Capítulo 46

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Vanessa Aguiar

Respiro fundo enquanto prendo o meu cabelo em um coque, o Elfo não pode estar falando sério. Ele não tem qualquer direito de decidir sobre o que eu faço ou deixo de fazer, sobre para onde eu vou ou deixo de ir. Ele tá pensando que é quem para me controlar dessa forma? É melhor que ele repense o que está fazendo e dizendo.

— Vou ser bem claro com você — O Elfo fala me olhando sério, mas eu não mudo a minha postura — Não faz o menor sentido você ir até lá, é se colocar em risco sem necessidade, estou pensando no seu bem.

— Agora eu vou ser bem clara com você — Falo firme apontando o dedo para ele — Eu vou fazer o que eu quiser fazer, sou dona do meu próprio nariz e capaz de fazer as minhas próprias escolhas, então não adianta agir como se pudesse me controlar de alguma forma. Por que adivinha só? Você não pode e nunca vai poder.

— Caralho, que mulher difícil!! — Ele exclama passando as mãos no cabelo, puxando os fios para trás — Eu só quero te manter segura, você entende que se sair do morro, onde eu tenho total controle, você pode estar correndo perigo? Entende que ir lá pode ser uma armadilha e que ela pode tá querendo é te entregar para os seus pais? Você não pode agir na emoção, tem que pensar nas consequências.

— Ou... — a Laura grita e quando eu olho para ela, o Gota está segurando ela, mas não entendo o que ele diz, mas ela acena — Foi mal, podem continuar brigando.

Eu viro minha atenção de volta para o Elfo no mesmo instante que ele me olha de volta também, sinto muita vontade de brigar e gritar com ele, mas não acho que isso valha a pena, não vou ficar aqui me desgastando com um assunto que nem mesmo deveria ser pauta para uma briga.

— Eu vou repetir só uma vez, então preste bastante atenção, Elfo — Minha voz sai firme e controlada, mas não acho que vou continuar assim por muito tempo — Se eu quiser ir visitar a Laura na casa dela, eu vou. Se eu quiser ver a mãe dela? Eu vou. Se eu quiser qualquer coisa, eu vou ter. Agradeço sua preocupação, mas eu não sou uma prisioneira. E não vou seguir o que você acha que eu tenho que seguir.

— Teimosa do caralho — Ele reclama e eu reviro os olhos irritada.

— Eu não vou discutir com você mais, Elfo, não vou — Eu falo com raiva apontando o dedo para ele — Então é melhor que você tenha compreendido bem a situação — Eu falo em tom de aviso e me viro para a Laura que arregala os olhos — Quando eu posso ir na sua casa?

— Você sabe muito bem que a minha casa é aberta para receber você a qualquer momento — Ela responde rápido — No momento em que você quiser ir, as portas estão abertas, você é da família.

— Ótimo, porque eu vou hoje — Falo firme — Vou para poder ficar lá uns dias, ok?

— Claro, minha casa é sua casa — Ela responde no mesmo momento. Estou com a cabeça quente, mas sei o que eu estou fazendo. Ou pelo menos acho que sei, mas o importante é que não vou deixar ele mandar em mim.

— Vanessa, você escutou alguma coisa do que eu disse nos últimos minutos? — Ele pergunta entredentes.

— Não, ignorei tudo porque não era importante — Falo com indiferença — Você não manda em mim!

— Eu não quero mandar em você, quero proteger você — Ele reforça e eu dou de ombros.

— Eu vou subir para arrumar as minhas coisas — Falo, começando a sair da sala. — Já volto.

— Nós estamos conversando, você não pode sair assim — O Elfo fala vindo atrás de mim, mas o ignoro.

Caminho irritada em direção às escadas, mas ainda assim consigo escutar o Gota falando que aposta que eu e o Elfo vamos transar e fazer as pazes. Até parece que vou ceder assim para esse idiota mandão. Eu não vou transar com ele e o Gota está errado. Vou arrumar as minhas coisas e vou embora, para começo de conversa, eu nunca deveria ter vindo para casa dele, eu deveria estar louca quando pensei nisso, deveria ter feito as minhas malas, comprado passagem para outro país e ido embora. Ninguém me acharia tão longe daqui.

— Vanessa, vamos conversar de maneira civilizada — O Elfo diz entrando no quarto logo atrás de mim.

— Não acho que temos mais alguma coisa para conversar — Respondo, abrindo a porta do guarda roupa para tirar as minhas coisas e bufo ao lembrar que a maioria está lá fora secando, mas ainda é uma opção só ir embora e deixar tudo para trás — Pode, por favor, sair para que eu possa arrumar as minhas coisas?

— Não, eu não vou sair — Ele diz e para na minha frente, me impedindo de sair do lugar, já que o guarda roupa está bem atrás de mim — Vamos nos resolver, não quero que você vá embora desse jeito.

— Elfo, você não pode achar que manda em mim, eu só queria ir resolver um assunto — Eu digo chateada.

— E eu só quero que você entenda que eu quero te proteger — Ele diz colocando a mão carinhosamente no meu rosto — Você é minha responsabilidade até que tudo esteja resolvido, mas não é só isso.

— E é o que mais? — Pergunto, e minha voz sai mais baixa do que eu esperava.

Que raiva desse homem me desmontar dessa forma.

— É que eu gosto de você, sei todos os riscos de gostar de você — Ele fala baixo e perto demais, sinto seu hálito contra a minha pele — Mas eu não me importo, porque eu sempre gostei muito do perigo.

Ele termina de falar e já cola os lábios contra os meus, seu beijo é quente e intenso e meu coração está mais acelerado do que deveria. Ele se declarou para mim e eu não sei o que pensar sobre isso, mesmo que me sinta igual, por isso tudo o que eu faço é retribuir os beijos da mesma maneira intensa.



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Dizem que quem é vivo sempre aparece!! Voltei!!


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