Capítulo 21

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Vanessa Aguiar

Fico em silêncio dentro do carro enquanto o Gota dirige. Tem algo de errado comigo, estou me sentindo agitada como se um mau presságio estivesse me abraçando e eu não gosto dessa sensação. Respiro fundo tentando me acalmar.

Estou sentindo um gosto amargo na boca e uma palpitação estranha no peito. Talvez eu só esteja ansiosa por causa de tudo o que passei hoje, talvez seja só isso.

— Recebeu alguma mensagem da sua mãe? — Pergunto olhando para a Laura.

— Não, nada — Ela responde e vira no banco para me olhar — Está tudo bem?

— Acho que sim, só estou com uma sensação estranha — Respondo com um sorriso pequeno — Não deve ser nada.

A verdade é que estou me sentindo muito confusa, e eu nunca seria capaz de admitir em voz alta, mas o Elfo me atrai muito, mas eu prefiro negar esse desejo, não posso ficar apaixonada como a Laura está. Eu não quero isso.

Começo a contar até dez mentalmente, mas sou interrompida pelo meu celular que começa a tocar.

— Oi Carol! — Digo animada ao atender, realmente espero que sejam boas notícias.

— Oi maninha, como você está? — Ela pergunta em um tom carinhoso, mas eu posso claramente perceber que tem algo a mais em seu tom de voz.

— Estou bem e você? Aconteceu alguma coisa? — Pergunto ficando preocupada.

— Não exatamente, é que... — Ela começa a falar, mas para ao escutar alguém ao fundo, não entendo o que a outra pessoa diz, mas minha irmã suspira muito audivelmente — Eu me envolvi com algumas pessoas erradas, muito erradas, e eu não quero que eles saibam sobre nossa proximidade, pela sua segurança, então por alguns meses eu vou ter que sumir, mas te ligo quando tudo estiver bem.

— Que? — Pergunto completamente chocada — Quais coisas erradas? Por meses? Você não pode sumir por tanto tempo, Carol!

— Eu sinto muito, mas eu realmente preciso fazer isso — Ela fala em tom de despedida e eu me sinto completamente perdida — Eu não vou te deixar completamente desamparada, ok? Eu volto em breve.

— Não tem nada que possa ser feito? Nada que impeça isso? — Pergunto me sentindo completamente desolada.

— Não, infelizmente — Ela diz em um tom triste — se cuida, fica bem e viva, e nunca esqueça que eu te amo.

— Também te amo — Respondo triste e a chamada é encerrada.

Fico alguns segundos olhando para a tela do meu celular. Talvez fosse por isso que eu estivesse me sentindo tão mal, só espero que ela fique bem e viva. Eu posso e consigo me cuidar por aqui, vai ficar tudo bem, eu sei que vai.

— O que aconteceu? — escuto a voz da Laura preocupada e sorrio para ela sem vontade.

— Carol ligou para avisar que vai ficar alguns meses incomunicável — Respondo dando de ombros.

— Mas e a sua ida ? — Ela pergunta preocupada.

— Completamente adiada — Respondo desanimada, mas logo respiro fundo — Mas eu vou reagir e dar um jeito.

— Como, Vanessa? — Ela questiona arqueando a sobrancelha — Você nunca trabalhou.

— Amanhã eu vou ter ideias e vou colocá-las em prática — Respondo determinada — Calma, tô pensando ainda.

Ela fica em silêncio me olhando, e eu sei que ela só não vai insistir no assunto porque não estamos sozinhas. E eu fico grata por isso, afinal, algo que eu definitivamente não quero é que desconhecidos fiquem sabendo da minha vida particular, dos meus dilemas e problemas. Principalmente nas mãos dos meus pais.

— Não toma nenhuma medida drástica — Ela diz em tom de aviso e eu aceno concordando.

— Eu acho que tenho que pensar sobre isso primeiro — Falo e finalmente guardo o meu celular.

Entramos no meu condomínio depois de passar pela portaria e eu autorizar a entrada. Fico feliz por já estar chegando em casa, assim vou poder tomar um banho e vestir uma roupa bastante confortável para poder dormir tranquila. Ou comer até passar mal como uma forma consciente e irresponsável para lidar com as minhas frustrações sobre a vida.

Até parece que eu conseguiria comer tanto sem a minha mãe surgir do nada e julgar o que eu como. Me fazendo sentir culpa por estar comendo.

Ela é obcecada pelo corpo magro e acha que eu tenho que ser também, por isso se necessário me faz passar por todo tipo de dieta, médico e fazer academia. Mas pelo menos de fazer academia eu gosto, ajuda a aliviar o estresse.

— Me liga qualquer coisa — Laura fala e eu sorrio para ela.

— Pode deixar — falo começando a sair do carro — Se cuida e juízo.

— Eu tenho juízo — Ela se defende rápido e eu rio — Tchau Vanessa.

— Tchau amiga, tchau Gota — Me despeço e saio do carro.
Respiro fundo e começo a caminhar devagar até a entrada de casa, mas vejo a porta sendo aberta e a Beatriz saindo com um sorriso no rosto e isso não pode ser bom sinal.

— Priminha, bom te ver — Ela cumprimenta, mas eu apenas ignoro — Não vai perguntar o que eu vim fazer?

— Não me importo o suficiente — Respondo seguindo meu caminho.

— Mas eu digo assim mesmo...

— Vai chata, você quer falar, fala, chata — Debocho parando no lugar para ouvir ela.

— Eu só queria que você soubesse quem deixou tudo para o seus pais, cada foto e cada vídeo seu naquele morro imundo, ou quando saiu com aquele da festa — Ela debocha e meu coração acelera, mas respiro fundo.

— É ótimo saber quem falou, porque eu sei exatamente de quem eu vou me vingar — Falo em um tom frio de raiva — Lembra o que você fez naquela festa privê? Aquela em uma casa de praia.

— Aquela festa era proibido ter câmera — Ela diz receosa — Nada do que você diga pode ser provado.

— Estamos na era digital, nenhum lugar é realmente sem câmeras — Respondo com deboche — Não se preocupe, vou deixar espalhar só as fotos que vocês tá de roupa.

— Eu te processo! — Ela quase grita.

— Por isso que eu vou postar só as que você está com roupa, as outras vão só para o celular da sua mãe — Aviso e vejo ela ficando vermelha.

— Você é uma vagabunda, isso vai arruinar a minha vida! — Ela exclama irritada.

— E você vir fofocar da minha vida não seria um problema? Se toca garota — Falo irritada — Tudo o que vai, volta. E eu te avisei!

— É culpa sua, você ficou se exibindo para o Bernardo quando eu claramente deixei avisado — Ela diz entredentes e eu consigo perceber o desespero em sua voz.

— Eu só estava dançando, já disse que eu não tenho interesse nele, mas se continuar nessa loucura eu vou lá beijo ele na sua frente — Falo firme e ela me olha com raiva.

— Eu te odeio tanto, tanto — Beatriz grita e eu cruzo os braços com indiferença.

— A recíproca é completamente verdadeira — Declaro — Eu te odeio.

— Vanessa, entra agora — Escuto a voz da minha mãe e um arrepio percorre meu corpo — E você, para cada Beatriz.

— Sim senhora — Ela responde e a gente troca mais um olhar de ódio e ela sai.

Eu respiro fundo, cansada, e tendo a certeza que meu mau presságio não era sobre a Carol, eu estou muito ferrada.

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Oie, espero que tenham gostado do capítulo ❤️

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Até o próximo capítulo ❤️

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