Capítulo 44

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Vanessa Aguiar

Sento no meio da sala com o celular na mão, mas não consigo me concentrar de fato no que eu estou fazendo, minha mente volta toda hora no meu pai e no que ele pode estar armando para fazer, isso é muito irritante. Acho que eu deveria falar com o Elfo e contar sobre a ligação, contar que o meu pai avisou que faria alguma coisa.

Eu vejo a porta da sala sendo aberta e sorrio ao ver que é a Laura entrando, ver ela sempre me trás um pouco de conforto.

Eu sinto como se não soubesse mais o meu lugar no mundo, não me sinto mais tão pertencente. Eu não sei explicar nem para mim, eu sinto falta da vida que eu tinha, da minha rotina, mas ao mesmo tempo me sinto feliz e leve longe de casa, aquilo não era uma casa.

— Como você está? — ela pergunta, sentando no sofá.

— Bem, eu acho, e você? — Pergunto de volta, com um sorriso pequeno.

— Estou bem e preocupada — ela responde e respira fundo, ela parece nervosa — sua mãe esteve lá em casa hoje.

— o que ela foi fazer lá? — pergunto me sentindo apreensiva.

— Ela queria saber notícias sobre você, fez o maior escândalo e avançou em mim, a minha sorte é que minha mãe estava em casa e ela é uma funcionária conseguiram conter, ou eu teria apanhado — ela diz e eu me sinto péssima — e tem mais, ela disse que se não descobrisse onde você estava exatamente, ela iria denunciar que você foi sequestrada.

— Como? — Pergunto atordoada.

Minha mente fica em turbilhão, não quero imaginar o caos que seria se ela denunciasse um sequestro, não quero ficar paranoica e não quero me desesperar à toa, mas a ligação que o meu pai fez hoje não ajuda em nada. Eu sei muito bem que eles são capazes de qualquer coisa para conseguirem o que desejam.

— Eu não acho que eles chegariam a tanto...

— Laura, você acha mesmo que eles não teriam coragem? — Pergunto arqueando a sobrancelha.

— Tá, eles são sim capazes — ela concorda suspirando. — E agora, o que vamos fazer?

— eu não sei — Respondo rindo sem humor — meu pai me ligou hoje, por isso estou tão preocupada.

— Acha que eles já estão fazendo alguma coisa? — ela pergunta e eu apenas aceno positivamente.

Fecho os olhos por um momento, preciso pensar com calma sobre o que eles estão planejando, se eu ficar desesperada, minha mente não vai funcionar corretamente e eu não vou pensar em nada concreto.

Fico em silêncio por mais um momento, não sei quanto tempo se passou, mas acho que já tenho uma ideia do que pode estar acontecendo, de qual seria o plano. Certeza eu não tenho de nada, mas são possibilidades.

— Eu acho que eu já sei qual é a intenção — falo olhando diretamente para a Laura, e vejo o Elfo entrando.

— O que? — Ela pergunta rápido, sei que ela está preocupada, mas minha atenção fica presa no Elfo, enquanto nossos olhos ficam conectados.

A Laura finge uma tosse e eu sinto meu rosto esquentar um pouco, e volto a minha atenção para ela novamente, precisamos continuar nossa conversa, temos que pontuar os acontecimentos e quais serão os próximos passos. Quase rio. Minha vida está parecendo um filme.

— Boa tarde — o Elfo cumprimenta, e percebo que o olhar dele está desconfiado — Está tudo bem?

— Não, senta aqui para conversarmos logo — Falo, porque assim já desenvolvo meus pensamentos de uma vez só.

— O que está acontecendo? — ele pergunta preocupado.

— Vou resumir — A Laura diz e eu aceno concordando — Os pais da Vanessa estão armando um plano para atrapalhar a vida dela, querem abrir um boletim de ocorrência por sequestro e estamos pensando sobre quais as intenções deles com isso.

— E eu acho que eles querem ou, me obrigar a sair daqui para ir até o departamento de polícia e assim estar ao alcance deles — Sugiro e eles acenam — ou talvez meu pai invada o morro e me leve à força.

— Eu acho que são opções que eles com certeza fariam — A Laura concorda pensativa.

O Elfo fica em silêncio, sua expressão fechada me deixa apreensiva, será que já está acontecendo alguma coisa? Será que eu já estou trazendo problemas para ele? Eu não vou ser hipócrita, eu sabia que isso aconteceria, mas não queria que isso acontecesse.Ele está a língua no céu da boa e fica de pé, e isso me deixa ainda mais nervosa, seria muito melhor que ele falasse logo alguma coisa.

— No que você está pensando? — Pergunto sendo direta, eu quero saber logo sobre o que ele está pensando.

— Seria um problema se seu pai fosse morto? — ele pergunta e eu olho para ele surpresa pela pergunta.

— Provavelmente sim — Respondo como se fosse óbvio.

— Você fugiu de casa porque ele era um merda, mas não quer que ele morra para se livrar do problema? — Ele pergunta em um tom um pouco alto — é só meter uma bala na cabeça dele é um problema a menos, depois é só fazer o mesmo com o Drogo e acabou.

— Então mete uma bala no Drogo, porque esse problema eu não adquiri sozinha — falo ficando de pé também.

— E eu já disse que vou resolver essa merda! — Ele exclama alto.

— Gente...

— Mas seu pai já estava na minha mira e eu não vou mudar meus planos, então já fica ciente sobre o que vai acontecer — O Elfo fala interrompendo a Laura.

— Eu acho que você não está pensando muito bem, Elfo — Eu falo com o dedo indicador na têmpora, impaciente.

— E o que seria pensar bem, nessa situação? — Ele pergunta arqueando a sobrancelha.

— Seria perceber que qualquer crime que você cometer contra a minha família, e for provado que veio da sua facção, podem relacionar a mim, e o fato de eu estar aqui — Explico e respiro fundo — A ideia de matar meu pai não me faz feliz. E sim, eu melhor que ninguém sei o lixo que ele é, mas definitivamente, não quero ser relacionada a um crime desses.

Eu falo e sento no sofá respirando fundo, não demora até que eu sinto ele sentando ao meu lado e me abraçando. É uma droga que tudo esteja um caos assim.

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oie, como estão?

Me desculpem por não responder tanto os comentários, a faculdade está comendo a minha alma :(

Espero que estejam gostando da história S2

Anatomia do Caos - MorroOnde as histórias ganham vida. Descobre agora