Capítulo 06

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Vanessa Aguiar

Laura acabou dormindo no meu colo, e eu tive que desligar o meu celular, não podia continuar com ele ligado ou o meu pai não me daria um minuto que fosse de sossego.

Respiro fundo olhando para o teto. Já contei as manchas nas paredes e as telhas no teto, minha mente já me torturou recuperando cada uma das memórias de ontem, e eu me odeio por ter interferido daquela forma, eu não deveria ter saído do meu esconderijo.

Que diferença faria na minha vida ele ser morto ou não? Eu nem conheço ele, e pior de tudo, agora estou sendo mantida aqui dessa forma. Estou começando a odiar ele.

Ir para casa vai ser muito ruim, no fundo torço para que quando eu chegue em casa, meu pai tenha saído para alguma operação de emergência, ficar em casa só é bom quando ele não está lá. Talvez eu finalmente devesse aceitar o convite da minha irmã e me mudar para a casa dela.

Saio dos meus devaneios quando a porta é aberta pelo Gota que entra com uma expressão séria e eu respiro fundo, o pior de tudo é que eu nem mesmo sei o que eu fiz de errado para ter sido obrigada a ficar presa aqui.

— O chefe chegou e quer falar com você — Ele avisa e eu aceno me levantando devagar.

Escorrego para fora da cama, deixando a Laura sozinha, espero que agora eu consiga resolver isso para poder ir embora, acho que eu surto se isso aqui se transformar em um sequestro de verdade. Espero que esse Elfo não seja um louco com ideias absurdas, tudo o que eu fiz foi ajudar e agora estou mergulhada nos problemas.

O Gota me guia até a cozinha e eu vejo o Elfo sentado em uma cadeira, ele tem o braço enfaixado, mas ainda assim, ele parece muito mais bonito a luz do dia, e eu admito para mim mesma que se ele não fossem quem ele é, com toda certeza eu ficaria com ele facilmente, mas definitivamente não aconteceria mais, principalmente depois dessa noite infernal.

Ele me manteve presa por horas!

— Bom dia, Vanessa — Ele me cumprimenta com um sorriso pequeno.

— Bom dia — Respondo com a expressão fechada — Eu quero ir embora, agora.

— Espera um pouco, nós temos que conversar um pouco — Ele responde e eu bufo — Podem nos deixar a sós.

— Estaremos na sala chefe — Gota responde, mas eu sequer olho para ele, não é comigo que ele está falando.

— Senta — O Elfo fala depois que ficamos sozinhos e eu obedeço contrariada — Por que você está tão irritada?

— Eu queria estar na minha casa, agora eu estou com muitos problemas porque você me manteve presa aqui por horas — digo irritada, mas contida — Que porra foi que eu fiz de errado para não poder ir para casa?

— Você não fez nada de errado, na verdade, o que você fez foi que me salvou — Ele confessa.

— Eu te salvo e você me aprisiona? Seu senso de justiça é realmente estragado — Falo mais rápido do que minha capacidade de filtrar e quando percebo o que disse arregalo os olhos — Sem querer ofender.

— Não ofendeu — Ele respondeu rindo — Não tinha a intenção de te causar problemas, pelo contrário.

— Como assim, "pelo contrário"? — Pergunto ficando confusa.

— Você salvou a minha vida, e agora eu te devo um favor — Ele diz calmo — Qualquer coisa que você me pedir, eu vou fazer estar ao seu alcance. O que você quer?

— Eu só quero poder ir embora com a minha amiga — Respondo sincera — só quero fingir que essa noite nunca aconteceu e nunca mais ter que voltar aqui.

— Eu já te deixaria ir embora de qualquer forma, não estou te sequestrando — Ele esclarece e eu me sinto um pouco mais aliviada — Então vamos deixar isso em aberto, se e quando precisar de mim, pode me procurar.

