Capítulo 30

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Vanessa Aguiar

Eu ainda sinto dor pelo corpo, e a medida que eu vou relaxando, mais cansada e dor eu sinto, mas, ao mesmo tempo, me sinto tão bem de estar com alguém em quem confio, me sinto tão bem sabendo que independente de para onde eu estou indo, eu vou ficar em segurança, não vou acordar com alguém me batendo ou me xingando. Isso é ótimo. Meus pais reduziram as minhas expectativas sobre qualquer lugar a nada, pois não importa aonde eu vá, onde eu esteja, se nesse ambiente eles não estiverem, eu considero o lugar bom.

— Eu acho que você tem que começar falando — Ela responde, mas eu me distraio olhando o caminho.

— Para onde estamos indo? — Pergunto distraída.

— Para a minha casa — O Gota responde e eu olho para a Laura esperando alguma resposta.

— Eu não posso ir para casa agora — Ela responde encolhendo os ombros e eu suspiro.

— Estamos indo para o morro? — Pergunto, mesmo que para mim seja óbvia a resposta.

— Sim, mas amanhã nós vamos para casa — Ela responde e eu suspiro.

— Está tudo bem, qualquer lugar que seja seguro, para mim parece ótimo — Respondo calma.

Não que eu realmente esteja calma, mas não tem o que fazer, é como diz aquele ditado, o que não tem remédio, remediado está. E nesse caso, como não se tem mais o que fazer, o jeito é apenas seguir o bonde como ele está.

Olho para a Laura, a mão do Gota está em sua perna, acho que ela está completamente acostumada a ir ao morro já, esse tempo trancada em casa está parecendo que durou uma eternidade, já que tudo parece estranho agora.

— Você está me enrolando — A Laura diz atraindo a minha atenção e eu olho para ela arqueando a sobrancelha — Tudo bem, entendi, quando chegarmos lá, conversamos então.

— Você não me contou como foram as coisas esses dias — Falo, desviando o foco. Definitivamente eu não me sentiria bem em falar sobre o que aconteceu comigo na frente do Gota, ele é um desconhecido para mim.

— Não aconteceu muita coisa, briguei na escola com a Beatriz, quebrei o nariz dela e levei suspensão, mas foi merecido, ela me disse o que fez, uma completa vadia — Ela fala com raiva e me lembra que eu ainda tenho que me vingar da Beatriz, porque eu não vou mesmo deixar barato o que ela fez.

— Quando eu tiver um celular, vou dar o troco nela — Falo com indiferença e a Laura ri soprado.

— E com certeza vou achar ótimo — Ela responde dando de ombros — Eu conheci a irmã do Elfo, ficamos um pouco próximas, ela é muito legal e foi comigo na sua casa, ela que iria me ajudar a invadir lá para te salvar.

— Eu definitivamente não te imagino invadindo nada — Falo rindo e ela me mostra a língua.

— Minha preocupação com sua segurança e saúde estava me enlouquecendo, e eu claramente tinha motivos para estar tão preocupada — Ela fala me olhando e eu desvio o olhar, sei que a minha situação é péssima.

— Eu vou precisar de um celular e definitivamente, eu precisava passar em um banco vinte e quatro horas, seria possível? — Pergunto desviando o assunto novamente, não quero falar de mim ainda.

— Podemos sim, tem um aqui perto — O Gota me responde e eu agradeço.

— O que pretende fazer? — A Laura pergunta em tom de curiosidade. — Precisa de dinheiro agora?

— Quero tirar dinheiro da conta dos meus pais e passar para a minha pessoal — Explico e ela acena — E se eu deixar para depois, eles vão bloquear os cartões que estão comigo e eu não vou conseguir fazer nada.

Anatomia do Caos - MorroOnde as histórias ganham vida. Descobre agora