Capítulo 41

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Murilo Cardoso (Elfo)

Acordo abraçado a Vanessa, ela parece dormir tranquila, aninhada contra o meu peito, e eu sinto um sorriso brotando no meu rosto, eu não sei se deveria me deixar envolver tanto assim com ela, mas acho que agora é tarde demais para eu pensar sobre isso, porque eu já estou muito envolvido e eu quero muito ela do meu lado.

Eu não lembro quando foi a última vez que eu me apaixonei por uma mulher, e não me lembro de ter dormido com uma, mas ter acordado com a Vanessa nos meus braços foi realmente bom, se eu pudesse passaria o dia todo aqui com ela, apenas nos curtindo, mas eu tenho umas coisas para resolver e vou precisar ir.

Me levanto devagar para não acordá-la, e caminho em direção ao banheiro, preciso me arrumar para ir trabalhar, hoje eu tenho que despachar uma mercadoria e receber outra.

Termino de me arrumar e ela ainda está dormindo pesado, acho que a noite foi bastante cansativa para ela. Saio do quarto e vou direto para a cozinha, preciso comer alguma coisa antes de ir, ou talvez eu só passe em uma padaria para comer alguma coisa e mando entregar algo aqui para a Vanessa e a Manuela, se ela já tiver voltado.

— Bom dia — Escuto a voz da minha irmã e sei que ela já está em casa — Carinha animada, transou né?

— Eu não vou te falar da minha vida sexual — Respondo olhando para a Manuela que vem da cozinha com um copo na mão e a mesma roupa da noite anterior — Chegou agora?

— Sim, fui me divertir também, ontem teve muita confusão, precisava relaxar um pouco — Ela responde dando de ombros — Nunca pensei que a Vanessa fosse uma imã para problemas dessa forma.

— Não pensou mesmo? — Pergunto arqueando a sobrancelha — Sério?

— O que? Ela merecia pelo menos o direito da dúvida — Manuela rebate e eu rio.

— Nunca falaram para vocês que é feio falar dos outros pelas costas? — Vanessa pergunta parada no meio da escada, ela está com uma camiseta minha que ficou no meio das coxas e o rosto levemente inchado de sono.

— Então fica aí que vamos continuar falando, mas agora na sua frente — Respondo brincando e a Manu ri.

— Cuidado, ela tem um ótimo soco de direita — Minha irmã provoca rindo e a Vanessa revira os olhos.

— Por que eu estou sendo alvo de ataques tão cedo? — Ela pergunta fazendo bico e eu vou até ela.

— Estamos apenas constatando os fatos, você quebrou o nariz da garota com um murro só — Falo abraçando ela que retribui o abraço ficando com a cabeça encostada no meu peito — E não é cedo, já passam das dez horas.

— Muito cedo, eu nem sei que horas eu fui dormir ontem — Ela diz fechando os olhos.

— Vocês dois são melosos demais, quem aguenta? — Manuela reclama e a Vanessa ri soprado.

— Você aguenta — Ela responde me abraçando ainda mais.

— Eu vou terminar de tomar meu café da manhã para poder dormir um pouco. Se comportem, hein!? — Manuela diz e sai da sala, nos deixando sozinhos.

— Você está bem? — Pergunto um pouco preocupado, talvez não tenha sido tão bom para ela.

— Estou ótima, mas ainda com sono — ela responde bocejando.

— Então deveria estar na cama — Respondo e beijo a testa dela — Vai deitar, depois eu mando entregar comida aqui para você, é só me mandar uma mensagem avisando que acordou.

— Tudo bem, tenha um bom dia — Ela responde e beija minha bochecha antes de voltar a subir as escadas para o quarto e eu a observo fazendo todo o caminho até sumir de vista.

Desço o restante das escadas, porque eu realmente preciso sair agora, mas paro ao ver o sorrisinho debochado da Manuela que está encostada na parede me olhando.

