Todos estavam olhando para a garota não acreditando no que estava acontecendo, todos tinham quase certeza que ela estava morta antes, agora ela estava parada lá, com um olhar confuso e distante.

Ela não estava bem, parecia assustada e estava tremendo, seus olhos brilhavam em um cinza intenso, ela parecia estar sentindo dor, levou as mãos até a cabeça como se tivesse tentando deixar de ouvir algo que não queria.

E realmente estava.

— Para! Parem com isso, eu não consigo escutar. — Gritou a garota abaixando-se e tapando os ouvidos com as duas mãos.

Neythan parecia confuso, com exceção do Alexander que parecia ser o único a entender o que estava acontecendo.

— O quê?

— Não gritem! Eu não consigo escutar. Parem de falar ao mesmo tempo.

A garota estava apavorada e tremendo, ela balançava-se para frente e para trás como se pudesse afastar as vozes.

— Ninguém está gritando Mhylla — Disse o Neythan observando-a

— Estão sim. — Ela tremia enquanto continuava com as mãos no ouvido, uma tentativa inútil, pois não estava ajudando em muita coisa.

A garota parecia estar louca ou surtando, mas realmente ela tinha razão. Escutava vozes e vozes na cabeça, de pessoas conversando, como se uma multidão toda estivesse conversando na cabeça dela. Ela olhou em volta e conseguia ver cada detalhe do local. Uma gota que saia do telhado e caia no chão fazendo um barulhinho que na cabeça dela soou vezes mais alto do que realmente deveria ser, escutou um barulho de um pássaro que não estava ali, e finalmente olhou para o Neythan.

Ele parecia mais... Bonito e atraente até. O olhar dele estava fixado no dela, ela percebeu que ele parecia preocupado, mas estava aliviado. O olhar dele parecia penetrar o dela e estava em um tom mais escuro, ela teve vontade de correr para abraçá-lo e beijá-lo, mas não conseguia, as vozes ainda continuam na cabeça dela, fazendo latejar e latejar. Ela desejou que aquilo parasse, pois incomodava demais.

Alexander foi até ela pegando-a pelos ombros e a colocando de pé novamente, ela também conseguia observar cada traço dele mais intenso que antes, era como se agora ela pudesse ver coisas que antes não conseguia, nos mínimos detalhes... E sim, ele parecia bem mais atraente do que já era.

— Olha pra mim! — disse ele fixando o olhar no dela

— Não grita!

— Não estou gritando, você que pensa que sim. — Respondeu ele calmamente

— O que você está fazendo? — perguntou o Neythan indo até eles e encarando-o.

— Não é obvio? — Falou — Ela agora se transformou.

— Do que você está falando? — perguntou o Neythan confuso, mas já sabendo do que ele estava falando.

— O ritual foi completado... ou quase. Mas como deu um pouco errado, esse poder agora está tentando se libertar nela. Mas veio vezes dobradas, o que quer dizer que exige certo treino até ela aprender a classificar o que é o que.

— Com isso você quer dizer...

— Ela é como nós agora... Mas metade humana, até que ela aprenda a controlar isso o poder deve ficar dentro dela. Isso não quer dizer que vai ficar selado, mas quer dizer que ela pode perder o controle sobre isso a qualquer momento.

— Então ela é metade como a gente. Poder, força agilidade percepção... Tudo isso.

— Só que até que ela se acostume e aprenda. Isso deve ficar dentro dela.

Alexander fez alguma coisa com a garota, colocando a mão sobre o coração dela, ela parecia estar prestes a desmaiar quando o Neythan a pegou.

— Parece que agora quem sai ganhando na historia sou eu. Valeu a pena esperar! – Disse ele virando-se para sair do lugar.

— O que quer dizer com isso?

Alexander parou e sorriu sarcasticamente de um jeito que só ele sabia fazer.

— Sou o único que sei como selar isso temporariamente dentro dela. Agora... — parou — Ela vai precisar de mim mais do que nunca. O que quer dizer que ela vai se aproximar de mim sem que eu faça nada.

Neythan parecia estar com raiva... Ele tinha razão. Ele não sabia como poderia ajudá-la nisso e o único que podia era um cara que insistia em tirar dele a garota que ele mais amava.

Só que não queria se preocupar com isso agora, ele queria tirá-la daquele lugar e a levar para casa, tinham muito que conversar.

— Então... Agora eu sou como você. — Disse a garota

Ele a observou, ela estava quase desacordada em seus braços, agora estava mais calma e não ouvia vozes na cabeça. Ela acabou apagando completamente.

Não foi difícil explicar a situação para ela, ela já sabia algumas coisas sobre o assunto. Estava obviamente aliviada por não ter morrido, mas a ideia de ser quase como o Neythan na cabeça dela parecia irracional. Ela não era uma original como eles, mas agora também tinha poder como eles... ou quase.

POV'S MHYLLA

— Alguma coisa vai mudar? — Ela perguntou, encarando-o por alguns segundos.

Ele deu de ombros.

— Já mudaram. — Respondeu o Neythan, observando-a.

— O Alam... E meus pais?

— Eles são como você. A diferença é que não precisam selar isso dentro deles. E eles não têm poder. — falou — É como se você fosse à fonte de energia pra eles; se você desliga, eles desligam. — parou pensando — São imortais agora.

— Eles vão surtar. Como vou explicar isso a eles? — Perguntei

O Alam era como eu, o que era bom porque assim não precisaria me preocupar em perdê-lo e os meus pais... Imaginava qual seria a reação deles ao descobrirem. O bom é que fisicamente nada mudava, só por dentro. Eu ficava feliz em ter um laço grande com o Alam, mas não explicava muito o porquê ele também estava assim, quer dizer, éramos irmãos, mas não de sangue. A não ser que o sangue que doei a ele uma vez contasse; Ele tinha perdido muito sangue quando se machucou em um acidente, eu tinha dezesseis anos na época e era a única que podia doar, tínhamos o mesmo tipo sanguíneo. Isso foi um pouco antes de nos separarmos, antes de eu me mudar para Nuvia.

É, talvez fosse isso.

— Não me sinto tão diferente agora. É como se nada tivesse mudado.

Ele me olhou e desviou o olhar.

— Mas mudou.

— Isso é ruim pra você? — Falei, quase me odiando por perguntar isso.

Ele sorriu quando pergunte e respondeu:

— Pra mim? Porque mudaria?

— Por que não sou tão humana como antes? — Falei, arqueando uma sobrancelha

Ele riu

— Não muda nada. Você ainda continua sendo a minha Mhylla — e acrescentou —, e humana, tecnicamente.

— É... Mas uma coisa muda. — Disse e ele me observou. — Quando aprender a controlar isso, não vai mais precisar se preocupar em me machucar.

Ele sorriu angelicalmente, mas não disse nada.

Eu sabia o que isso queria dizer, eu não tinha razão, não mudaria esse fato mesmo assim.

Era estranho tudo isso, eu era quase como ele, não teria a força ou inteligência que ele tem, mas seria quase isso, eu não me sentia diferente ou melhor, era como se nada tivesse mudado.

Mas tinha, de alguma forma tinha, e mesmo que eu não pudesse ver isso, sabia que por dentro eu estava diferente agora.

Não sabia se era bom ou ruim.


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