"Vai te embora Zayn" eu pedi sum sussurro enquanto me afastava dele e ambos nos encarávamos.

"Emma..." ele disse aproximando-se novamente de mim tentando alcançar-me

"Não me toques" eu murmurei sentindo a minha voz tremula afastando-me do seu toque

"Emma, desculpa. Eu não sabia que hoje.." ele disse encarando os meus olhos "Eu não queria ter falado contigo assim" ele desculpou-se e voltou a dar um passo na minha direção ao qual eu me afastei de novo

"Deixa-me ficar sozinha Zayn" eu pedi quase implorando sentindo um nó na minha garganta a asfixiar-me

"Eu não te vou deixar sozinha no estado em que estás. Eu corri a cidade toda a tua procura tu não devias ter saído sem mim-" 

"Para" eu disse desesperadamente levando as mãos à cara "Eu sei que me avisas-te que se eu saísse de casa tu nunca mais me ias ajudar. Por isso se queres ir Zayn, então vai. Se me queres deixar morrer então deixa. Se queres discutir comigo como fizeste à dois dias então depois discutes. Eu não quero saber. Agora se tu depois deste tempo todo tens um pingo de consideração por mim, ou nem que seja pelo meu pai, respeita o lugar onde estamos e deixa-me, ficar, sozinha. Por favor." eu pedi com todas as únicas forças que eu tinha e ele apenas me encarava.

Os nossos olhos estavam presos um no outro e era como se o mundo tivesse parado de rodar. Dava-se uma guerra entre o verde e o castanho que parecia não conseguir ser travada por nada nem ninguém.

Pareceram-se passar anos e ambos estávamos imóveis até ele cortar a nossa ligação. Ele desviou os seus olhos para outro ponto qualquer daquele sitio e assentiu com a cabeça em forma de desistência.

Ele girou nos seus próprios calcanhares e sem dizer um única palavra virou costas e começou a andar.

Novamente a as lágrimas atacaram a minha cara e eu fui obrigada a colocar uma das mãos na minha boca para abafar os soluços.

Eu queria que ele tivesse ficado. Eu queria tanto que ele me abraça-se, que disse-se que está tudo bem e que ele está ali para mim. Eu queria tanto, tê-lo aqui comigo.

"Foste muito estúpida se alguma vez pensas-te que eu te queria para mais alguma coisa sem ser isso"

"Foda-se" eu sussurrei dando um pontapé na arei do chão fazendo pó formar-se.

Aquela maldita frase não me sai da cabeça e parece ecoar nela a cada segundo.

As minhas mãos voltaram a agarrar o meu cabelo com força e eu estava a ficar
desesperada. Apetecia-me gritar e partir tudo à minha volta.

"Eu preciso tanto de ti mãe" a minha voz saiu acompanhada do meu choro e eu fechei os olhos com muita força mas mesmo assim os soluços teimavam em sair-me pela boca.

Eu sentia-me uma pequena criança a implorar para que quando abrisse os olhos a mãe estivesse lá e que tudo não passa-se de um pesadelo.

Mas isso não aconteceu. Os meus olhos encontraram a campa dela exatamente ali, onde a 3 anos ela tinha sido enterrada.

A sua imagem novamente era a única coisa que me fazia ficar ali. Eu sentia-me tão perto dela mas tão longe. Eu podia quase ouvir o riso dela mas era como seu eu fosse surda. Eu podia quase senti-la mas é como se eu não fosse capaz de sentir.

Era uma dor tão grande e tão forte que eu nunca pensei que pudesse estar toda dentro da mesma pessoa. Eu sentia-me a queimar por dentro.


***

Cerca de meia hora se passou. Acho, não tenho a certeza.

Eu caminhava agora lentamente quase arrastando-me por entre os caminhos do cemitério. O silêncio era a única coisa que estava comigo naquele momento. Não estava ali ninguém. Apenas eu.

Sentia os meus olhos inchados e eles ardiam-me. A minha cabeça parecia rebentar a cada passo que eu dava e sentia o meu estômago tão vazio que o meu instinto era contorcer-me.

Sentia a minha garganta seca e cada vez que respirava os meus pulmões tinham uma guerra entre eles.

Eu sentia-me tão, tão mal.

De longe comecei a avistar os grandes e altos portões pretos e eu sentia-me presa a ficar deste lado.

Mas isso só parecia magoar-me mais. Eu queria ficar ali, não sei porque mas eu queria, fazia-me sentir perto dela. Mas ao mesmo tempo eu só queria correr para casa e trancar-me no meu quarto.

Mais uma vez obriguei os meus pés a arrastarem e respirei fundo assim que sai daquele lugar.

As minhas mãos estavam afundadas nos bolsos do meu casaco e os meus pés pareciam a paisagem mais bonita que eu encontrava para olhar.

Tenho um longo caminho até casa. Podia ter chamado um táxi, mas só o tempo que ia ficar à espera dele já faço meio caminho ate casa.

"Emma" aquela voz suou fundo na minha cabeça e senti o meu coração palpitar com força

Era a voz dele outra vez.

"Emma espera" ela voltou a suar e eu abanei a minha cabeça como se para a afastar e instantaneamente comecei a andar mais depressa

"Emma para" a voz suou de novo junto a mim e senti o meu braço ser puxado na direção contrária

"Larga-me" eu disse assim que os meus olhos encararam os dele soltando-me

O que é que ele estava aqui a fazer?

"O que é que estás aqui a fazer?" eu perguntei sendo direta sentindo o seu olhar em mim

Ele parecia examinar-me atentamente como se a descobrir os pensamentos que me iam na cabeça.

"Eu não te ia deixar aqui sozinha, eu fiquei aqui a tua espera para te levar" a voz dele suou calma.

"Não te valeu de nada a espera" eu disse sentindo a minha voz fraca

"Mas o meu trabalho é este" a voz dele suou fazendo eco pela minha cabeça e eu tenho tanta vontade de lhe bater.

E lá está de novo o assunto da merda do trabalho. Maldita a hora que o meu pai o escolheu a ele.

"Tens razão" a minha voz sua sarcástica "Mas podes muito bem ir embora. Eu
não digo nada ao meu pai" eu disse virando costas começando a andar.

Como é que ele pode ser tão estúpido.

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