"Gisela? É esse o nome dela?" ele perguntou dando um sorriso malicioso.

Não. O Zayn não vai fazer perguntas sobre ela.

"Já que estás assim tão interessado porque é que não lhe perguntas-te? Quando eu cheguei vocês estavam a conversar" eu disse tentando mostrar-me o mais indiferente que conseguia e o Zayn limitava-se a olhar para mim ainda encostado ao sofá e com os braços cruzados ao peito enquanto rodava o papel que tinha na mão por entre os dedos.

A sério que ela lhe deu o número? Ela é tão vadia, parece uma cadela com o cio.

 "pelos vistos até trocaram números, liga-lhe a perguntar" eu disse vendo vários números escritos no papel que o Zayn segurava na mão, e este limitou-se a dar um sorriso fraco como se a gozar comigo fazendo-me revirar os olhos e virar costas.

Por favor. Eles que se juntem os dois assim só se estragava um casa.

"Não." A voz do Zayn suou após eu ter dado dois passos fazendo-me parar e olhar para ele de novo "Á uns tempos atrás sim. Eu tinha ligado" o Zayn disse meio que como para ele próprio enquanto o seu olhar se concentrava apenas no papel que tinha entre os dedos "Mas agora não preciso de mais uma vadia na minha vida" ele disse agarrando no papel com as duas mãos rasgando-o em vários pedaços.

O que quis ele dizer com 'mais uma vadia' e com o 'á uns tempos atrás'?

"O que é que mudou, de á uns tempos atrás?" Eu perguntei instantaneamente sem pensar mas arrependi-me assim que os olhos do Zayn olharam diretamente para os meus e expressão séria voltou á sua cara.

Segundos se passaram e ele não disse nada, apenas me olhava com aquele olhar que chegava a ser intimidante e que parecia queimar cada centímetro da minha pele.

Não sei, mas eu nunca vi ninguém assim. Ninguém que mudasse tanto de um momento para o outro, ninguém que fosse tão imprevisível. Eu nunca sei se posso fazer perguntas ao Zayn, nunca sei se posso dizer aquilo que penso, nunca sei que atitudes posso ter e tomar ao pé dele.

É como se lidar com o Zayn fosse viver num mundo novo. Sempre que falo com ele é como se mudasse de mundo. Há mundos em que o Zayn me responde, é descontraído e ás vezes até brinca comigo. Mas à outros em que ele se fecha completamente, e fica com aquele olhar de quem tudo vê e nada encontra.

Gostava de conhecer realmente o Zayn. Com o sentido de para mim as suas ações não serem sempre um caminho desconhecido. No sentido em que eu posso dizer alguma coisa e prever como ele vai reagir. Isso nunca acontece com ele. Ele consegue sempre fazer o que eu não estou á espera e isso assusta-me.

E eu gostava de saber o porquê de ele ser assim? O porquê de sempre, mas sempre que falamos dele, do passado dele, ou alguma coisa relacionada com ele, ele se transformar completamente.

Como se ele próprio não se conhece-se a si mesmo e tivesse medo de se conhecer.

Não sei se isto faz lógica porque já nem no meu subconsciente os meus pensamentos fazem qualquer tipo de lógica.

Mas quando eu pensava que o Zayn já não ia falar, a sua voz rouca suou enchendo a sala respondendo a minha pergunta ' o que é que mudou, de á uns tempos para trás?'

"É estupido eu nem saber porque é que mudou quanto mais o que é que mudou" a voz rouca suou deixando a minha mente ainda mais confusa.

E como sempre ele deu uma resposta sem me responder. O Zayn dá sempre estas respostas que só me põe a pensar mais e me fazem refletir no que ele disse umas 10 vezes para encontrar o verdadeiro significado das frases que ele diz.

"Vou ter que sair, volto daqui a menos de uma hora" a voz do rapaz a minha frente voltou a suar acordando-me dos meus pensamentos e vendo este a pegar no casaco e a sair sem dizer mais nada.

"Porque é que tens de ser tão complicado?" eu falei em frustração passando as mãos pela cara assim que ouvi a porta a fechar.

Tenho a cabeça tão cansada. Acho que se tivesse de ouvir a voz da Gisela durante mais meia hora a minha cabeça rebentava.

"A falar sozinha menina?" a voz doce da Marihana fez-se ouvir atrás de mim fazendo-me quase saltar de susto.

"Ai Marihana, eu já nem sei o que fazer estou a dar em louca" eu disse suspirando de novo em frustração aproximando-me da senhora que me olhava com carinho.

"Vinha perguntar-lhe se queria que lhe preparasse o lanche?" ela disse olhando para mim enquanto tinha as suas mãos juntas á frente do avental e o seu típico sorriso na cara.

"Não Marihana não tenho fome obrigada na mesma" eu disse e esta assentiu sem insistir "Acho que vou até ao atelier da minha mãe pintar, preciso de alguma coisa para me distrair" eu disse decidida a fazer o que estava a pensar.

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