— Eu realmente espero que isso nunca aconteça, até ontem eu nunca tinha te visto — Declaro sendo sincera.

— E mesmo assim fez o que fez — Ele diz com um sorriso enigmático — Pode ir, vou mandar te acompanharem para que você possa ir em segurança.

— O que aconteceu ontem? — Pergunto e ele arqueia a sobrancelha — Depois que me tiraram de lá.

— Eu resolvo os meus problemas, não tem que saber detalhes daquilo que não faz parte — Ele responde firme.

— Você tem razão — Concordo ficando de pé — Então está tudo resolvido, posso ir embora?

— Claro, tenha um bom dia patricinha — Ele diz e eu respiro fundo, sentindo muita vontade de responder.

— Adeus — é tudo o que eu digo enquanto saio da cozinha voltando para o quarto em passos

Acordo a Laura com delicadeza, é quase engraçada a expressão dela me olhando confusa, ela leva alguns segundos para compreender o que eu estou falando até que se senta com tudo.

— Podemos mesmo ir agora? Juntas? — Ela questiona e eu aceno.

— Eu vou te deixar em casa e depois vou para casa — Respondo ajudando ela a se levantar — Só vamos embora.

— Finalmente — Ela diz se levantando e pega a bolsa dela — O que ele queria?

— conversamos depois — Respondo desviando do assunto.

Saímos do quarto o Gota ainda está ali, esse homem não dorme?

Ele começa a nos guiar saindo da casa e quando boto o pé para fora da casa e começo a andar pelas ruas sinto vontade de afundar no chão, estamos sendo completamente encaradas. Todo mundo sabe sobre ontem?

— Gota, todo mundo sabe o que aconteceu ontem? — Pergunto em um tom baixo e ele me olha de canto.

— Não, mas geral sabe que não é para tocar em você — Ele responde um pouco irritado, mas eu nem mesmo o julgo por isso, ele não dormiu nada ainda — Eu sei o que tu fez, só ainda não entendi como e nem porquê.

— Eu também não sei, quando vi, já tinha feito — Respondo sincera, ignorando o olhar confuso da Laura.

— Você, patricinha, tem muitos pontos comigo, mas se for algum truque...

— Que truque, Gota? Até antes da festa eu não sabia da existência de vocês — Respondo o interrompendo — Ontem você tava atracado com a Laura no meio do baile, que porra de truque é esse que você acha que eu tô fazendo?

— É, pensando assim você tem razão — Ele diz e eu reviro os olhos, esse homem só pode estar louco.

— Vocês querem que um dos nossos levem vocês ou...

— A gente pede um uber — Eu completo a frase, é mais seguro assim.

— Certo, então já pode chamar — Ele avisa e eu ligo o meu celular, observando o Gota se virar indo até a Laura.

— Você ainda tá brava comigo? — Ele pergunta e eu me afasto um pouco, não vai dar privacidade, mas pelo menos um pouco de espaço — Tá tudo bem agora.

— Eu tô cansada, com sono, com fome, depois a gente conversa — Ela fala emburrada e ele coloca as mãos na cintura dela.

— Vai me responder? — Ele pergunta e ela nega com um aceno, eu quase rio porque a conheço o suficiente para saber que é tudo birra.

Me concentro no meu celular, ignorando a quantidade absurda de mensagens do meu pai e peço o uber, só espero que ele chegue rápido.

Enquanto espero o veículo passo as mensagens e mudo para outra rede social, ignorando a Laura e o Gota, depois vou ter muito o que conversar com a Laura sobre esse romance dela. Minha amiga perdeu completamente o juízo.

Finalmente o meu uber chega e eu consigo arrastar a Laura para a gente ir embora, mas eu sei que o terror do meu dia está apenas começando.

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Oie, espero que tenham gostado ❤️

Insta: thainarro

Beijinhos e até o próximo capítulo ❤️

Anatomia do Caos - MorroOnde as histórias ganham vida. Descobre agora