Capítulo 28

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Vanessa Aguiar

Meu pai bate a mão na mesa completamente irritado, consigo ver seu olho tremendo e seu rosto vermelho, tenho certeza que o ele mais quer no momento é me agredir. De novo. Mas isso já é algo que ele vem fazendo a não sei quantos dias, já me perdi no tempo ficando presa sem ter acesso a nada.

— Vanessa, vai agora para o seu quarto — ele ordena e eu dou de ombros com indiferença.

— Já estava fazendo isso mesmo — Respondo enquanto caminho saindo da sala de jantar.

— Alexandre, depois nós marcamos uma reunião —- Meu pai fala enquanto estou saindo — Vou ter uma conversa com a minha filha agora para que isso não se repita mais.

— Mulheres são histéricas mesmo, mas eu preciso mesmo ir, nos falamos em breve — Ele responde e eu apresso o meu passo, saindo de perto deles.

Assim que eu passo pela porta da sala de jantar, corro em direção às escadas enquanto seguro o meu vestido. Eu sei que vai ser uma noite ruim, tenebrosa, mas espero realmente que mesmo após ele me bater, porque eu sei que o Roberto vai fazer isso, eu ainda consiga escapar.

Respiro fundo e corro para o closet, preciso me trocar rápido. Coloco uma legue fofinha para o frio, e uma calça de pijama por cima e coloco uma faixa de proteção aos seios e uma camisa de pijama de manga longa, qualquer coisa que seja minimamente capaz de diminuir o impacto contra mim.

Mantenho em mente que não vou mais ficar nessa casa me submetendo a esse tipo de situação.

Não demora até que eu comece a escutar os gritos e passos fortes contra o chão, ele precisa começar a me intimidar de antes, me atormentar a mente, o que ele faz é tentar me abalar para conseguir me ver ainda mais vulnerável aqui, mas eu não me importo.

Ele já abalou demais a minha estrutura, agora tudo que ele pode fazer é um show que para mim é completamente indiferente. De repente a porta é chutada e o  Roberto entra no meu quarto enquanto eu o olho, parada perto da porta do closet.

— VOCÊ TEM NOÇÃO DO QUE FEZ? — ele grita vindo na minha direção e eu me encolho um pouco.

— Falei a verdade? — era para ser uma afirmação, mas soa como uma pergunta.

— Falar que sou corrupto? Não me respeita! Ele fala com raiva enquanto me alcança, e eu quase rio apesar de estar assustada. — e agora acha que não vai fazer o que eu mando? Você não tem escolha!

— Claro que tenho, sou adulta e posso fazer o que eu quiser — Respondo tentando manter a voz firme, mas isso falha porque estou sentindo muito medo.

— Você mora na minha casa, vive do meu dinheiro...

— E eu já disse que quero ir embora, que saio daqui sem nada, só com a roupa do corpo ou enrolada num lençol, qualquer coisa — Respondo sentindo ele apertar ainda mais o meu braço — Eu só quero distância, porque vive nessa casa é a pior das coisas que já experimentei, mas vocês preferem me manter presa aqui, presa como se eu estivesse sequestrada e sendo mantida em cárcere privado.

— Eu sou seu pai e eu sei o que é melhor para você, não pode me desafiar — ele me chacoalha um pouco com brutalidade, e eu me sinto um pouco mal, com dor, mas tento resistir ainda assim — Eu vou te mostrar o que acontece quando me desafiam porque estou vendo que ainda não aprendeu.

— Vai me espancar de novo? — Falo alto, sentindo muita raiva dentro de mim, ele é meu pai e me trata como nada. Eu só não quero mais ficar presa nessa, quero recomeçar bem longe daqui.

— EU ESTOU TE EDUCANDO! — Ele grita com o rosto vermelho de raiva, ele é completamente louco.

— Você não sabe de nada! DE NADA! — eu grito já sentindo as lágrimas escorrerem pelo meu rosto — Um hipócrita, um corrupto de merda que tenta negociar a filha com um traficante de merda, não tem nada a me ensinar ou nem saberia me educar, porque não tem nada além de maldade e ganância dentro dessa sua mente.

Anatomia do Caos - MorroOnde as histórias ganham vida. Descobre agora