11º Capitulo

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Eu continuava ali. Sentada no chão como uma criança que tivesse acabado de ser ralhada pelos pais. Mas acho que o que o Zayn me disse foi pior. Como é que a minha vida pode estar assim e o meu pai simplesmente não me diz nada? Também, do que é que eu estou a espera? Como o Zayn disse ele só se lembra de mim quando é preciso. E como é que o Zayn sabe que eu fui raptada o ano passado?

E porquê? Porque é que o meu pai confia tanto nele? Ele devia ser só o meu segurança, mas ao que parece, ele sabe a minha vida toda, e o meu pai confia nele até para os seus negócios!

Perguntas e perguntas e mais perguntas estão a invadir a minha cabeça.

Á e sim. Eu ainda não tinha dito mas no ano passado eu fui raptada... Estive em cativeiro durante 4 dias. Sim podem pensar que foi pouco tempo. Mas foram os 4 dias mais duras da minha vida. Eles deitaram-me no chão com as mãos e os pés presos e com a boca tapada por um pano o que quase não me deixa respirar. Eles davam drogas atrás de drogas para eu dormir e eu não me sentia em mim. Eu sentia-me fraca, e sempre que alguém se aproximava perto de mim era horrível. Muitas vezes lembro-me das suas caras horríveis a olharem-me. E só de ver essa imagem o meu corpo começa a tremer. E de cada vez que me lembro de ter uma pistola apontada a cabeça, das mãos de um deles a passarem pela minha cara, e das vezes que por causa das drogas que tomava e por estar fechada naquelas quatro paredes com a boca tapada eu tinha ataques de asma em que sentia completamente os meus pulmões a pararem de produzir ar e o meu coração a ceder aos poucos a tudo o que estava a acontecer era insuportável. Mas sinceramente mais-valia que me tivessem morto.

Foi horrível e o Zayn não tinha o direito de me atirar isso a cara! Não tinha! Ele não é ninguém!

Num ato compulsivo levantei-me e derrubei tudo o que estava na minha secretária fazendo com que batesse contra o chão de madeira provocando um som ensurdecedor.

 ***

"Emma?" uma voz fez-se soar de novo por detrás da porta. Tinha passado cerca de meia hora. Eu estava sentada na minha cama e já todas as lágrimas tinham secado nas minha bochechas.

"Emma responde? Está tudo bem?" a voz suou de novo. O Zayn têm realmente muita piada. Abocado disse tudo o que tinha a dizer sem pensar duas vezes, e agora está preocupa que me tenha dado um ataque de asma e que eu tenha morrido? A sério?

"Emma caralho" ele disse forçando a maçaneta da porta.

"Zayn deixa-me!" eu gritei juntando os meus joelhos contra o peito.

"Vá lá Emma deixa-me entrar" eu pediu mas eu não lhe respondi. "A Marihana disse para desceres. Vêm almoçar." Ele continuou.

É impressionante. É simplesmente impressionante como ele ainda não foi capaz de me pedir desculpas. Mas também pedir desculpas do quê? Tudo o que ele tinha dito é verdade.
Começei a ouvir os seus passos a afastarem-se e esperei certa de 5 minutos. Levantei-me da cama e fui até a casa de banho passando a cara por água. Desatei e voltei a prender o meu cabelo e dirigi-me até a porta do meu quarto.

Levei a mão a maçaneta e respirei fundo. E cruzei os dedos fazendo figas, só espero que o Zayn já se tenha ido embora. Abri a porta e passei por ela fechando-a calmamente atrás de mim. Mas a medida que dei um passo na direção das escadas, senti uma mão a agarrar o meu braço.

"Emma espera..." tentei soltar-me do seu aperto mas não consegui. Voltei de novo a fazer força no meu braço, mas este num impulso virou-me para si e fez com que eu me encostasse a parede.

Os nossos olhos encaravam-se e neles dava-se um guerra entre castanho e verde. A sua mão continuava no meu pulso fazendo com que eu continuasse encostada a parede, e os nossos corpos estavam separados por centímetros que permitiam uma distancia segura.

"Larga-me Zayn..." sussurrei entre dentes fitando-o. Sinceramente não percebo qual era a ideia dele.

"Ouve-me Emma" ele começou "Eu abocado não cria dizer aquilo..." eu continuou e desviou o olhar dos meus olhos. "Mas é que tu começaste a dizer coisas sem sentido e eu passei-me..." ele fez uma pausa mas eu não o interrompi. " e eu não queria ter dito aquilo da tua família... e do teu pai"

 Claro! Como é que eu não percebi logo?!

"Eu não acredito nisto..." eu sussurrei ironicamente e vi a expressão do Zayn a ficar confusa. " A sério Zayn? Eu ainda pensei que tu estavas arrependido por teres dito aquilo tudo da boca para fora, mas eu já percebi tudo" eu fiz uma pausa e a sua expressão era cada vez mais confusa mas não me interrompeu. "Estás a fazer este teatrinho todo só para eu não contar ao meu pai a merda que disseste sobre ele? A sério Zayn tu és inútil. Mas descansa se é o meu pai que te preocupa? Tu só disseste a verdade." Eu disse fazendo um impulso ainda mais forte para me tentar soltar dele.

"Não é o teu pai que me preocupa Emma" ele disse voltando a fazer força no meu braço. Ele voltou a encostar o meu corpo a parede mas desta vez ele juntou todo o seu corpo contra o meu tornando qualquer possibilidade de eu sair dali impossível.

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