Capítulo 35

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Vanessa Aguiar

Escuto algumas batidas na porta e limpo os olhos rapidamente, não quero mostrar que estou chorando independente de quem estiver prestes a entrar, mas eu sei que não vou conseguir esconder os olhos vermelhos e o rosto inchado, mas vou tentar fingir que estou bem.

— Entra! — Exclamo, autorizando.

Vejo a porta sendo aberta e o Elfo entrando. Sua expressão tranquila muda no mesmo instante que ele me vê.

— Eu vim te chamar para jantar, mas você não parece bem — Ele diz cuidadoso e eu tento sorrir, mas falho miseravelmente — Quer conversar?

— Quero — Respondo limpando os olhos enquanto ele se senta — Mas não sobre isso.

— Sobre o que? — Ele pergunta me olhando sério.

— Eu vou precisar daquele favor — Falo sendo direta e vejo ele deixar um sorriso pequeno escapar — eu sei que eu disse que nunca precisaria dele, mas a situação mudou.

— Eu não ia falar nada — Ele diz em um tom divertido e eu reviro os olhos — O que você precisa?

— Eu preciso de proteção até minha irmã entrar em contato comigo e eu poder ir embora — Explico e respiro fundo — Eu não me importo de não ficar na sua casa, se você só me ajudar a ficar em algum lugar até isso acontecer e aqui dentro do seu território, porque eu acho mais seguro.

— Do que exatamente você está se escondendo? Sendo mais claro, de quem? — Ele pergunta e o ar divertido já se extinguiu.

— Meus pais, isso significa que eu estou falando da polícia — Eu digo receosa e ele acena — E do Drogo.

Ele puxa o ar com força e me olha sério, talvez avaliando a situação. Sua expressão é séria e ele passa a mão no cabelo jogando ele para trás e eu o acompanho com os olhos.

— Por que você está se escondendo do Drogo? — Ele pergunta e eu suspiro.

— Meu pai tem algum tipo de acordo com ele e... — Respiro fundo, nervosa, é constrangedor ter que falar sobre isso, mas acho que é necessário — e eles fizeram algum tipo de acordo no qual eu teria que me casar com o Alexandre.

— Acho que eu não entendi direito — Ele diz ficando de pé — Que caralho é esse?

— Eu vi ele, estive no mesmo ambiente, eu achei que ele fosse me matar, mas ele disse que não é esse o objetivo dele mais, porque era — Falo e vejo ele apertar as mãos em punho.

— Qual o objetivo dele? — Ele pergunta entredentes.

— Me transformar num tipo de escrava ou "boneca" que ele tem controle para fazer o que ele quiser — Suspiro chateada — e os meus pais iam me entregar de bandeja para ele.

— Eu avisei que seu pai era corrupto — Ele joga e eu olho para ele um pouco irritada.

— Entre ser corrupto e entregar a filha de bandeja para um traficante, existe uma grande diferença — resmungo irritada.

— Se acalma e respira fundo, vamos continuar resolvendo essa situação — Ele diz mudando o foco da conversa, para não brigarmos.

— Certo, vamos voltar ao ponto principal — Falo respirando fundo e com calma — você consegue garantir minha segurança e me ajuda com algum lugar para ficar?

— Você me ofende perguntando se eu consigo, é claro que eu consigo, porra — Ele diz sério — E você não vai a lugar algum, vai ficar aqui na minha casa até tudo estar resolvido, aqui é o lugar mais seguro do complexo inteiro.

— Eu não quero atrapalhar a rotina — Falo um pouco sem graça e ele senta na cama perto de mim.

— Parte dessa situação é por minha causa e eu disse que iria te proteger do Drogo, mesmo que eu tenha que tomar o território dele e matar ele é cada um dos seus, você vai ficar bem, entendeu? — Ele diz segurando no meu queixo com um pouco de força, mas sem me machucar, apenas para me fazer olhar direto nos seus olhos.

— Entendi — Respondo baixo.

— Você não vai ter que se preocupar com nada, eu vou garantir que você fique bem, inteira, até que chegue a hora que você for embora — Ele diz baixo e eu respiro fundo — Eu vou cuidar de você, Vanessa.

Eu fico em silêncio olhando para ele, em seus olhos, e consigo observar o quão intenso é o olhar dele, quanto o seus traços são marcantes e sinto o ar ficando denso ao nosso redor.

— Elfo... — Eu falo baixo, com a voz fraca.

— Vai ficar tudo bem — Ele diz e se aproxima, beijando minha testa — Eu cumpro tudo o que eu prometo.

Sinto o meu coração acelerado, mas ele se afasta, e eu me sinto um pouco frustrada. Mas de certa forma, me sinto bem, porque no momento estou muito abalada, e hoje eu não sei se um contato tão íntimo me faria bem e eu fico feliz por ele ter respeitado o meu espaço pessoal, meu momento.

— Vamos jantar, a Manu já deve estar quase subindo — Ele diz estendendo a mão para me ajudar — E Vanessa.

— O que? — Pergunto segurando a mão dele, sentindo o tanto que ela está quente.

— Tudo o que você precisar, qualquer coisa, é para você me falar — Ele diz sério e eu aceno — Até se for uma calcinha, entendeu?

— Entendi — respondo rindo enquanto me sinto constrangida.

— Ótimo, agora vamos — Ele diz e começa a me guiar.

Ele não solta a minha mão enquanto ele me puxa pela casa, eu  me sinto estranhamente acolhida perto dele, e pela forma como ele lidou com tudo, isso me faz sentir um calor dentro do peito, e ainda bem, porque eu também me sinto tão assustada com tudo. Acho que vai ser difícil superar.

A gente chega na sala e eu descubro que a janta é pizza com coca-cola e quase caio para trás com as piadas de duplo sentido da Manuela, mas me sinto bem e acolhida por ela também. Acho que uns dias aqui não vão ser tão assustadores quanto eu estava pensando que seria.

Vai ficar tudo bem, eu sei que vai.

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