Capítulo 29

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Vanessa Aguiar

Antes que eu diga mais alguma coisa, ele se vira e sai, como se não tivesse me visto aqui, e eu aproveito para correr para a rua. Me sinto grata pelo ato dele.

Quem eu conheço que mora nesse condomínio? Minha mente começa a calcular quem poderia ser uma opção de pedido de ajuda, até que um nome vem à minha mente.

Corro aproveitando a dose de adrenalina que se espalha por mim, eu só preciso chegar nessa casa, ligar para a Laura e eu vou ter onde me esconder o resto da noite, depois eu penso sobre o que vou fazer o resto do dia, preciso focar em sair do alcance do meu pai e depois eu vejo o que faço.

Eu já me sinto exausta quando paro em frente a casa do Bernardo, é loucura vir aqui, mas não tenho opção mais rápida no momento, e ir andando até a casa da Laura é fora de cogitação.

Vou até a entrada da casa e começo a tocar a companhia, deve ser madrugada e eu estou acordando a casa inteira. Muito inteligente, mas tudo bem.

— Vanessa? O que está fazendo aqui? — A voz do Bernardo soa alta, atraindo a minha atenção.

— Eu preciso da sua ajuda — Falo empurrando ele para dentro — Me empresta o seu celular.

— Quê? O quê? Por que você está assim? O que aconteceu com seu celular? — Ele pergunta confuso, e eu respiro fundo, eu devo estar parecendo uma louca — Esquece o que aconteceu com o seu celular, o que aconteceu com você?

— Eu tive uns problemas e preciso ir embora daqui logo, e eu preciso muito fazer uma ligação, por favor — Peço em tom de súplica, estou realmente desesperada.

— Eu deixei no quarto, me espera aqui — Ele fala começando a andar.

— Deixa eu ir com você, não quero que sua mãe me ache aqui, meus pais não podem saber onde eu estou — Falo um pouco sem graça e ele me olha com estranhamento.

— Achei que você fosse ligar para os seus pais, não estou entendendo nada — Ele fala me olhando e parando no lugar — E minha mãe não está em casa, estou sozinho.

— Eu não quero ter que explicar, me sinto constrangida — Confesso e suspiro — E antes que você comente, eu sei que eu estou toda machucada, que meus braços estão roxos.

— sim?? Alguém claramente te bateu! — Ele exclama passando a mão no cabelo — Eu vou pegar o celular.

Ele sobe as escadas pulando de dois em dois degraus e eu suspiro, tá tudo bem, tá tudo bem... repito como um mantra dentro da minha cabeça, eu vou conseguir ir embora, amanhã eu penso no que eu vou fazer, talvez eu mude de cidade, acho que esse é um bom momento para eu dar um jeito de começar a trabalhar na internet logo ou arrumar um emprego normal. Vou ter que agir.

— Voltei!! — Ele avisa e eu suspiro aliviada — Mas acho que você deveria me contar o que rolou.

— Eu acho que você não gostaria de se envolver em problemas — Respondo com sinceridade.

— Nesse ponto você tem razão — Ele concorda e me entrega o aparelho.

— Obrigada, e desculpe mesmo tudo isso — Falo e sorrio para ele — Vou ficar te devendo uma.

— poderia me pagar tirando a chata da sua prima do meu pé — Ele diz e eu arqueio a sobrancelha.

— Eu quero muito saber o que aconteceu, mas preciso ligar para me buscarem primeiro — Aviso e ele acena.

Disco o número da Laura e a chamada é rejeitada, continuo insistindo, e só na quinta vez é atendida e eu suspiro aliviada.

— Que porra é essa Bernardo? São duas horas da manhã! Me deixa em paz — Ela fala irritada, mas eu interrompo antes dela continuar os xingamentos.

Anatomia do Caos - MorroOnde as histórias ganham vida. Descobre agora