Capítulo 55

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Vanessa Aguiar

Eu nem mesmo tenho palavras para descrever o quanto eu estou aliviada por ver ela aqui, sua expressão está fechada e eu nem quero pensar o quanto ela está irritada. E eu sei que ela vai falar umas poucas e boas para mim, mas nesse momento, isso não importa porque eu sei que ela é muito melhor que os meus pais e que se ela está aqui agora é porque se preocupa comigo também. Nunca fui tão feliz por minha melhor amiga ser filha de uma juíza. Quem diria que seria isso a salvar a minha pele um dia.

— O que o senhor pensa que está fazendo? — Ela pergunta em um tom de voz seco e firme.

— Eu estou educando a minha filha, a senhora não tem que se meter nisso — Roberto responde ainda me segurando.

— O que eu estou vendo é um delegado federal agredindo fisicamente uma adolescente que foi dada como desaparecida — Ela rebate com classe — O senhor a trouxe para uma sala de interrogatório, na qual está completamente fora de sua alçada, após tentar coagir duas outras adolescentes. O senhor está preparado para o processo que posso abrir?

— Não se meta...

— Não me meter? — ela pergunta interrompendo ele, enquanto abre um sorriso debochado — Acho que o senhor esqueceu que uma das adolescentes coagidas era a minha filha.

— Então leva a Laura daqui, e deixa que da minha filha cuido eu — Ele declara irritado. Acho que ele realmente não estava contando que a Lúcia fosse vir.

E depois é a mim que ele chama de burra.

— Eu vou sair daqui com as três e um boletim de ocorrência contra o senhor — Ela fala e me olha — está disposta a prestar depoimento contra o seu pai?

— Sim, com certeza — Respondo de imediato.

— Você é uma decepção, Vanessa, eu tenho vergonha de ser teu pai — Ele fala com nojo enquanto se afasta — Isso é o maior absurdo que eu já ouvi, uma filha se voltar contra o próprio pai. Eu te dei tudo.

— Você já quase me matou! — Eu exclamo alto.

Será mesmo que ele não enxerga todo o mal que já me fez? Será mesmo que dentro da cabeça perturbada dele, tudo o que ele fez, foi o melhor que poderia e eu realmente sou a ingrata? Porque se as respostas forem sim, ele está muito mais doente do que eu posso sequer imaginar. Como pode alguém ser tão ruim com uma pessoa que carrega seu próprio sangue nas veias.

Minha família não sabe o que significa família, essa é a verdade.

— Vamos embora, Vanessa — A Lúcia me chama sem tirar os olhos do Roberto — Você, Roberto, é uma vergonha tanto quanto homem, quanto pai, quanto policial.

— Você é uma mulher amargurada e enxerida— ele rebate — foi por isso que foi abandonada pelo marido, se fosse uma mulher que prestasse, não estaria sozinha.

— Você não vai conseguir me irritar ou me abalar, mesmo que esteja fazendo ataques pessoais, porque não existe nada que uma pessoa como você e com o seu péssimo caráter possa falar que vá ter algum efeito — Ela diz em uma falsa calma.

Eu aproveito e caminho me afastando do Roberto, indo até o canto oposto da sala onde deixei meu celular de pé e gravando no tempo em que fiquei sozinha.

— Que porra é essa? — Roberto grita no momento em que ele me vê pegando o aparelho.

— Você filmou tudo? — A Lúcia pergunta com um sorriso de lado.

— Sim senhora — Respondo rápido.

— Ele estava ciente sobre isso? — Ela pergunta novamente.

— Sim, ele estava — minto é meu pai me olha com muito mais raiva do que antes.

Anatomia do Caos - MorroOnde as histórias ganham vida. Descobre agora