Capítulo 17

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Vanessa Aguiar

Acordo sentindo meu corpo completamente dolorido e me enrolo ainda mais nas cobertas. Foi uma noite e tanto. Respiro fundo me lembrando do que fiz e que não acredito que tive coragem de deixar ele me masturbar na praia, a gente teria transado se meu pai não tivesse ligado.

Geralmente odeio quando ele me liga, mas dessa vez estou quase grata. Quase porque tem uma voz na minha cabeça dizendo que tem algo estranho acontecendo, meu pai estava calmo demais, e isso não é comum. Ou talvez sejam apenas os meus traumas falando.

Meu celular começa a tocar e eu bufo sentindo minha cabeça latejar no mesmo ritmo do toque, eu realmente preciso aprender a usar isso no silencioso, eu devo ser a única pessoa na face da terra que usa ele alto.

Me sento na cama e pego meu celular que está carregando em cima da mesa de cabeceira e sorrio ao ver o nome da Carol na tela, eu realmente queria falar com ela, me sinto feliz só de ver o nome dela na chamada.

— Oi, bom dia — Digo sorrindo ao atender, mas percebo minha voz rouca de sono.

— Bom dia, mas eu tenho quase certeza que já de tarde aí no Brasil — Ela responde rindo e eu afasto o celular percebendo que já passam do meio dia, acho que eu dormi demais — Como você está?

— Eu estou bem na medida do possível, como está ai? — Pergunto voltando a deitar na cama.

— As coisas ainda estão um pouco confusas, mas vai dar tudo certo — Ela responde em um tom confiante.

— Eu não sei se posso ter certeza disso, você falou sem muita fé — Brinco e ela ri baixo.

— Engraçadinha — Ela me responde e eu sorrio pequeno — Eu tive alguns problemas, mas nada com o que você tenha que se preocupar, mas eu estou preocupada com você, eu conheço os pais que temos.

— Eles continuam iguais, exatamente iguais — Respondo levemente chateada — Roberto ainda é agressivo, e a Eliz ainda passa pano para tudo o que ele faz, acho que eles nunca vão mudar.

— Mas eles pelo menos pararam de te bater? — Ela pergunta em uma clara preocupação.

— Claro que não, eles não vão mudar, acho que mesmo que me matassem — Digo e respiro fundo.

É horrível pensar que meus pais são tão autoritários e agressivos que eles realmente não se importariam se em meio a um desses castigos eu realmente morresse, eles não mudam, não me enxergam como uma pessoa independente e que tem vida própria.

Para eles, se eu sou filha e eles fazem o mínimo que é me dar o padrão de vida que eles têm, já estão fazendo muito, mas eles escolheram me ter, não nasci por escolha própria.

— Eu não suporto que eles continuem assim, achei que mudariam pelo menos um pouco depois de perder uma filha — Ela reclama e respira fundo — Você também precisa sair de casa logo, Vanessa.

— É o que eu mais quero, mas definitivamente, não sei como — Falo um pouco exasperada — Eu queria muito conseguir fazer algo, mas não consigo pensar em nada, eu não tenho experiência em nada.

— Vamos fazer assim, aguenta as pontas mais um pouco, eu to quase resolvendo a minha vida aqui, e quando eu conseguir, você pode vir para cá ou eu posso comprar um apartamento para você aí e te ajudo a se manter, você escolhe — Ela sugere e eu sinto um alívio enorme invadindo o meu coração — Mas fica viva.

— Eu vou fazer o possível para me manter viva — Falo em tom de brincadeira — E eu com certeza vou preferir ir para aí. Tô farta daqui e desse lugar. Sem contar que eu tenho certeza que o Roberto daria um jeito de controlar a minha vida mesmo se eu não morar mais na casa deles.

Anatomia do Caos - MorroOnde as histórias ganham vida. Descobre agora