e eu acabei batendo a cabeça, o que fez com que eu ficasse tonta, a ultima coisa que consegui fazer foi abrir a porta do carro e tombar pra fora, minha visão diminuiu e não vi mais nada.

Minha cabeça e meu corpo doíam e minha visão estava toda embaçada, percebi que alguém me carregava, não conseguia ver o rosto da pessoa, mas parecia que estava de capuz, era um homem, parecido com o encapuzado da estrada. Ele parou olhando para os lados e depois se abaixou me deitando no chão, eu não sabia dizer ao certo, mas achava que ele estava usando luvas. Eu estava tão tonta que acabei apagando de novo.

Acordei sentindo dor em todo o corpo e alguma coisa gelada atingindo meu rosto fazendo arder, percebi que era a chuva, e que estava um pouco escuro, levantei sentando, e esperando um pouco por causa da cabeça que parecia que estava rodando. Olhei em volta e vi que estava deitada na beirada da estrada, e vi que o táxi estava destruído e virado para baixo.

— O... O taxista. — disse tentando me levantar com cuidado, mas tudo que consegui foi cair de novo.

Passei a mão na cabeça e vi que estava sangrando, depois olhei o meu joelho e vi que tinha me machucado, quando fui andar percebi que doía muito. Andei com cuidado e me abaixei perto do carro, mas o taxista não estava lá, o que era bem estranho, pois me lembrava dele no carro quando tudo aconteceu. Procurei meu celular e tentei discar algum numero só que como tinha chovido ele tinha estragado. Olhei em volta e vi que não faltava muito para chegar em casa. Precisaria caminhar um pouco, o problema seria meu joelho que doía muito, e se aquele homem ainda estivesse por ai? Estava de noite e chovendo, se ele aparecesse, eu não poderia fazer nada. Só que também não poderia ficar ali reclamando.

Alguns minutos depois consegui chegar em casa, estava mancando e cansada, olhei pra casa e percebi que meus pais ainda não tinham chegado, procurei a chave de casa nos bolsos quando percebi que tinha perdido.

— Ótimo. Meu dia de azar. — Disse tentando empurrar aquela maldita porta

Não adiantou nada, irritada, sentei no chão me molhando mais ainda na chuva que tinha piorado. Eu não conseguia dar nem mais um passo, e para meu azar meus pais não estavam em casa, estava sem as chaves e sem celular e não tinha nenhum vizinho por perto. Por que será que isso acontecia só comigo?

Fiquei ali me lamentando quando percebi que a porta do vizinho estava sendo aberta.

— Ele não, ele não, — fiquei repetindo atordoada — qualquer pessoa menos ele.

Eu não queria ver ele jogando na minha cara que tinha me avisado e tal...se pensando bem...O cara na estrada estava vestido como ele, eu fiquei piscando sem palavras até que ele veio até onde eu estava. O suposto cara na estrada poderia muito bem ser ele...

— Nem começa. — disse eu, sem olhar para ele.

— Nem começa o que? Dizer que avisei para tomar cuidado com quem conversa? — parecia que ele se divertia com meu sofrimento, pouco me importava isso.

— Para. Eu não estou com cabeça para te aturar. — disse meio grogue, cutucando minha cabeça para ver se ainda doía.

— Sofreu um acidente de carro? — perguntou ele, parecia que estava debochando e sorrindo.

Eu não respondi

—Vem. Eu... Você pode ficar na minha casa.

— Como posso ter certeza que não era você na estrada?

— Pode ter certeza que se fosse te matar só te tocando conseguiria isso, além disso, se quisesse te matar já teria feito.

— Se fosse me matar?

— Será que dá para levantar? — perguntou ele — Eu não vou te ajudar por que não quero tocar em você. Como disse antes... Não gosto muito de você.

— Por que convida para sua casa uma pessoa que você não gosta? — perguntei me levantando. — Por que não gosta de mim?

— Por que... Você me lembra uma amiga.

— Amiga? O que... O que aconteceu com ela? — Não sabia dizer, mas havia certo tom de ciúme na minha voz.

A voz dele pareceu falhar quando ele respondeu

— Morreu. — disse ele se virando, parecia realmente sentir muito — Vai vir ou não?


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