Capítulo 31

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Vanessa Aguiar.

Laura arregala os olhos, absorvendo a informação. E eu nem julgo a reação, acho que nem eu mesma ainda não absorvi o impacto.

Meus pais enlouqueceram, ou o meu pai está com sérios problemas com aquele traficante, mas eu não vou me envolver, eles não merecem que eu me sacrifique de forma alguma. Eles não merecem nada de mim. Eu vou esquecer que sou filha deles, que eles existem. A partir de hoje, apenas a Carol é a minha família, e ela vai ser tudo o que eu tenho, a única com o mesmo sangue que eu.

— Eu acho que não entendi direito o que você disse — a Laura diz em tom de surpresa — Como assim? Eu acho que estou ficando louca e acabei de ter uma alucinação.

— Você não está ficando louca, você ouviu certo — Falo achando um pouco engraçada a reação dela.

— Mas porra, seu pai é policial e queria te casar com um traficante? Isso é completamente insano. — Ela argumenta, e eu preciso concordar com ela, é completamente fora da casinha.

— Eu acho que ele deve alguma coisa a ele, talvez mais do que dinheiro, porque não acho que seria uma quantia impossível da nossa família pagar, ou talvez eu só não tenha nenhum valor para eles — Dou de ombros e ela suspira — A questão é que eles querem que eu me case.

— E quem é ele? — Ela questiona e eu respiro fundo, queria que por um momento minha vida fosse simples — Pela sua cara, estou ficando com medo da resposta.

— O Drogo, ele chama Alexandre, aquele que eu atirei para salvar o Elfo — Explico e ela me olha espantada e depois respira fundo — Eu sei, minha vida consegue ficar pior a cada dia que passa.

— É tudo culpa minha — Ela fala com a voz embargada — Se eu não tivesse te trazido aqui aquele dia, você não estaria enfiada nessa confusão, você não estaria toda machucada.

— Calma, Laura, nada disso é culpa sua, nada, está me entendendo? — Pergunto firme e vejo ela acenando, mas ainda vejo lágrimas em seus olhos — Você não tem culpa dos meus pais serem loucos, você não pode se responsabilizar pelas minhas ações, eu sou bem grandinha para saber o que eu faço.

— Mas ainda assim... — ela respira fundo tentando se acalmar — Me desculpa, você é o foco agora, e eu estive tão preocupada esse mês, achei que enlouqueceria.

— Eu já estou bem, só preciso descansar um pouco, logo não vai ter roxo nenhum em mim — Falo sorrindo para ela — Eu preciso pensar em como vou me esconder do meu pai, de um traficante e sobreviver com o dinheiro que eu peguei dos meus pais.

— Eu vou te entregar um cartão, você pode usar ele, meus pais nem vão reparar que não sou eu que estou com ele, acho que isso vai te ajudar — Ela oferece e eu respiro fundo, já pensando em como negar, mas ela me olha séria — Nem ouse dizer que não vai aceitar, porque você vai sim.

— Mas Laura, eu não acho que isso seja certo — Falo me defendendo — Não precisa.

— Claro que precisa, assim você economiza o dinheiro que está na sua conta — Ela insiste — Você não precisa usar para fazer compras no shopping, se não quiser, mas saiba que pode. Usa para comprar coisas para casa, aluguel, comida, não sei, pagar uber ou táxi.

— Tem certeza disso? Pode ser ruim para você — Falo um pouco receosa ainda.

— Tenho certeza — Ela responde no mesmo instante — Eu gostaria que ficasse na minha casa, mas tenho certeza que é o primeiro lugar que vão te procurar, e Vanessa...

— O que? — Pergunto ficando preocupada com a expressão tensa dela.

— A polícia é um problema fácil de resolver, sabe? Eles não podem te obrigar a voltar para casa porque você é maior de idade, mas como vai se esconder do Drogo? — Ela questiona preocupada.

Eu fico em silêncio olhando para ela sem dizer nada, não tinha pensando bem na parte de ter que me esconder de um traficante. Sinto que estou afundando em areia movediça e que em breve vou estar completamente sufocada. Eu não tenho mais saída. Sinto meus olhos se enchendo de lágrimas.

— Eu não quis te assustar, só que...

— Só que eu preciso pensar nisso — Completo a frase dela, enquanto ela acena positivamente.

— Vai sair do país? — Ela pergunta e eu deito na cama, olhando para o teto.

— Eu não sei, queria poder falar com a Carol antes, mas ela está incomunicável — Respondo começando a me sentir completamente desolada — Eu preciso pensar em um lugar para ficar, até que eu possa ir embora. Talvez, eu saia do Rio, não sei, e nem sei se nesse momento consigo pensar em alguma coisa útil, estou me sentindo completamente exausta.

— Vamos pensar nisso amanhã, você precisa dormir um pouco, precisa descansar — A Laura fala suavemente — Aqui você está segura, nem o Drogo, nem a polícia vão te encontrar.

— Tudo bem e obrigada por estar ao meu lado — Falo abraçando a Laura novamente.

— Eu sempre vou estar ao seu lado, amiga, sempre — ela responde retribuindo o abraço.

— Vai ficar tudo bem, amanhã eu dou um jeito em tudo — Falo tentando soar confiante.

— Claro que vai — Ela diz se afastando e fica de pé — Eu vou estar no quarto ao lado, se precisar de mim, é só me chamar, agora eu vou te dar um pouco de privacidade.

— Obrigada — Respondo com um sorriso pequeno, eu realmente preciso ficar um pouco sozinha — Boa noite.

— Boa noite — Ela responde e beija meu cabelo, então sai do quarto.

Eu tiro o meu tênis e me deito na cama, da maneira mais confortável que consigo, mas não demoro a começar a sentir calor, me levanto indo até a minha mochila e pego um short confortável.

Um que eu não vou passar o dia usando porque não quero ninguém vendo muitas marcas pelo meu corpo.  Me deito novamente depois de ligar o ventilador que tem no quarto, sinto falta do meu ar-condicionado, mas pelo menos aqui eu sei que vou poder ficar deitada quieta sem que ninguém entre para me xingar ou me agredir.

Fecho os olhos me sentindo relaxada, finalmente eu vou poder dormir sem medo, sei que o dia já deve estar quase amanhecendo, mas pelo menos eu vou descansar.

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Oie, espero que tenham gostado do capítulo ❤️

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Beijinhos e até o próximo capítulo ❤️

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