— Ta aí uma coisa que eu nunca imaginei, você sendo o mais gado dos gados — Ela debocha e eu reviro os olhos. — Não adianta fazer essa cara, você está completamente de quatro por ela.

— E eu ainda não sei onde você está querendo chegar com esse assunto — Falo enquanto caminho até a saída.

— Não estou querendo chegar a lugar algum, só te lembrar que ela vai embora e que está ansiosa para fazer isso — Ela fala e eu olho para a minha irmã, que tem uma expressão séria — Só não esquece disso.

— Eu posso lidar com isso — Respondo e saio de casa, não quero me estender nesse assunto.

Mas não nego que me incomoda imaginar ela indo embora, talvez fosse um detalhe que eu não devesse ter ignorado tanto. Vanessa não é daqui e não veio para ficar, mas eu gostaria que ela ficasse na minha vida. Ela tem a medida exata para se encaixar na minha vida. E eu quero ela. Respiro fundo para me acalmar um pouco, porque afinal, a escolha é dela, ela vai decidir se vai ficar ou vai embora quando tiver que escolher.

Mas não vou me desgastar pensando nisso, se e quando ela for embora, vou continuar seguindo a minha vida como sempre foi, não vou mudar por causa de mulher, não preciso disso.

Pego a minha moto e piloto pelo morro até chegar na base, a casa onde eu administro meus negócios, prefiro separar porque não gosto da Manuela tão envolvida, se alguma coisa um dia acontecer comigo ela estará protegida e terá como viver bem, eu preferiria que ela não morasse aqui, mas ela prefere tanto para não ficarmos separados ou como ela diz, a vida aqui é mais animada. Mas ela só diz isso porque tem opção e dinheiro o tempo todo.

Entro na casa e já vejo o Gota com a expressão fechada ao telefone, isso não é bom sinal. O cumprimento e pego meu celular, preciso ver como as coisas estão e por aqui é por onde eu recebo as notícias mais rápido.

— Tivemos um puto problema — O Gota fala atraindo a minha atenção.

— O que aconteceu? — Pergunto preocupado.

— Houve uma operação da PRF e nós perdemos mais de um milhão em mercadorias — O Gota fala e eu fecho a minha expressão — E eu estava falando com um dos nossos dentro dos federais, e a droga ainda não chegou lá.

— E provavelmente não vai chegar — Respondo com raiva — Manda ele descobrir quem pegou, e vamos descobrir para onde ela vai, e depois vamos recuperar isso.

— Isso vai ser uma guerra...

— Isso já é uma guerra, caralho, e é por isso que eu vou tomar o que é meu de volta, com um troco junto — Aviso e ele me olha com uma expressão estranha.

— Você acha que isso tem a ver com o pai da Vanessa? — Ele pergunta Arqueando uma sobrancelha.

— E com o Drogo, porque eu acho que pelo menos parte da mercadoria vai para ele — Respondo contrariado — Eu não vou deixar isso acontecer, não mesmo.

— Eu vou organizar tudo — O Gota avisa já pegando o celular.

— E quem estava com as coisas, o que aconteceu? — Pergunto.

— Preso, mas já mandei um advogado para eles — Ele responde e eu aceno — Mais alguma coisa?

— Tem, sim, quero que você deixe todo mundo ciente que eu não aceito abuso ou assédio no morro — Falo firme e sério — E eu não vou deixar nada passar.

— Vou mandar os caras espalharem a ordem.

— Ótimo, agora vamos trabalhar — Falo enquanto estralo o pescoço.

O dia vai ser cheio hoje, então melhor eu começar a resolver esses problemas logo, porque estou sem paciência para enrolação. E quem ficar no meu caminho, eu vou atropelar sem dó.

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Oie, tudo bom?? 

Desculpa o atraso, mas finalmente apareci.


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Anatomia do Caos - MorroOnde as histórias ganham vida. Descobre agora