Respirei fundo com o toque dele, obviamente também queria isso. Estava começando a achar que ele fosse mudar de ideia, só que ele ficou parado me observando e tocando o meu rosto. Ele parecia estar pensando.

— Você...

— Tenho que te contar uma coisa. Não sei se ele já te disse isso ou se outra pessoa disse ou se até mesmo já sabia. Mas... Você sabe que é reencarnação da Melissa...

— É... Mas o que tem a ver?

— Está destinada a viver a mesma história repetidas vezes até que saia do modo certo. Do jeito que ele quer. E... Digamos que eu... O Alexander e a minha família somos imortais.

— Imortais?

— É.

— Mas... No diário da Melissa, quer dizer... Meu diário da outra vida, estava que ele...

— É. É possível de certa forma um imortal morrer, apesar de ser difícil. Se usarmos o nosso poder de um jeito errado, apesar de que te todas as formas são erradas. Às vezes isso pode acabar acontecendo.

— Como aconteceu quando ele... tecnicamente matou a Melissa? Porque ele me disse que fez aquilo para que pudesse me ajudar, porque se pessoas da linhagem da Ambre me encontrassem poderiam... Sei lá. Só sei que eles queriam esse poder.

— A história não é bem assim, Mhylla. Obviamente tem pessoas capazes de fazer qualquer coisa por esse poder. Mas o Alexander fez aquilo por isso e por outros motivos. Você está aqui hoje por causa da obsessão dele por você. Isso é a... Maldição. Ele não vai sossegar até ter isso.

— Ele me disse que não era possível quebrar a maldição. Fui a casa dele outro dia por causa disso, não queria que nada acontecesse ao Alam.

— Sempre tem um jeito de a maldição ser quebrada, mas não sei como. Confesso que antes não me importava com isso. Sou da linhagem dos Greenfields, eles sempre acabavam salvando você. Só que nunca aconteceu de ficar com outra pessoa.

— Se são... Imortais, como a história pode se repetir?

Eu ainda não entendia essa parte, era algo confuso.

— Não repetiu tanto assim. Na verdade, essa é a primeira ressureição.

Dei de ombros

— Fui a única a ressuscitar?

— Quase isso. A maioria sempre retorna aqui, mas ninguém tem suas lembranças exatamente intactas, no caso há poucas exceções, tipo a Ambre ou até mesmo você. Ele não morreu naquela confusão com a Melissa, e eu... Bom, venho da linhagem direta dos Greenfields.

— Não estou entendo. — Disse confusa.

Eu achava que tivesse ressuscitado varias vezes depois daquela vida como Melissa, apesar de que não me lembrava muita coisa. Na verdade só lembrava da vida como Melissa às vezes quando tinha aqueles flashes.

— Voltamos por causa da maldição. Estou destinado a te salvar de novo e de novo porque é o que os Greenfields fazem, eles protegem e salvam as pessoas. Estou destinado a te salvar e proteger ou deixar que fique com o Alexander por vontade própria. — Ele olhou diretamente nos meus olhos — Antes... Eu não me importava com isso, queria deixar pra lá e se pudesse... não te conhecer. Mas estava no destino e me arrependo de ter pensado assim. Não te conheci na vida como Melissa, até porque eu não existia naquela época, mas nessa, sabia que estava por ai por causa do Alexander. Ele e a empregada dele sempre preferiram te chamar de Melissa.

— Conhece a empregada dele?

— Já vi por ai algumas vezes, ela raramente sai de lá. É devotada a ajudá-lo.

Eu fiquei em silêncio raciocinando tudo, eu sabia que ele não mentiria pra mim e por isso confiava nele e o que ele tinha dito.

Era confuso, isso queria dizer que...

— Quer dizer que talvez nessa vida, eu possa acabar ficando com ele ou... Morrer? — perguntei e ele desviou o olhar

— Possivelmente, depende.

Dei de ombros discordando com a cabeça. Eu não acreditava nesses tipos de coisas, as pessoas escreviam o seu destino e não uma maldição.

— Acho que não. Fazemos as nossas escolhas e isso define o nosso destino. Não posso ficar com uma pessoa que eu não amo. Ele tem que aceitar isso. Acho que está botando tudo a perder por uma escolha errada. Ele só tem que... Achar a garota certa.

Ele sorriu, mas ainda parecia tenso.

— Poderia dizer que protegeria você, mas não precisa, já sabe fazer isso.

— Bom... Não posso bancar a mocinha em perigo esperando um príncipe encantado. — Disse eu, brincando. — Quero ficar com você.

Ele passou o polegar nos meus lábios.

— E eu com você. — Disse ele, finalmente me beijando.

A história ia se complicando cada vez mais: primeiro o Alexander, a Ambre, a linhagem da Ambre, o Lionel, o sumiço do Alam e a maldição que obviamente era minha culpa e do Alexander. A marcela tinha sumido, assim como o Alexander que desde que tinha tido aquela conversa com ele, não o tinha visto mais, só que acreditava que ele voltaria a aparecer de novo. É claro que voltaria.

Só que naquele momento, decidi esquecer tudo. Não completamente por que ainda sentia falta do Alam, mas sabia que ele estava bem, então me concentrei naquele momento, retribuindo o beijo dele.



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