Capítulo 48

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Murilo Cardoso (Elfo)

Eu saio do quarto depois que a Vanessa dorme, não queria que ela tivesse dormido sem comer nada, mas sei que ela ficou muito cansada. Dormir um pouco vai ser bom para ela repor as energias e se acalmar um pouco, a verdade é que ela precisa pensar um pouco e me escutar, não sei de onde ela tirou que eu estou tentando mandar nela, tudo o que eu quero é que ela fique bem e segura. Será que ela não vê o quão ruim é ir até um bairro que eu não tenho controle de porra nenhuma? O que caralhos eu vou fazer se o pai dela por as mãos nela? Porque eu não posso simplesmente deixar que ela volte para a casa dos pais dela.

O Jeito que ela chegou aqui, completamente machucada e debilitada, não pode se repetir nunca mais. Eu não tenho pretensão nenhuma de abrir mão dela e não sei como vai ser quando essa irmã dela ressurgir, mas vou fazer o que estiver ao meu alcance, é uma pena que eu não possa colocar sequestro nas opções. Mas quem sabe, né?

Quando desço o último degrau da escada fico surpreso ao ver que ainda ficou alguém aqui, achei que com a quantidade de barulhos que nós fizemos, eles teriam ido embora para não ficar ouvindo. Me aproximo do sofá e vejo a Manuela sentada no sofá com as pernas esticadas, comendo pizza e assistindo uma animação qualquer.

— Você precisa de um pouco de água — ela diz sem tirar os olhos da tela, e eu fico confuso.

— Do que você está falando? — pergunto ciente de que ela está preparando alguma piadinha.

— Você deve ter desidratado lá em cima — Ela fala rindo e eu reviro os olhos — Estou traumatizada, agora sei porque nunca trouxe ninguém para transar aqui.

— Essa é a nossa casa, não ia trazer qualquer puta para cá — falo dando de ombros enquanto sento no sofá — Chegou a muito tempo? Encontrou com o Gota e a Laura?

— Coitados, eles também foram obrigados a ouvir isso? — ela pergunta com falso pesar e começa a rir quando eu jogo uma almofada nela — Quando eu cheguei, eles não estavam aqui, pode ficar de boa.

— Se tem uma coisa que eu não posso, é ficar de boa — Reclamo respirando fundo — Vanessa dá muito trabalho.

— Você não é pai dela para resolver os problemas dela — Ela diz dando de ombros e eu arqueio uma sobrancelha encarando ela — Eu gosto dela, ok? Mas eu já falei o que acho, está se envolvendo muito com alguém que vai embora.

— É uma merda, né? — Pergunto sem esperar resposta — Mas fazer o que se ela me conquistou desde o primeiro segundo em que coloquei os olhos nela?

— O que você pretende fazer? — Manuela pergunta desligando a televisão e me olhando séria — Te conheço.

— Eu vou fazer o que eu tenho que fazer, cuidar da minha gata — Falo dando de ombros — e se para isso eu tenho que invadir o morro do Drogo, matar todos que ficarem no meu caminho, até que eu arranque a cabeça dele, é o que eu vou fazer e nada e nem ninguém vai ficar no meu caminho.

— Não vai agir com a cabeça quente — Ela me repreende e eu sorrio — Estou falando sério, Murilo.

— Eu não sou tão imprudente quanto você pensa, Manu, sei o que eu tenho que fazer — Respondo como se fosse óbvio — você sabe que de qualquer forma, eu já teria que tomar alguma providência, aquele filha da puta entrou aqui, eu não vou deixar isso sem volta, se era guerra que ele queria, então é guerra que ele vai ter.

— Eu queria poder falar que isso é extremo, mas eu sei que você tem razão — Ela diz e eu percebo o tom chateado — mas você não pode me culpar por querer seu bem estar, querer que você se arrisque o menos possível — Ela respira fundo — você é a única pessoa que tenho, não pode ser um desgraçado e me de deixar sozinha aqui.

— Eu não vou te deixar sozinha — Falo me sentando ao lado dela — Eu sempre cuidei de você, e isso não vai mudar, eu ainda não te estressei o suficiente.

— Obrigada por isso — Ela diz me abraçando e eu sorrio.

— Não tem que me agradecer por isso, além de tudo isso, eu gosto muito de viver — Falo tranquilizando ela — Não vai ser um filha da puta qualquer que vai cancelar o meu cpf. Quando ele menos esperar, ele já era e eu vou ficar ainda mais poderoso do que eu sou, entendeu?

— Eu só quero que tudo se resolva e a gente fique tranquilo — Ela diz e me olha nos olhos — É a última vez que eu vou perguntar isso, eu juro, mas você vai realmente fazer tudo pela Vanessa? realmente gosta tanto dela assim?

— Eu realmente gosto dela é realmente vou fazer o que eu tiver de fazer para que ela fique bem e protegida, não tenha dúvidas sobre isso — Falo firme — mas é engraçado se você parar para pensar que meu caminho já estava no dela de qualquer jeito, eu já estava pensando em fazer algo com o vagabundo do delegado Aguiar, aquele corno do caralho está sempre ficando no meu caminho e eu preciso me livrar dele o quanto antes, talvez agora com mais urgência.

— O que aconteceu agora? — Ela pergunta preocupada — Ou é sobre a Vanessa?

— Ele está atrapalhando o trajeto das minhas mercadorias, e é sobre a Vanessa também — Concordo.

— O que vai fazer? — Ela pergunta e eu fico de pé, e bagunço o cabelo dela.

— Boa noite maninha — Respondo me afastando.

— Você não vai me contar? — Ela pergunta, ficando ajoelhada no sofá.

— Você sabe que não, quanto menos eu te envolver nos negócios, melhor é — Falo indo em direção a escada.

— Eu acho que você é um teimoso — Ela reclama e eu rio.

— Boa noite, Manuela — Falo subindo as escadas, ignorando o que ela está reclamando.

Não importa o quanto ela tente, não vou deixar que ela se suje com nada, por mim, ela nem estaria morando aqui, poderia estar fazendo intercâmbio ou morando em algum bairro no centro, mas ela é teimosa e quer ficar aqui. Eu gosto do morro, mas sei que lá fora ela teria muito mais oportunidades.

Entro no corredor dos quartos e por um momento fico em dúvida sobre em qual quarto eu deveria entrar, mas logo essa indecisão passa. Eu sei exatamente onde eu quero ficar.

Entro no quarto e me deito ao lado da Vanessa, que resmunga algo, mas me abraça sem nem mesmo acordar, eu fico fazendo carinho no seu braço até finalmente sentir o sono fazendo minhas pálpebras pesarem e o meu corpo relaxar, ela me acalma na mesma medida que consegue me estressar.


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