— AI MEU DEUS, O QUE É ISSO? — gritou alguém

Abri um olho devagar, só o suficiente para ver o intruso no meu quarto, não queria que alguém me acordasse, não queria estar acordada, na verdade não queria ter sido acordada e ponto. Ainda havia rastros de cansaço em mim, apesar de não ter feito praticamente quase nada no dia anterior. Tudo isso devia ser por causa das coisas estranhas que estavam acontecendo comigo, já tinha me machucado mais ali em menos de uma semana do que um ano em SaintValley — nosso antigo bairro — e ainda havia uma parte de mim que acreditava que isso poderia ficar pior.

Virei o rosto a ponto de ver minha mãe ao lado da minha cama me encarando com uma expressão aterrorizada, quase tomei um susto...

— Nossa... Isso é jeito de acordar alguém?

— O que é que você fez mocinha?

— Hã? — perguntei com o ar mais inocente possível, sem me dar conta do que ela estava falando.

Ela pegou meu braço e começou a olhar, depois puxou a faixa.

— Aii... Mãe. — disse chegando para trás, tinha doído.

— Aonde você se machucou? O que é isso? — perguntou ela horrorizada

Ela cutucou meu braço parecendo não acreditar no que estava vendo.

— Será que dá para parar de fazer isso? Está doendo.

— Eu quero uma explicação. — disse ela de cara fechada

Não estava nem um pouco a fim de explicar que tinha sido atacada por uma gárgula, isso era... Possivelmente loucura.

— O que está fazendo aqui? — perguntei mudando de assunto

— Vim te chamar para o café da manhã, já que você não é costumada há acordar essa hora e acabei vendo isso no seu braço.

Que horas seriam para ela ter dito aquilo? Eu não era acostumada a acordar tarde, sempre acordava cedo por causa da escola, de vez em quando nos finais de semana que acordava tarde.

Olhei novamente pra ela e vi que ela ainda aguardava uma resposta.

— Eu só me machuquei ontem. — disse levantando e indo para o banheiro

— Mhylla Valentine, volte aqui agora. — disse minha mãe

— Eu quero uma explicação mais convincente. Isso é um arranhão? De que? Você andou brigando na escola é? Ficou louca? Desde quando faz esse tipo de coisa? — perguntou ela parecendo atordoada

— Não... É... não! Eu só... só...

Tentei procurar uma explicação plausível para aquilo, contar que uma gárgula me atacou não era uma boa ideia, se dissesse isso ela com certeza acharia que eu estava maluca e me mandaria para um hospício.

— Cai, e... acabei arranhando meu braço...

— Não acho que apenas cair possa provocar isso. O que está escondendo de mim?

Ela me olhou de uma forma desconfiada.

— Acha que estou mentindo? Que outro jeito eu iria me machucar assim?

Ela pareceu pensar antes de responder.

— Eu sei que isso não é resultado de você simplesmente cair. Você não me engana mocinha. Eu vou chamar um medico... Não eu vou procurar o kit de...

— Mãe, não! Eu estou bem.

— Bem, coisa nenhuma. Olha isso no seu braço. Eu não consigo entender, como você... Como você se machucou?

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