Capítulo 71

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Vanessa Aguiar

Finalmente o jornal começa e eu começo a prestar atenção, foi avisado que seria falado sobre as operações que aconteceram. Aumento um pouco o volume e logo a Manuela larga o celular para prestar atenção também, a primeira matéria não tem nada a ver com o que estamos esperando para ver, isso me deixa ansiosa e frustrada.

A Laura chega de volta e senta ao meu lado, deixando a cabeça no meu ombro enquanto olha para a televisão. Sinto um aperto no meu peito quando a matéria sobre a operação finalmente começa.

O jornalista começa a falar sobre a motivação para a operação e eu quase rio, essa não é a verdade, não foi por causa das armas ou das drogas, foi por causa da loucura de um homem que não consegue a filha indo embora viver a própria vida em paz e feliz, um homem que tem tanta necessidade de controle que cometeria os maiores absurdos apenas para não ser contrariado. Esse foi o real motivo para a operação.

O Jornalista continua a matéria falando sobre as horas de terror que a população viveu, o cenário de guerra, eles mostram algumas filmagens da troca de tiro e a Manuela se encolhe um pouco, ela conhece todos os rostos ali.

Ainda é falado sobre as mortes, morreram três traficantes e quatro policiais, comparado há algumas matérias que eu li, foi um número relativamente baixo e eu fico muito grata por isso, preferiria que fossem dados ainda menores, mas eu já aprendi que eu nunca vou ter tudo o que eu quero do jeito que eu quero, só preciso me acostumar mais a essa realidade.

O repórter então começa a falar sobre os acontecimentos, muita coisa distorcida. A verdade é que a gente só percebe esses detalhes quando vê de perto, e é por isso que muita gente não vê os morros como eles são, e sinceramente, eu sei que é assim porque eu também já tive uma visão ruim de lá. Nós somos manipulados o tempo todo pela mídia que a gente consome. É um saco.

Então o repórter conta sobre o estado do policial federal que organizou tudo, Roberto Aguiar, que foi encontrado em um beco desacordado, espancado, com diversos ferimentos feitos provavelmente com as mãos, além de duas costelas quebradas e o nariz quebrado e o rosto parcialmente desfigurado. Mas ainda vivo.

Esse pequeno detalhe me deixou um pouco frustrada, mas com certeza existe algum motivo para ter sido assim, mas eu só vou saber realmente quando o Elfo ligar.

E eu realmente espero que não demore muito.

— Recebi uma mensagem de que a operação já acabou de vez — A Manuela avisa e respira fundo — Mas ainda não sei se o elfo ou o Gota vão poder entrar em contato.

— Eu vou subir para tomar um banho, preciso de um banho frio para me acalmar, e enquanto isso espero a ligação — Falo ficando de pé.

— Vou pedir comida, e a minha mãe deve estar quase voltando do julgamento — A Laura fala alcançando o celular.

— Acho que o pior já passou, a gente vai ficar bem, eles devem estar bem — Eu digo tentando ser positiva.

— Espero que você tenha razão — A Laura diz e eu sorrio para ela.

— Só estamos presas em casa, sem notícias oficiais, mas vai ficar tudo bem — A Manu fala e eu suspiro — Não estou querendo ser pessimista, mas é isso.

— E você está certa — Eu falo em um tom complacente — mas antes era pior, mas já acabou, foi um dia ruim para nós, e com certeza péssimo para eles, e agora tudo o que temos que fazer é ficar em casa e esperar uma ligação.

— Eu não estou tentando brigar e nem nada disso, só estou muito nervosa — Ela fala ficando de pé — E eu sei que enquanto a notícia não chegar pelo Elfo que eles estão bem, eu não vou me acalmar direito.

Anatomia do Caos - MorroOnde as histórias ganham vida. Descobre agora