Capítulo 03

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Vanessa Aguiar

Meu coração está acelerado e eu acho que vou cair dura no chão a qualquer momento, não posso acreditar que no dia que eu resolvo fazer uma coisa mais significativamente errada, dá uma merda desse tamanho. É invasão de outra facção? Polícia? Se bem que não importa o que seja, é muito ruim para mim, principalmente se algo acontecer comigo ou com a Laura.

— O que está acontecendo? — Pergunto trocando um olhar rápido com a Laura, que parece tão confusa quanto eu — Estou ouvindo o barulho dos tiros.

— Se está ouvindo, tá entendendo que tem que sair logo daqui — O Gota responde em um tom rude e eu bufo baixo — Não adianta ficar irritadinha não, já tô sendo muito legal por tirar vocês por um caminho alternativo porque o baile vai virar um caos. 'Tá entendendo? Então fica caladinha antes que eu te deixe para trás.

— Tá doido, Gota? — Laura pergunta em um tom agudo — Não vai largar ninguém, a gente só quer saber o que tá acontecendo, porra! A gente nunca passou por isso.

— Olha minha princesa, eu entendo, mas não vou baixar cabeça não hein! Ceis tem que agir na moral, então só me sigam que vai dar tudo certo — Ele se exalta e eu respiro fundo e seguro a Laura, negando com um aceno para ela não responder e ela bufa.

Mesmo que a minha vontade seja de falar alguma coisa, definitivamente não é a hora para brigar com um cara armado, no morro, no momento que está acontecendo um provável tiroteio, sinto que isso vai dar muito ruim, então melhor evitar qualquer possível complicação, só quero chegar na minha casa em segurança.

Ele começa a passar por um caminho mais fechado e não pelo mesmo trajeto que eu e a Laura fizemos para subir, acredito que por ser o caminho mais comum e aberto também seja o mais perigoso, e me pergunto como vai ficar a situação quando as pessoas que estão no baile começarem a correr para escapar dos tiros. Prevejo caos, e muita confusão e estou torcendo para que no momento que isso acontecer eu esteja em um lugar seguro.

Se eu chegar em casa com algum machucado que eu não consiga esconder, eu vou ter muitos problemas, meu pai não vai deixar passar batido e eu vou me ferrar muito. Até torço para que ele esteja trabalhando, porque definitivamente eu não quero encarar ele no momento que eu chegar.

— Eu vou ter que esconder vocês em uma casa, e depois busco, não vai dar para tirar vocês do morro agora não — O Gota avisa e eu sinto um arrepio percorrendo meu corpo, como se fosse algum tipo de mau presságio e não gosto nenhum pouco disso — Eu preciso voltar agora para ajudar o parça.

— A gente vai ficar bem? Onde nós vamos ficar? — A Laura pergunta com os olhos arregalados.

— Ali na tia, vem comigo — Ele fala e começa a guiar a gente mudando um pouco a rota.

Mas de repente começamos a ouvir muitas vozes, alguns gritos, e até mesmo alguns disparos, o Gota acelera o passo, mas ainda assim não é o suficiente, porque surgem várias pessoas correndo por nós. Isso me deixa muito assustada, que péssimo dia para sair de casa!

Seguro a mão da Laura ainda mais firme, com medo de que a gente se perca, ouço a voz do Gota falando alguma coisa, mas não consigo compreender nada porque parece muito distante para mim, todo o meu corpo está tomado por um medo e um pânico que eu nunca senti antes.

— Vanessa! — Escuto a voz da Laura me gritando, ela parece tensa e eu olho para ela atordoada — Você está bem? O Gota disse que estamos perto da casa, você precisa andar um pouco mais, parece que vai desmaiar a qualquer momento, está pálida!

— Estou bem, é sério — Falo, mas não tenho tanta certeza disso porque realmente acho que a minha pressão caiu um pouco — Vamos continuar logo.

Mas eu grito no momento em que escuto alguns tiros muito próximos de onde estamos, o Gota me olha com a expressão fechada, e eu sei que fiz merda, porque acabei de dar a localização de onde tem pessoas, mas sendo otimista, tem muitas pessoas perdidas pelo morro por causa do baile, certo? Eu espero que sim.

A gente se abaixa e o Gota tenta nos guiar, mas outro tumulto de pessoas passam e esbarram em mim, fazendo eu soltar a mão da Laura e me perder, principalmente porque na ponta contrária da rua estreita que estamos aparece três homens armados. Hoje que eu morro e meu pai me ressucita para me matar de novo. Eu sei que é hoje.

Então apenas torço para que a Laura fique bem com o Gota e começo a passar entre as pessoas, meu estado de choque não pode durar para sempre ou eu vou morrer aqui. Um dos caras atira para cima e eu me encolho um pouco, eles devem estar procurando por alguém, com certeza o Elfo.

— Atenção aqui, a gente não quer machucar nenhum inocente, a gente só quer achar uma pessoa, então é melhor que vocês sejam sinceros — Um deles fala alto, grita para ser mais exata — Quem viu o Elfo essa noite?

— Ele tava na festa, foi só o que a gente viu — Um garoto fala e eu me pergunto se é seguro mesmo entregar que viu o dono do morro dessa forma, mas não sou eu quem vai questionar isso.

— Isso é muito pouco, quero mais detalhes ou vocês todos vão morrer — Um segundo homem fala e ele está armado com uma metralhadora — Não precisam se preocupar com retaliação, ele vai ser morto, só falem.

— Aquela menina ali, eu vi ela conversando com ele mais cedo — Um garoto fala e aponta o dedo para mim e as pessoas que estão ao meu redor vão se afastando, me deixando bem à vista.

Que garoto filha da puta!

Eu sei que estamos todos em uma situação complicada, mas definitivamente não precisava dele me complicar ainda mais, sinto que eu estou muito ferrada.

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Espero que tenham gostado do capítulo 🥰

@ thainarro

Anatomia do Caos - MorroOnde as histórias ganham vida. Descobre agora