Acordei e logo uma dor forte me atingiu o peito. Os meus olhos abriram-se e eu tive vontade de voltar a dormir novamente. 

Voltar a dormir e nunca mais acordar.

Hoje é segunda feira.

Fazem 3 anos que a minha mãe morreu. 

Sim, 3 anos já é algum tempo mas o sentimento de mágoa e angustia continua ser o mesmo. Hoje vai ser um dia complicado.

O meu pai e o meu irmão estão fora. As únicas pessoas que eu tenho estão longe de mim. 

Eu costumo falar com o meu pai de vez em quando e falo com o meu irmão praticamente todos os dias.

Mas não é a mesma coisa. E ainda por cima hoje, eles parecem os dois que não têm sentimentos. O meu irmão compreendo porque é dia de semana e ele está a estagiar no estrangeiro e é bastante complicado para ele vir cá.

Mas o meu pai? Ele teve a lata de me dizer que haviam coisas mais importantes na vida. Que não podia vir e que achava que eu não deveria ir visitar a campa da minha mãe porque aquilo já não é nada, que passados 3 anos aquilo já são só ossos e que já não é a minha mãe que está ali.

Como é ele pode dizer isto? Como é que ele pode dizer isto a uma filha?

Eu sei que a minha mãe já não esta ali, é apenas o corpo dela sem alma e vida. Mas é a coisa mais próxima que eu tenho dela. Custa-me imenso ir lá, eu odeio mas eu faço isso por ela.


Levanto-me a todo o custo e sinto a minha cabeça pesada. Parece que apanhei uma bebedeira.

Mas não eu não andei a beber. Aliás eu ontem acabei mesmo por não ir à festa. Depois da discussão que tive com o Zayn na sexta eu não o voltei a ver. Ele fez me aquele aviso para eu não sair de casa e foi se embora. E ontem não pôs aqui os pés.

E na verdade espero que hoje também não. Eu sei que o Zayn me avisou para não sair de casa mas eu hoje não quero saber, eu apanho um táxi ou qualquer coisa.

Sinceramente nem sei se ele á tarde me vem buscar para me ir levar á escola mas espero bem que não. Hoje estou sem cabeça nenhuma para as aulas.

"Posso" oiço uma voz doce seguida de uma batida na porta.

"Entre" eu disse e senti a minha voz fraca.

"Bom dia menina" a Marihana diz com a sua voz doce enquanto a vejo entrar.

"Bom dia" eu falei tentando lutar contra a fraqueza e o silêncio da minha voz.

"Já está a pé tão cedo?" ela falou esboçando um sorriso tentando animar-me.

Eu sei perfeitamente que ela sabe que dia é hoje. Eu sei que para ela também lhe custa. Ela adorava a minha mãe. E a minha mãe simplesmente a adorava a ela, desabafavam uma com a outra, partilhavam historias, ajudavam-se, ela nunca à de ser só uma simples empregada para ninguém desta casa.

"Sim. Vou ao cemitério agora de manha" eu disse e senti o olhar de Marihana em mim.

Acho que essa ideia também não lhe agradava muito.

"Acha mesmo boa ideia menina?" ela perguntou e eu olhei seriamente.

Foda-se mas será que ninguém intende?

"Ha.... Quer dizer... vai sozinha... não sei se é boa ideia" ela disse desculpando-se e eu arrependi-me de ter olhado para ela daquela maneira "Pelo menos peça ao menino Zayn para ir consig-"

"Ele não aparece cá á um dia. Se ele estivesse preocupado já tinha vindo. Eu não lhe vou ligar" eu disse interrompendo-a começando a dirigir-me ao meu roupeiro.

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