Capítulo 78

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 MURILO CARDOSO (ELFO)

Desço as escadas olhando ao redor e depois olho no relógio, já tem algum tempo que a Vanessa saiu, mas ainda não voltou. Respiro fundo porque não quero perder o controle, e sei muito bem que ela vai ficar brava se eu for atrás, mas caralho, é muita demora para quem só foi acompanhar outra pessoa.

Começo a andar pela cozinha impaciente e vejo uma sacola na mesa, quem deve ter comprados essas coisas e não guardou foi a Vanessa, só tem os gostos dela qui. Ela não ficaria sem comer o que tava com vontade dessa forma, foda-se, eu vou atrás.

— Elfo, tá tudo bem? — A Manuela pergunta ao me ver irritado indo em direção a porta.

— Tá um caralho, quero saber cadê a Vanessa que ainda não voltou — Respondo com a mão na maçaneta pronto para sair de casa.

— Mas você acha que tem como ter acontecido algo aqui dentro do morro? — Ela pergunta um pouco nervosa — Aqui é sempre bem protegido, e todo mundo já conhece ela.

— Eu acho melhor eu ir conferir, não to gostando nada disso — Eu falo abrindo a porta e escuto alguém me gritando.

Saio de dentro de casa em passos rápidos sendo seguido pela Manuela que vem logo atrás de mim, eu já tiro a arma da minha cintura, porque se eu precisar dela, já está na mão, mas me assusto ao ver que quem está me chamando é um grupo de três adolescente.

— Que bagunça é essa aqui? — Pergunto um pouco irritado, não é culpa deles, mas eu não consigo me controlar.

— Desculpa Elfo, é que... — A menina do trio começa a falar e me olha com medo — Fala você Neto.

— Era para você falar com ele — o Neto responde sem me olhar, mas o outro menino revira os olhos.

— Elfo, a gente tava jogando na rua e viu uns caras jogarem a sua mulher e uma outra mulher bonita em um carrão de luxo e irem embora — Ele fala de uma vez.

— Que porra, como assim caralho? — Eu pergunto com raiva e ele arregala os olhos dando um passo para trás, e a Manuela segura o meu braço.

— Calma, Elfo — Ela pede e passa na minha frente — Me conta essa história direito, e eu dou uma recompensa boa para cada um.

— A gente viu elas passando e ficou olhando, porque elas são muito bonitas — O Neto diz e eu fico encarando ele com a expressão fechada e o vejo engolir seco.

— Daí surgiu uns caras que a gente nunca tinha visto e nós nos escondemos porque ficamos com medo deles fazerem algo com a gente — A menina fala e eu vou ficando mais nervoso por eles não explicarem de uma vez. Quero dizer, o principal eu já entendi.

Sequestraram a Vanessa e isso está me corroendo, mas sei que preciso das informações que essas crianças me deram sobre isso.

— Eu conheço eles — Um menino diz e eu arqueio a sobrancelha — Quero dizer, não conheço, mas vi eles hoje pelo morro com aquela garota da bundona.

— Que garota? — A Manuela pergunta — E vocês viram o que fizeram com a Vanessa?

— Eles apontou armas para elas e as arrastou para o carro — O menino explica e pensa um pouco com a mão no queixo — Eu não sei o nome dela, mas ela tem uma bunda bem grande.

— Aquela legal ou aquela da cara empinada? — A Menina pergunta e eu já estou pensando quanto tempo levaria para esse menino sair conferindo todas as bundudas do morro.

— A de cara empinada.

— A Leandra? — A menina pergunta fazendo uma careta.

— Essa mesmo, eu vi ela falando com eles hoje — O menino afirma.

Eu achei que uma ameaça tinha sido o suficiente, mas ela realmente foi além de tudo, a Leandra não vai passar mais um dia sequer respirando e quero ver quem vai entrar no meu caminho para me impedir de qualquer coisa.

— Você tem certeza do que está falando? — A Manuela pergunta séria.

— Absoluta — Ele garante e beija os dedos como quem faz um juramento — Eu juro, juradinho que vi eles juntos, mas eu não conheço eles de conversar, só de ver.

— Tudo bem, obrigada por virem falar — A Manuela toma a frente novamente.

Eu estou sentindo o meu sangue ferver dentro de mim, eu vou matar essa puta da Leandra, mas ela não perde nada por esperar. Pego meu celular e mando uma mensagem avisando que é para pegarem a Leandra e levarem para a mata agora, que quando eu chegar lá, já quero que ela esteja lá.

— Passem aqui amanhã que eu vou dar uma quantia em dinheiro para vocês, entenderam? — A Manuela fala e eles assentem — Agora vão que a gente precisa resolver isso e não é para ficarem falando nada por aí.

— Mas amanhã você vai mesmo dar a recompensa para nós, né? — A menina questiona.

— Sim, podem ficar tranquilos — A Manuela garante e do mesmo jeito correndo e espalhafatoso que eles vieram, eles saem correndo.

— Que caralho! — Eu exclamo irritado — Eu vou matar quem tiver sido o filha da puta.

— A gente sabe quem foi — Ela diz séria e eu olho para ela com a testa franzida, que porra essa garota está falando? — O Drogo.

— Por que você acha isso? — Questiono estralando o pescoço.

— A polícia não faria esse tipo de abordagem, ainda mais levando a outra garota que não tem nada a ver — Manuela diz com a expressão séria — Espero que você acabe com a puta da Leandra, mas já começa a pensar em como vai tirar a Vanessa das garras do Drogo, porque eu tenho certeza que ela está lá.

— A Leandra não vai acordar amanhã — Eu falo sério — E o próximo a rodar vai ser o Drogo, vou matar ele com as minhas mãos, e que todo mundo se prepare para a guerra.

— Vai fazer o que você tem que fazer, que eu vou pensar em algo aqui — Ela diz começando a andar para dentro de casa.

Eu volto também, mas porque preciso pegar a minha moto para ir para a mata, que é um lugar meio desértico que eu uso quando preciso me livrar de alguém. O sangue nas minhas mãos nada mais é que os ossos do ofício.

A vagabunda da Leandra teve a porra da chance dela de ficar viva, mas disperçou. Como pode ser tão surtada ao ponto de ir tão longe por causa de alguém que nunca quis ela, porque eu nunca sequer dei chance para aquela vagabunda.

Respiro fundo e começo a pilotar pelo morro, eu vou encontrar a Vanessa rápido, não vou correr o risco de deixar que ela se machuque de alguma forma, nunca mais.

E hoje eu aprendi duas coisas, coisas que eu já deveria saber, mas nunca mais vou deixar que se repita. Primeiro, perdoar alguns erros tornam as coisas piores depois, não existe a possibilidade de dar uma segunda chance.

E segundo, não importa se a Vanessa vai me achar um controlador, é melhor que ela fique com raiva de mim, mas em segurança do que sumida porque eu não agi como deveria. Não a protegi como eu queria.

Hora de corrigir alguns erros.

Anatomia do Caos - MorroOnde as histórias ganham vida. Descobre agora