Capítulo 54

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Vanessa Aguiar

Fico me sentindo muito nervosa, não consigo parar de bater o meu pé no chão, a minha mente está borbulhando de pensamentos e nenhum deles é bom. Eu sei que tá tudo errado, sei que estamos sendo imprudentes, mas não acho que poderíamos evitar qualquer coisa que esteja acontecendo, porque sei que isso não é uma investigação.

A porta é aberta e eu rio de raiva quando vejo quem entra. Eu nem mesmo estou surpresa.

— Achou mesmo que eu não conseguiria te fazer voltar? — Roberto diz e eu fico de pé no mesmo instante.

— Eu não voltei — Eu falo convicta — Do que adianta me colocar aqui, diante de você, se não vai mudar nada? Eu não vou voltar para aquela casa, não queria nem mesmo ter que te ver.

— Mas você vai voltar, você é minha filha e tem que me obedecer, quanto tempo vai continuar sustentando essa loucura de viver no morro? Se envolver com bandido? Não te criei para isso — Ele fala firme.

— Eu devo ter puxado a minha mãe, porque todo mundo já sabe que você é um corrupto de merda, tem acordo com traficante e tudo — Falo debochada — Eu tenho dezenove anos, sou capaz de fazer minhas próprias escolhas, chega. Me deixa viver a minha vida e esquece que eu existo.

— Acha que vai fazer como a sua irmã? Não! — Ele fala e eu posso sentir sua irritação — Ou você vai por bem, ou eu vou te obrigar a ir. Você tem que fazer o que eu e sua mãe mandamos.

— Não, pai, eu sou uma pessoa capaz de fazer escolhas — Eu falo novamente já me sentindo cansada.

É uma droga, parece que estou batendo numa tecla quebrada, ele não me escuta. Essa discussão nunca vai ter fim? Eu só quero paz, não estou pedindo muito, estou?

— É o seguinte, Vanessa, você vai embora comigo, ou suas duas amiguinhas vão ser presas — Ele diz com um sorriso cínico no rosto e eu me sinto ainda mais tensa — Acha que fazer elas entrarem para conversar sozinhas foi por acaso? Eu conheço sua amiguinha e sabia quem seria o advogado dela, e mandei duas blitz para o caminho que ele faria até aqui. Eu sou muito bom no que eu faço e não é por acaso.

— Se fosse realmente tão bom no que faz, não teria que estar vendendo sua filha para um traficante — Rebato.

No mesmo instante que fecho a boca, sinto um tapa no meu rosto. A minha pele arde e os meus olhos se enchem de lágrimas, eu só consigo odiar ele. Talvez, ele morrer já não pareça uma ideia tão ruim.

— É por isso que eu te odeio, você é a pior pessoa do mundo! — Falo alto, me sentindo péssima.

Ele segura nos meus braços e começa a me chacoalhar com força, a minha cabeça começa a doer, e eu só sinto raiva. Tento me afastar dele, mas não tenho força para isso, mas ele me joga no chão com força e se aproxima devagar. Se for como todas as vezes em casa, é agora que ele começa a me espancar.

— eu só não vou te dar a surra que você merece agora, porque não estamos em casa — Ele declara se abaixando perto de mim — Mas quando chegarmos lá, você vai apanhar até aprender a me respeitar.

— Então vai ter que me matar, porque você, Roberto, nunca terá meu respeito — Falo me afastando dele para poder me levantar — Você não é um pai, é um monstro. É que tudo o que você se propõe a fazer, você fracassa. Não é bom pai, não é bom marido, não é um bom policial e nem mesmo um bom bandido.

— É melhor se comportar, ou eu esqueço onde estamos e te dou uma surra aqui mesmo — Ele me ameaça se aproximando novamente, e eu ainda estou me levantando. Posso ver a raiva em seu olhar.

Anatomia do Caos - MorroOnde as histórias ganham vida. Descobre agora