Sinto as minhas pernas dormentes.

Deixo a porta do táxi bater com força e oiço o taxista dizer amigavelmente que tenho meia hora até que ele se já embora.

As lágrimas pesadas escorrem pela minha cara e o meu coração aperta a cada segundo.

As palavras que o meu pai me disse hoje de manhã e as palavras que Zayn me disse ontem são como tiros e tiros no meu peito.

"Desculpa" ele olha para mim

"Porquê?" subo a cabeça do seu peito

"Por tudo" ele encara os meus olhos e uma das suas mãos volta ao meu cabelo

Memórias.

Memórias de todos estes últimos meses passam na minha cabeça e quero apaga-los a todos.

Quero desaparecer. Esconder-me e apenas voltar quando o universo me decidir mostrar que tudo isto foi um sonho.

Quero voltar atrás dois anos. Quero a minha mãe viva aqui ao pé de mim, quero poder ouvir a sua voz, sentir o seu cheiro, o seu toque e quero esquecer tudo o que aconteceu nestes últimos meses.

Quero fingir que o Zayn nunca existiu. Esquecer a sua voz, o seu cheiro o seu toque. Esquecer todas as vezes que ele disse que me amava, e que eu tinha sido a melhor coisa na sua vida.

"Eu acredito que ela te faça mesmo muita falta. Eu compreendo que ainda hoje esteja a ser muito difícil para ti" ele murmura

Não ele não compreende. Ninguém compreende o que é perder uma mãe. Eu não preciso que tenham pena de mim.

"Não Zayn. Tu não compreendes, aliás ninguém compreende" a minha voz é tremula

"Ninguém consegue imaginar sequer, eu sempre tive fama de ser uma miúda mimada com uma vida de um conto de fadas mas nunca foi assim, e por mais que tentem ninguém sabe o que é ficar sem uma pessoa tão importante, ninguém conse-"

"Eu não tenho pai" a sua voz rouca interrompeu-me e eu instantaneamente olhei para o Zayn e senti a minha respiração ser cortada antes que eu pudesse pensar em alguma coisa.

Como é que ele foi capaz.

Como é que ele foi capaz de dizer à filha da mulher que ele próprio tirou a vida que a compreendia?

Como?

"Ainda por cima eu sei que tu e a tua mãe sempre foram muito ligadas. Sabes eu cheguei a conhece-la."

Ele conheceu-a?

"Ela era uma mulher cheia de garra e confiança. Vocês são bastante parecidas" a voz rouca dele terminou

Um nó atou-se na minha garganta prendendo todas as minhas forças e os meus olhos estavam, de novo, pesados.


Se há coisa que nós não somos é parecidas. Quem me dera a mim ter metade da garra e da confiança dela, como ele diz.


Como é que ele foi capaz?

Ele sabe, ele esteve lá. Porque é que ele nunca me contou? Talvez se ele me tivesse contado e tivesse uma boa justificação...

Para de defende-lo Emma!

Não à justificação possível. O Zayn matou a minha mãe. A minha mãe.

E eu queria tanto mas tanto, conseguir querer que ele morresse como lhe fez a ela.

"Posso ajuda-la" um corpo que faz dois do meu faz-me parar e a minha linha de pensamentos quebra-se

Fire || Z.MLeia esta história GRATUITAMENTE!