Quando estava para abrir o diário, minha mãe bateu na porta, acabei tomando um susto e joguei o diário de baixo da cama quebrando minha unha no processo. Ela bateu novamente impaciente e me chamou.

— Que raiva. — disse baixo para que minha mãe não escutasse — Entra mãe.

— O que aconteceu? — perguntou ela me olhando de cima abaixo e para a minha expressão de assustada.

— Oh! Nada... Só... Quebrei uma unha.

— Ah! Eu estou indo para o trabalho. O seu pai já foi de manhã. Voltaremos à tarde e cuidado.

— Ok! — disse — Pode ir.

Depois de descer e confirmar que minha mãe tinha saído voltei para o quarto na intenção de pegar o diário da Melissa até que recebi uma mensagem no celular, o número estava restrito e eu não tinha a mínima ideia de quem poderia ser, não me lembrava de ultimamente ter passado meu número a alguém que já não estivesse na agenda.

Não pense que só porque está em casa está segura.

Sei quem você é, e sei... Que está sozinha, sempre fica.

Fiquei um pouco assustada com a mensagem, aquele incidente não tinha sido só coincidência, tinha realmente alguém tentando me matar, mas por quê? E quem?

Eu não diria que aqueles três maus encontros tivessem alguma coisa a ver com isso. Eu não conseguia acreditar que Veni poderia ter alguma coisa a ver com isso, já o outro eu não sabia, e Ambre eu duvidava muito que queria me matar só por causa daquela discussão boba. E como um dos três poderia ter o meu número? Eu não tinha passado para ninguém desde que cheguei ali... Só... Estava nos documentos para inscrição da escola... Não podia ser ele... Será que era por isso que ele estava na escola? E como assim sabe quem eu sou? Nunca menti sobre quem eu era.

Escutei um barulho no andar de baixo e duvidava muito que fosse minha mãe ou meu pai, desci da cama devagar para não fazer barulho e abri a porta do meu quarto, desci as escadas com todo cuidado e olhei o andar de baixo. Não tinha ninguém. Eu olhei de novo e depois fui até a porta de saída e vi que estava aberta.

— Olha se for você, não tem graça. — disse eu.

Se Veni tivesse alguma coisa a ver com isso eu não sabia, mas ele era a única pessoa que sabia onde eu morava, obviamente por ser em frente a casa dele. Ouvi novamente um barulho estranho, voltei a olhar para dentro de casa e vi que a neblina tinha tomado conta lá dentro e de repente vi alguma coisa passando lá.

— Olha isso não tem graça. Se estiver tentando me assustar conseguiu, agora para.

Novamente alguma coisa passou lá dentro e escutei o nome Melissa sendo sussurrado varias vezes, como se estivesse um monte de gente sussurrando, de repente vi alguma coisa brilhante saindo da neblina e vindo em minha direção. Era uma lamina, virei a tempo de desviar, mas ela acabou acertando de raspão e machucando o meu ombro. Eu corri e fechei a porta ficando do lado de fora, escutei um monte de barulhos na porta e quando abri de novo vi que havia um monte de laminas ali, era para ter me acertado... Tinha realmente alguém tentando me matar. Acabei gritando assustada, quando virei vi o Veni.

Como sempre.

— Você está machucada — disse ele, eu não podia saber se ele estava surpreso ou não, mas também não demonstrou preocupação pareceu mais uma afirmação.

— É... E-Eu sei.

— Avisei para ter cuidado.

Dei de ombros de queixo caído.

— Era você não era? Você está lá dentro você fez isso?! Você me mandou aquela mensagem?

Estava o acusando sem ter certeza ou provas, mas ele tinha começado quando fez aquela ameaça outro dia.

— Hã?

— A porta... A porta. — disse assinalando, ele ficou em silêncio e depois andou até lá.

Tentei ver o rosto dele enquanto ele passava por mim, mas de nada adiantou, ele manteve as mãos nos bolsos, a jaqueta que ele usava tampava completamente o rosto dele. Ele parou de frente para minha casa e abriu a porta empurrando com o pé.

— Não tem nada aqui. — disse ele

— Mentira. Tem sim que eu vi. — disse irritada e fui até lá mantendo certa distancia para não encostar nele.

Olhei na porta e não havia mesmo nada lá, nem as laminas e nem a neblina.

— N-Não pode ser — disse — Uma delas me atingiu.

— Cada dia eu acho você mais louca. — disse ele virando e saindo

— Eu não sou louca. Você me ameaçou e depois isso aconteceu. Eu não me surpreenderia se você tivesse jogado aquele painel em cima de mim. Não acho que aquela patricinha da escola tenha algum motivo para me matar e muito menos aquele outro...

— Painel? — perguntou ele dessa vez demonstrando surpresa.

Fiz que sim com a cabeça, mas como ele estava de costas para mim e não podia ver, respondi:

— É. Na cafeteria.

— Eu disse para ter cuidado com quem você fala.

— Por que sempre anda assim? Escondendo seu rosto? E a sua mão? Por que não me diz seu nome?

— Não é da sua conta.

— Você sempre responde as perguntas das pessoas assim? — perguntei e ele suspirou fundo

Eu sabia que estava sendo intrometida e chata, talvez até um pouco curiosa, eu queria saber o porquê dele sempre andar daquele jeito parecendo estar querendo se esconder das pessoas, como se tivesse medo de tocá-las ou que alguém o tocasse. Eu não iria julgá-lo eu nem o conhecia e ele nem me conhecia, aquela cidade era estranha e obvio que ele iria me querer longe dele, mas aquele mistério todo só me fazia ter vontade de saber mais sobre ele.

— Escuta aqui... Porque essa é a ultima vez que te falo isso. Eu não gosto de você... Você fala demais, faz muitas perguntas. Eu não gosto de conversar com ninguém. Estava tudo ótimo sem vizinhos aqui e eu preferia que continuasse assim. Eu não sou uma pessoa boa, eu não sou uma pessoa confiável e neste momento o que eu mais estou sentindo é raiva. Então fique longe de mim.

Cheguei perto dele ignorando o que ele tinha dito já que ele estava falando comigo de costas, eu não conseguia acreditar nas palavras dele, fui para tocar no ombro dele, mas ele desviou de novo.

— Mais uma coisa... Nunca toque em mim. Não me responsabilizo pelo que pode acontecer depois.

— Por que não? Qual o seu problema? — falei tentando não demonstrar o medo que estava sentindo por dentro.

— São muitos. E acredite, você não vai gostar se descobrir sobre eles.

Fiquei tentando entender o que ele disse enquanto ele ia embora... O que ele quis dizer com aquilo? Por que ele agia tão estranho assim? Eu merecia uma explicação. Tinha alguém tentando me matar, eu tinha quase certeza. Não podia ter imaginado aquilo.


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