Capítulo 11

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Capítulo 11

Vanessa Aguiar

Eu teria ficado mais tempo na escola se fosse pela minha vontade, mas infelizmente não estou apta a enfrentar outra tortura seguida de carcere privado. Respiro fundo olhando a entrada da minha casa, que mais parece os portões do meu inferno particular.

Hoje mesmo eu vou ligar para a Carol e perguntar se ela me aceita lá com ela. Eu posso trabalhar também, posso fazer qualquer coisa, desde que ela me deixe ficar lá com ela.

Como ainda não posso fugir dessa casa, eu caminho devagar pelo jardim. As casa dentro do condomínio não tem muros e portões, mas a segurança aqui é reforçada, e mesmo que não tenhamos muros, as casas são tão afastadas umas das outras que é até difícil ouvir algum barulho, o que é bom, principalmente porque há dias que escuto o som de um dos vizinhos, e seria horrível se morássemos um pouco mais perto.

Chego na porta de casa e a abro, mas sinto um arrependimento amargo no mesmo instante que passo pela porta de casa e piso na sala de estar, escuto a voz da minha prima Beatriz e da mãe dela, Darla, e sinto um calafrio horrível percorrendo pelo meu corpo. Eu simplesmente não queria estar em casa e encontrar essas duas, que tipo de crime eu cometi? Por que eu tenho a sensação que o universo sente prazer em me ver em situações ruins?

— Filha, que bom que você chegou — Minha mãe me cumprimenta com um sorriso doce.

— É bom te ver, Vanessa, faz tempo que eu não te encontro — Darla diz e eu sorrio falsa. Sinceramente, eu preferiria que nunca mais nos víssemos — Não vai dar um abraço na sua tia??

— Eu acabei de chegar da escola, e caminhei da entrada do condomínio até aqui, estou um pouco suada — Respondo, não é mentira que escolhi andar um pouco, mas qualquer desculpa para que eu não tenha que me aproximar parece boa — Inclusive, vou para o meu quarto tomar um banho e estudar, o vestibular ta bem ai.

— Verdade, vai prestar vestibular para qual curso? — A Beatriz pergunta me olhando com descaso.

— Odonto, eu acho — Respondo dando de ombros.

— Eu vou fazer direito, quero ser juíza ainda — Ela diz e eu respiro fundo, quem disse que eu me importo?

— Bom para você, boa sorte — Respondo caminhando em direção a escada para ir para o meu quarto — Foi muito bom ver vocês duas, espero que a gente se reencontre logo.

— Pode ir e voltar — Escuto a minha mãe falar e olho para ela confusa — Eu quero que você experimente esses vestidos para a festa de sábado, já é depois de amanhã.

— Eu realmente vou precisar ir? — Pergunto, mesmo já sabendo a resposta.

— Vai ser uma festa muito boa — Beatriz comenta e eu me seguro para não revirar os olhos — Você tá desanimada agora, mas tenho certeza que quando estiver lá, vai esquecer esse desânimo.

— É isso mesmo, vem aqui pegar as sacolas — Ela manda levantando as sacolas.

Eu sinto raiva da Beatriz por incentivar, mas sinto mais raiva ainda da Eliza não respeitar minimamente as minhas vontades, não queria experimentar vestidos, não queria ter que ir a nenhuma festa. Mas ela acha que eu sou uma boneca que ela pode controlar como quer, do jeito que quer, e que tem que fazer tudo no tempo em que ela quer. Quando eu sumir daqui, ela vai perceber que não é bem assim.

— Claro mãe — Respondo a contragosto e volto indo até ela para pegar as sacolas.

— Escolha um e desça para eu ver como fica, depois vamos vendo os outros — Ela diz enquanto eu pego as sacolas com as roupas — E não demora muito.

Anatomia do Caos - MorroOnde as histórias ganham vida. Descobre agora