CAPÍTULO ESPECIAL: A INFÂNCIA DE NEYTHAN  

Sempre foi uma criança muito calma, bonito, inteligente e esperto. Ela nunca conseguiu entender como os pais daquela criança tiveram tamanha coragem de abandoná-lo, era inofensivo e também tinha covinhas muito fofas, quando ele sorria, ela conseguia enxergar o coração dele: era uma boa pessoa.

A senhora o encontrou sozinho, em uma casa chorando, ele gritava pela mãe e parecia estar naquele estado há dias, talvez um ou dois, não importava, aquela criança tinha menos que três anos.

A criança estava chorando no andar de cima quando a senhora entrou, a porta estava encostada, nem mesmo trancada estava, o telefone estava jogado fora do gancho, a televisão ligada em algum programa da tevê, e moscas voavam pelo prato de comida largado em uma mesinha perto da televisão, havia varias coisas destruídas pela casa: o sofá que já se podia ver em seu interior, a cômoda, os pratos, copos, livros, quase tudo. Praticamente quase só a televisão estava intocada.

Enrugou a cara enquanto subia olhando tudo atentamente, chamava por alguém, mas ninguém respondia, parou em um quarto abrindo a porta e vendo a criança chorando, enquanto suas mãos estavam em volta de um berço, ele a apertava com força, mas não foi esse o fato que a chocou. Foi o fato de ele estar destruindo as grades do berço como se não fosse nada, ele simplesmente a tocava e as grades caiam quebradas sobre seus pés. Ele só devia ter dois ou três anos de idade, pensou, não deveria ser capaz de fazer isso. Nem mesmo se já fosse adulto. Mas ela sabia que não era uma simples criança humana, era um meio-original, vindo de uma linhagem direta dos originais, podia sentir e ver isso nele.

Após isso o acalmou sem encostar nele, ainda não podia arriscar, pois não o conhecia muito bem, após entretê-lo, ela o alimentou com o que carregava consigo na bolsa, não seria suficiente para ele, mas deveria servir temporariamente. Era uma maça, e alguns doces. Achou uma roupa limpa no armário, colocou luvas e cuidou dele até que ele dormisse. Em seguida foi vasculhar os cômodos, o quarto que deveria ser do casal, estava praticamente limpo: sem roupas, quadros, pertences pessoais, nada. Nadinha. Vasculhou a cômoda, em seguida o banheiro da suíte e voltou até a cabeceira da cama, em cima delas estava alguns documentos. Documentos pessoais os do menino, viu. O nome dele era Neythan, tinha dois anos de idade e seus pais se chamavam Sara e Nathan Greenfield.

Muito insolentes, pensou, contraiu em vontade de chama-los de burros também, havia documentos ali e qualquer um poderia tentar encontra-los e leva-los a justiça, mas ela sabia que se fossem mesmo da linhagem dos originais, isso não importaria, pois saberiam como encobrir as evidencias e, além disso, tinha deixado a identificação para caso alguém o encontrasse, soubesse o que fazer com ele.

Ela ficou com ele, cuidou e deu-lhe um lar, bom o seu lar, havia trocado as coisas velhas e quebradas e substituído por novas usadas, enquanto isso sempre procurou pelos pais dele, em todos os lugares possíveis, mas nunca os encontrou. Era como se nem existissem, era como se Sara e Nathan Greenfield nunca tivessem existido, era só nomes.

Com o passar do tempo, percebeu que nunca os encontraria, então abandou a casa dele e o levou para morar com ela, em um canto afastado da cidade. Ensinou-lhe tudo: a escrever, ler, a fazer as coisas sozinho, já que ela não podia tocá-lo, pois tinha adormecido a parte adorm dentro dela e decidirá viver como humana, ensinou-lhe a organizar as coisas e como tratar uma garota.

Estavam na sala, olhando para uma lareira acesa, a televisão estava ligada, com o volume baixo, ele segurava um livro, já tinha quatro anos de idade. Era superinteligente, espero e muito bonito. Ele carregava um sorriso singelo de covinhas, apesar da dor de não ter os pais, ele sorria, e era um sorriso sincero, verdadeiro e não triste. Ele gostava de conversar com ela e ela com ele. Havia perdido o marido e a família muito cedo, viveu como adorm e viu muitas coisas caindo a sua volta, agora tudo o que queria era poder descansar como uma humana, mas não antes de deixar aquela criança em bom estado, para que desse conta de si próprio sozinho.

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